Comovemo-nos,
habitualmente, diante
das grandes tragédias
que agitam a opinião.
Homicídios
que convulsionam a
imprensa e mobilizam
largas equipes policiais...
Furtos
espetaculares que
inspiram vastas medidas
de vigilância...
Assassínios,
conflitos, ludíbrios
e assaltos de todo
jaez criam a guerra
de nervos, em toda
parte; e, para coibir
semelhantes fecundações
de ignorância
e delinqüência,
erguem-se cárceres
e fundem-se algemas,
organiza-se o trabalho
forçado e em
algumas nações
a própria lapidação
de infelizes é
praticada na rua,
sem qualquer laivo
de compaixão.
Todavia,
um crime existe mais
doloroso, pela volúpia
de crueldade com que
é praticado,
no silêncio
do santuário
doméstico ou
no regaço da
Natureza...
Crime
estarrecedor, porque
a vítima não
tem voz para suplicar
piedade e nem braços
robustos com que se
confie aos movimentos
da reação.
Referimo-nos
ao aborto delituoso,
em que pais inconscientes
determinam a morte
dos próprios
filhos, asfixiando-lhes
a existência,
antes que possam sorrir
para a bênção
da luz.
Homens
da Terra, e sobretudo
vós, corações
maternos chamados
à exaltação
do amor e da vida,
abstende-vos de semelhante
ação
que vos desequilibra
a alma e entenebrece
o caminho!
Fugi
do satânico
propósito de
sufocar os rebentos
do próprio
seio, porque os anjos
tenros que rechaçais
são mensageiros
da Providência,
assomantes no lar
em vosso próprio
socorro, e, se não
há legislação
humana que vos assinale
a torpitude do infanticídio,
nos recintos familiares
ou na sombra da noite,
os olhos divinos de
Nosso Pai vos contemplam
do Céu, chamando-vos,
em silêncio,
às provas do
reajuste, a fim de
que se vos expurgue
da consciência
a falta indesculpável
que perpetrastes.
Xavier,
Francisco Cândido.
Da obra: Religião
dos Espíritos.
Ditado pelo Espírito
Emmanuel.
14a edição.
Rio de Janeiro, RJ:
FEB, 2001.
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