Em nenhum momento da história da Humanidade vimos manifestações tão diferenciadas e numa avalancha tão grande como agora se vê em questão de Fé.

São seitas, correntes filosóficas, doutrinárias, esotéricas, espiritualistas,autodenominando-se religiões “salvadoras”, na cata desenfreada de fiéis.

Muitas dessas correntes utilizam técnicas consagradas de marketing, auto-ajuda,conhecimento por alienação mental, com interesses nem sempre confessáveis. É o fazer prosélitos a qualquer custo.

Conseguem, assim, incutir na mente dos freqüentadores que o único caminho que conduz a Deus é onde eles estão, em detrimento de todas as outras manifestações de fé, como se Jesus houvesse, quando da sua passagem entre nós, criado alguma religião.

Propagam um Deus discriminatório, vingativo e diretamente interessado no “sucesso material” dos seus filhos. Seguem disseminando inverdades, modificam textos bíblicos, interpretando-os a seu modo.

O pior disso é que conduzem multidões a equívocos exorbitantes em nome da Fé. São cegos conduzindo cegos.

Vendem remissões, curas, equilíbrios materiais e espirituais, esquecendo-se da afirmativa de Jesus: “Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes.”1 Se são portadores de algum dom, principalmente o da palavra, que tem a força do convencimento, deveriam pensar nessa passagem do Mestre Jesus com mais carinho.

Em realidade, utilizam esse momento de incertezas em que vive a Humanidade para comercializar a Fé.

Aproveitam-se dos desequilíbrios materiais e espirituais de desesperançados, prometendo livrá-los da exploração do mundo, para depois explorá-los dentro das suas Instituições.

Muitos desses dirigentes conseguem colocar na mente dos seus “conduzidos” a necessidade de arregimentarem outros irmãos, pois é preciso aumentar o número dos que serão “convertidos” a contribuir, financeiramente, é claro, com a “obra de Deus”, tornando-se, muitos deles, extremamente inconvenientes no convívio social, querendo impor a sua crença aos outros.

Assistindo uma palestra em vídeo do Professor Luiz Almeida Marins Filho,consultor de várias empresas no Brasil e no Exterior, em determinado trecho no qual citava o crescimento das igrejas evangélicas, o renomado professor dizia que a grande massa da população necessita de alguém que lhe diga o que pode e o que não pode fazer: – “Se fizer tal coisa será reprimido” e assim por diante.

São pessoas que gostam de ser conduzidas com pulso firme. Necessitam dedireção severa.

É claro que o Espiritismo não compactua com tais correntes religiosas impositivas. Até porque, o Espiritismo prega o livre-arbítrio e o amplo direito de liberdade de cada um. Não subverte a consciência de ninguém.

Como afirmava Kardec, a Doutrina Espírita “não se dirige aos que possuem uma fé e a quem essa Fé basta”.

O que talvez nos esteja faltando é um pouco mais de entusiasmo no divulgar a nossa Doutrina.

Preparar melhor os nossos oradores, com cursos específicos para uma boa oratória, qualificando aqueles que já tenham a boa vontade de divulgar a Doutrina Espírita.

Não que seja esse trabalho destinado a arregimentar novos freqüentadores a todo custo, como fazem outros segmentos religiosos, mas a passar para os ouvintes o Espiritismo com alegria e vibração que ele requer daqueles que deveriam vivenciá-lo com a emoção dos verdadeiros cristãos que seguiram a Jesus de perto.

ROBINSON SOARES PEREIRA

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap XXVI, item 2, p. 363, 116. ed.,

Rio de Janeiro: FEB, 1999.

2 Obras Póstumas, 1a Parte, 28. ed., p. 261, Rio de Janeiro: FEB, 1998.

 

 

 

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