Geralmente,
em toda parte,
No ângulo mais sombrio
Dos recantos desprezados,
Vem a aranha e tece o fio.

Escura,
silenciosa,
Atendendo ao próprio instinto,
Seja dia, seja noite,
Vai fazendo o labirinto.

Por
manter o enorme enredo,
Insiste e nunca esmorece,
Condenar-se por si mesma
É seu único interesse.

Desdobrando
movimentos
Nos impulsos insensatos,
Pratica perseguições,
Multiplica assassinatos.

Insetos
despreocupados,
Na ilusão cariciosa,
Transformam-se em prisioneiros
Da pequena criminosa.

Satisfeita,
a aranha escura.
Prossegue na horrenda lida,
Nos venenos que segrega
Traz a morte e suga a vida.

Mas
um dia, o espanador,
Na luta material,
Vem e arranca essa infeliz
Das teias de horror do mal.

A
aranha, porém, não cede,
Com teimosia e com arte,
Foge ao bem que se lhe fez,
E vai tecer noutra parte.

Quem
medita na conduta
Dessa aranha renitente,
Encontra a cópia fiel
Da vida de muita gente.

A
muitos presos do engano,
Deus envia a dor e as provas;
Mas, depois de liberdade,
Vão prender-se em redes novas.
Francisco
Cândido Xavier
Da obra: Cartilha da Natureza. Ditado
pelo Espírito Casemiro Cunha.