A
alquimia é uma ciências
ocultas que sempre despertou muito interesse,
dadas as inúmeras publicações
e escritos que foram achados ao longo
do tempo sobre a Arte Hermética,
e também a curiosidade de saber
algo sobre a chamada Pedra Filosofal(também
conhecida por Medicina Universal).
Foram escritos milhares de livros sobre
a Arte. Desde o final da Idade Média
até ao século XIX, a alquimia
esteve na moda, e não só
os gentis homens, nobres e cavaleiros,
religiosos, clérigos e até
alguns reis e papas, não só
escreveram tratados sobre a Arte de
Hermes, como também a praticaram.
Como esperado, isso deu origem a que
fossem escritos muitos livros que nada
têm a ver com a verdadeira alquimia.
O que também ocorreu foi o fato
de que por um grande período
de tempo, a alquimia foi sinônimo
de charlatanismo. Isso ocorreu devido
à falta de publicações
sérias, muitas delas sendo imitações
grosseiras, feitas por sopradores (falsos
alquimistas) dos verdadeiros e antigos
textos, nas quais se une o absurdo e
a ignorância.
Hoje em dia, temos um grande número
de traduções das obras
clássicas mais importantes dos
grandes Mestres, o que fez com que a
opinião de muitas pessoas mudasse.
Os livros sobre a Arte Hermética
são muito procurados porém,
infelizmente, paralelos às obras
clássicas existem no mercado
muitos livros que aparentam ser obras
sérias, mas não passam
de pura especulação. Mesmo
assim, são adquiridos não
só por curiosidade, mas também
pelo desejo de deles se poderem ser
extraídos alguns conhecimentos
que nos permitam descobrir algo novo.
Com esse trabalho, pretendo explorar
mais as obras dos grandes e dos novos
mestres, deixando de lado os chamados
sopradores.
Um
panorama geral...
A alquimia é a arte de trabalhar
e aperfeiçoar os corpos com a
ajuda da natureza. No sentido restrito
do termo, a alquimia sendo uma técnica
é, por isso, uma arte prática.
Como tal, ela se baseia em um conjunto
de teorias relativas à constituição
da matéria, à formação
de substâncias inanimadas e vivas,
entre outras coisas.
A alquimia tem dois arcanos (mistérios),
sendo o primeiro a busca da pedra filosofal,
ou seja, a aplicação direta
da alquimia teórica - alquimia
operativa. Ela reveste-se de dois aspectos
principais: a medicina universal e a
transmutação dos metais,
sendo uma, a prova real da outra. O
segundo arcano são as três
substâncias. Assim, para um alquimista,
a matéria é composta por
três substâncias, ou princípios
fundamentais: Enxofre, Mercúrio
e Sal, os quais poderão ser combinados
em diversas proporções,
para formar novos corpos.
Tivemos muitos alquimistas na história,
sendo um alquimista normalmente também
um médico, filósofo e
astrólogo, tal como Paracelso,
Alberto Magno, Santo Agostinho, Frei
Basílio Valentim, Roger Bacon,
que dizia no Espelho da Alquimia, «...A
alquimia é a ciência que
ensina a preparar uma certa medicina
ou elixir, o qual, sendo projetado sobre
os metais imperfeitos, lhe comunica
a perfeição...».
Todos eles acreditavam que em breve,
no fim de mais um ciclo terrestre, haveria
uma grande catástrofe que seria
um novo começo para a humanidade.
Restaria uma consciência coletiva,
a mesma que deu origem a alquimia em
outros ciclos. Tantos outros grandes
Mestres hoje são conhecidos pelas
suas obras reputadas de verdadeiras.
Cada Mestre tinha os seus discípulos
a quem iniciava na Arte, transmitindo-lhes
os seus conhecimentos. Além disso,
para que esse conhecimento durasse pelos
tempos, transmitiram-no também
por escrito, nos livros que atualmente
conhecemos, quase sempre escritos sob
pseudônimo, por meio de símbolos
ou figuras. O fato da alquimia ser hieróglifa
dificulta o seu estudo porque esses
símbolos e figuras não
têm um sentido uniforme. Tudo
era, e atualmente é, deixado
à obra e imaginação
dos seus autores.
O alquimista não é um
fazedor de ouro como muita gente pensa.
A transmutação só
terá lugar, como já dissemos,
como prova provada da veracidade da
medicina universal ou pedra filosofal.
O principal objetivo dos alquimistas
é a medicina universal que, segundo
a tradição, permitiria
ao homem viver em perfeita saúde
para alem da idade normal em um ser
humano e não o ouro. Essa medicina
seria muito mais valiosa do que todo
o ouro do mundo.
Hoje em dia existem também alquimistas.
Encontram-se em todas as camadas sociais:
«...Reis da Terra, se conhecêsseis
o grande número de pessoas que
se entregam, em segredo, nos nossos
dias, à procura da pedra filosofal,
ficaríeis admirados...»
Cyliani em Hermes Revelado.
Origem
da Palavra Alquimia:
Durante as minhas pesquisas, achei inúmeras
definições para Alquimia,
uma complementando a outra. Assim, resolvi
colocá-las todas aqui.
Para alguns, Alquimia é um nome
com origem árabe. Al corresponde
ao artigo o, com raiz grega elkimyâ;
Kimyâ deriva de Khen (ou chem),
que significa "o país negro"
(nome dado ao Egito na antigüidade).
Outra possibilidade de origem da palavra
é dada por outros que acham que
ela corresponde ao vocábulo grego
derivado de chyma, que se relaciona
com a fundição de metais.
Outros ainda acham que kymia é
um símbolo da palavra
árabe AL KYMIA, que é
traduzido como pedra filosofal-
o primeiro Arcano (mistério)
da Alquimia. Outra abordagem que eu
encontrei para esse nome é que
ele vem do árabe e tem o mesmo
significado de química, só
que trata-se de uma química antigamente
designada por espagíria, uma
química transcendental e espiritualista
e que não corresponde à
química atual (aquela que conhecemos).
Al, em árabe, designa Ser supremo
o Todo-Poderoso, como Al-lah. O termo
alquimia, designa desde os tempos mais
recuados, a ciência de Deus, ou
seja a química de Al.
*Em
latim, Alquimia chama-se Solue et Coagula.*
O
histórico:
No ocidente, tudo começou no
Egito. Os alquimistas relacionam a sua
origem ao deus egípcio Tote,
que os gregos chamavam de Hermes (Hermes
Trimegisto). Alguns alquimistas o consideravam
como um rei antigo que realmente teria
existido, sendo o primeiro sábio
e inventor das ciências e do alfabeto.
Por causa de Hermes a alquimia também
ficou conhecida como arte hermética
ou ciência hermética.
No Egito a alquimia teria surgido no
século III d.C. e demonstrava
uma influência do sistema filosófico-religioso
da época helenística misturando
conhecimentos médicos com metalúrgicos.
A cidade de Alexandria era o reduto
dos alquimistas. O alquimista grego
mais famoso foi Zózimo (século
IV), que nasceu em Panópolis
e viveu em Alexandria, escreveu uma
grande quantidade de obras. Nesta época,
várias mulheres dedicavam-se
a alquimia, como por exemplo Maria,
a judia, que inventou o um banho térmico
com água muito utilizado atualmente,
o "banho-maria", Kleopatra
que possivelmente não seria a
Rainha Cleópatra, Copta e Teosébia.
Outras técnicas interessantes
atribuídas aos Egípcios:
A mumificação dos corpos,
fabricação de objetos
cerâmicos através do cozimento
da argila, a extração
de corantes de certos animais e vegetais,
a obtenção de vinagre
e bebidas alcoólicas não-destiladas
(vinho, cerveja) e a produção
de vidro e de alguns metais.
Os persas conheciam a medicina, magia
e alquimia. A alquimia possuía
um pouco da imagem da população
de Alexandria, era uma mistura das práticas
helenísticas, caldaicas, egípcias
e judaicas.
A alquimia deixou muitas contribuições
para a química, como subproduto
de seus estudos, dentre eles podemos
citar: a pólvora, a porcelana,
vários ácidos (ácido
sulfúrico), gases (cloro), metais
(antimônio), técnicas físico-químicas
(destilação, precipitação
e sublimação), além
de vários equipamentos de laboratório.
Na China produzia-se alumínio
no século II; os chineses foram
também os inventores dos fogos
de artifício e a eletricidade
era conhecida pelos alquimistas de Bagdá
desde o século II a.C.
Os árabes tiveram a sua participação
na alquimia, com dois nomes muito importantes:
Jabir, quem preparou o carbonato de
chumbo (a ele eram atribuídos
muitos escritos - quase 3 mil distintos-
o que faz com que alguns achem que ele
foi uma lenda) e Razes, quem originou
a iatroquímica com a preparação
dos elixires.
A arte floresceu muito durante a Idade
Média com os chamados Alquimistas
Cristãos. Assim, os grandes nomes
da ciência medieval estão
ligados a ordens religiosas pois era
nos mosteiros que estavam os poucos
letrados de então. Sua dupla
preocupação, como já
conhecemos, era com o elixir da longa
vida, que garantiria a imortalidade
e a cura das doenças do corpo
e com a transmutação,
um método para a transformação
de metais comuns em ouro, que ocorreria
na presença de um agente, a pedra
filosofal. A transmutação
não teria fins lucrativos; ela
era um dos objetivos pois o ouro com
a sua resistência à corrosão,
representava a perfeição.
A pedra filosofal nunca deixou de ser
procurada pelos alquimistas, mas por
volta de 1500 D.C. aconteceu na Europa
uma profunda reforma social causada
pela burguesia emergente, jovem, progressista,
antítese do feudalismo, necessitando
para sua perpetuação fomentar
a produção de manufaturados
e o seu comércio. Para tal necessitava
de um método mais eficiente de
comunicação e de manutenção
de seu pensamento, e assim, surgiu a
imprensa. O aumento da população
nas cidades aumentava as necessidades
das pessoas, principalmente no ramo
da medicina, na época reduzida
a um receituário de poções
extraídas de vegetais.
Nessa sociedade em transformação
nascia em Einsiedeln, Suíça,
em 1493, Phillipus Theophrastus Bombastus
von Hohenheim, mais tarde auto- denominado
Paracelsus (melhor do que Celsus, romano)
, que popularizou o "princípio
fundamental" da refractabilidade
entre os alquimistas, representada pelo
"sal". Paracelsus, o Grande,
tinha como princípio que a Pedra
Filosofal da alquimia não devia
ser tão somente para a procura
do ouro e da prata, mas também
de medicamentos para melhorar as condições
de saúde do corpo humano, e assim,
providenciar a forma de alcançar
a vida eterna. Em sua filosofia, o homem
dividia-se em sal (o corpo), mercúrio
(alma) e enxofre (o espírito),
e qualquer enfermidade seria o resultado
da falta de um desses componentes fundamentais.
De fato, tanto o sal quanto o mercúrio
e o enxofre, para Paracelsus, tinham
um significado muito diferente do que
podemos atribuir a tais elementos hoje
em dia. Para Paracelsus e sem dúvida
para muitos alquimistas da época
a palavra enxofre, por exemplo, reunia
um sem-número de substâncias
capazes de sofrer algum tipo de combustão.
Não obstante, o sucesso alcançado
pelos tratamentos médicos de
Paracelsus em pacientes vindos de toda
a Europa medieval baseava-se no princípio
que ele mesmo desenvolvera, o do "igual
trata igual", ou seja, se um composto
causa uma doença, então
doenças relacionadas devem ser
tratadas com a administração
de pequenas doses do mesmo composto.
Esse princípio é o empregado
hoje em dia pela farmacologia homeopática,
e existem historiadores que consideram
Paracelsus como sendo o Pai da Farmacologia.
Paracelsus morreu em 1541 aos 48 anos,
provavelmente auto-envenenado por uma
de suas poções, mas não
sem antes formar toda uma escola de
seguidores que reformaram a medicina
da época, passando a administrar
compostos inorgânicos medicinais
além dos extratos orgânicos
tradicionais. Os seguidores de Paracelsus
se autodenominavam iatroquímicos
(do grego iatros, médico), abandonando
o nome de alquimistas.
Os alquimistas geralmente utilizavam
a luz como um símbolo do espírito,
e portanto eles estavam especialmente
interessados na luz que parecia estar
contida na matéria. Isso estava
também acoplado com a idéia
do "fogo perpétuo".
Existiam idéias antigas sobre
a existência de luzes "perpétuas",
supostamente encontradas em tumbas ou
cofres subterrâneos, como o descrito
na monografia Rozacruciana "Fama
Fraternalis", de 1614. Em sua procura,
alquimistas encontraram na natureza
certos materiais brilhantes, obtidos
de matéria animal ou vegetal.
O interesse em materiais luminescentes
culminou, no século XVII com
a descoberta do fósforo elementar,
em 1669, portanto dentro da era iatroquímica,
por um médico alquimista alemão,
Hennig (ou Henning) Brand de Hamburgo.
Ninguém sabe o que fez esse zeloso
alquimista esperar que na urina humana
haveria um fluido capaz de converter
prata em ouro, mas é sabido que
seus estranhos experimentos produziram
resultados tão inesperados quanto
bonitos: o material branco, ceroso,
obtido na retorta daquele alquimista
brilhava no escuro, iluminando seu laboratório!
uma vez que sua descoberta ficou conhecida
por outros alquimistas, não foram
raros os casos de queimaduras graves
provocados por essa forma de fósforo
elementar, que entra em ignição
expontânea quando em contato com
o ar. (Uma amostra do zelo alquímico
pode ser notada a partir da preparação
do fósforo, relatada por William
Y-Worth, em "Chymicus Rationalis"
aonde está contida "Uma
descrição Filosófica
do Astrum Lunare Microcosmicum, ou Phospheros,
de 1692).
No campo da mineração
e metalurgia teve grande impacto o livro
"De Re Metallica" escrito
pelo alquimista alemão Georgius
Agricola (1494- 1555). Naquele livro,
Agrícola reuniu todas as técnicas
de metalurgia conhecidas, e ainda relatou
resultados de suas próprias experiências
no campo da extração e
purificação de metais,
introduzindo conceitos que eram tão
avançados que resultaram na renovação
de toda a indústria metalúrgica
européia da época.
O
período do domínio do
Flogíston:
A teoria dos quatro elementos, após
ter tido a mais longa história
de todas as filosofias que a sucederam,
estava no fim, mas o terreno filosófico
da química permaneceu estéril
por quase um século. A metalurgia,
é claro, desempenhava uma peça
chave na economia da época, pela
sua capacidade financeira, de gerar
empregos, status social... A prática
era alquímica: misturava-se o
mineral desejado, por exemplo um contendo
ferro, com carvão, aquecia-se,
e obtinha-se o metal puro no final do
processo. Hoje se sabe que o mineral
contém o metal na forma de um
de seus óxidos, que o carvão
e o calor decompõem, formando
gás carbônico e liberando
o metal em um bom grau de pureza. Mas
no início do século XVIII,
Georg Ernst Stahl (e Johann Joachim
Becher, dois estudiosos dos processos
metalúrgicos e de combustão),
concluíram que todos os corpos
suscetíveis à combustão
ou oxidação continham
um componente etéreo, que eles
chamaram de "flogiston" (do
grego phlogistos, combustível).
De acordo com Stahl, um mineral seria
uma substância já oxidada,
teria pouco flogiston; misturada com
carbono (oxidável, combustível,
muito flogiston) e aquecido, iria produzir
o metal correspondente (um composto,
com muito flogiston), que por sua vez
poderia oxidar-se novamente (perder
flogiston), reformando parte do mineral
do qual havia sido retirado. Essa teoria
teve muito sucesso, pois reunia os processos
metalúrgicos conhecidos em uma
forma fácil de ser compreendida,
e seu domínio se estendeu por
100 anos.
A procura do flogiston levou os cientistas
a divisarem um sem número de
experimentos. A partir dos meados do
século XVIII foram descobertos
quase todos os gases naturais, a maioria
dos metais, seus óxidos e sais,
que foram submetidos a estudos minuciosos.
Porém tais estudos apontavam
sempre para as contradições
da teoria do flogiston: se a madeira
se oxida (queima), então a perda
do flogiston faz com que a massa das
suas cinzas seja menor do que a massa
da madeira original; entretanto, se
um metal (por exemplo, o ferro) se oxida
e perde flogiston (isso é, forma
ferrugem), então a massa do seu
mineral (óxido) só pode
ser maior do que a massa do metal original
caso o flogiston perdido tenha massa
negativa! esse "pequeno" impasse
não desestimulava, entretanto,
os seguidores dessa teoria, que também
não se importavam com o fato
de que o elusivo flogiston mostrava-se
impossível de ser obtido. Assim,
tornava-se cada vez maior o número
de descobertas que não se encaixavam
dentro dos limites dessa teoria, e os
que concordavam com ela o faziam graças
a postulados distintos suplementares
que frequentemente estavam em contradição
com a própria teoria. Nas palavras
do próprio Stahl (1723 d.C.),
em seu livro "Fundamenta Chymiae
Dogmaticae et Experimentalis":
"o fato de que os metais, quando
transformado em seus cais (óxidos)
aumentam de peso, não desmente
a teoria do flogiston, mas ao contrário
a prova, porque o flogiston é
mais leve que o ar, e, combinando-se
com as substâncias, tende a levantá-las,
e dessa forma, as torna leves; consequentemente,
uma substância que tenha perdido
flogiston deve ser mais pesada".
Assim sendo, já perto do fim
de seu domínio quase secular,
essa teoria, que serviu no início
como impulsionadora da química
e das demais ciências naturais,
pelas buscas a respostas que propiciou,
acabou se tornando um empecilho para
o desenvolvimento científico.
A Lavoisier cabe o mérito de
ter rebatido definitivamente a teoria
do flogiston: com suas experiências
entre 1772 e 1777, demonstrou que as
reações de combustão
não são reações
de decomposição, onde
a substância perde flogiston,
mas sim uma reação de
combinação, onde um metal
reage com o oxigênio do ar para
formar óxidos. Ao mesmo tempo
que o elusivo flogiston tornava-se desnecessário
para explicar relações
ponderais entre reagentes e produtos
em reações químicas,
as próprias concepções
básicas da química sofriam
uma mudança radical: os metais,
que eram tidos como compostos (contendo
o metal e flogiston) resultaram ser
na verdade elementos, e os seus óxidos,
tidos como elementos, mostraram-se ser
na verdade, compostos (contendo o metal
e o oxigênio). Invertendo o sistema
do flogiston de ponta-cabeça,
Lavoisier elaborou as bases para a sistematização
da química, sendo por isso devidamente
reconhecido como o Pai da Química
Moderna. Tendo sido o destruidor da
teoria do flogiston, Lavoisier contudo
acreditava que certas coisas imateriais,
como calor e luz (duas formas de energia)
também tivessem caráter
elementar. Assim, o grande sucessor
de Bacon e Boyle continuava acreditando
em preceitos oriundos da prática
alquímica. Lavoisier foi, sem
dúvida, um grande cientista e
seu trabalho sistematizou a ciência
hoje chamada de Química. Era
entretanto de uma família nobre
francesa, e detinha o cargo de cobrador
de impostos do Rei. Por isso, seus desafetos
o condenaram à morte quando da
revolução francesa. Foi
decapitado em 1794.
Assim, a alquimia continua presente
nos dias de hoje, não é
coisa do passado como muitos pensam.
O nosso histórico não
é muito amplo pois muito da alquimia
ficou em segredo.
Alguns aspectos importantes na alquimia
e o que eles representam
*
A transmutação = Na natureza,
a terra contém "sementes"
que dão origem aos metais (um
processo de evolução e
aperfeiçoamento). Todos os metais,
com o tempo, se transformarão
em ouro que contém o equilíbrio
perfeito dos quatro elementos. Na alquimia
não existe matéria morta
e todas as substâncias, animal,
vegetal ou mineral, são dotadas
de vida e movimento, ou seja, possuem
suas energias características.
Assim, podemos fazer as seguintes relações:
Ouro - representado pelo Sol.
Prata - representado pela Lua.
Mercúrio - representado pelo
planeta Mercúrio.
Estanho - representado por Júpter.
Chumbo - representado por Saturno, por
ser considerado pesado e lento
Cobre - representado por Vênus,
maleabilidade, sossego, beleza e prazer.
Ferro - representado por Marte.
***Postulado
fundamental da alquimia "Omnia
in unum" (Tudo é Um).***
*O
dualismo sexual
A energia original é criada pela
junção dos princípios
masculino e feminino (sol e lua). Muitos
alquimistas constituem casais na busca
da Grande Obra, porém para que
ocorra uma perfeita união alquímica
este casal, ou seja, estas duas metades
devem ser complementares formando um
único ser (como a figura alquímica
do andrógino - sal). Contudo
é muito difícil encontrar
um par que produza uma união
tão perfeita.
*O
Cosmo
O cosmo é visto como um ser vivo
sendo que seus constituintes tem espírito
e propósito definido. As estrelas
exalam um campo de energia que pode
ser sentido e utilizado pelo homem e
assim obter as transformações.
*A
vida
Existe uma crença na alquimia
da criação artificial
de um ser humano, o homúnculo
ou Golem, porém estes relatos
de alguns alquimistas célebres,
como Paracelso por exemplo, poderia
referir-se de forma figurada ao processo
de fabricação da pedra
filosofal, onde o homúnculo representaria
a matéria prima para a fabricação
da pedra ou então uma fase da
iniciação em que o homem
ressurge após a morte do outro
já degradado.
Na concepção alquímica
tudo o que existe é vivo,(como
já dito anteriormente) até
mesmo os minerais. Tudo vive, cresce,
reproduz-se e evolui. Portanto qualquer
metáfora sobre seres vivos podem
estar referindo-se também ao
reino mineral.
A natureza e todos os seus constituintes
devem ser respeitados para que a harmonia
perfeita possa ser mantida. Esta consciência
opõe-se claramente a forma de
encarar a natureza até hoje,
em que esta deve ser explorada o máximo
possível e ainda consideram isto
a evolução da humanidade.
Reaprender a ver, sentir e ouvir a natureza,
significa incorporar-se a ela, para
relembrar o remoto passado quando fazíamos
parte dela integralmente.
*O
amor
Todo o conhecimento alquímico
está alicerçado no amor
e por isso inacessível aos processos
científicos atuais, dos quais
muitos visam ao lucro e sucesso na carreira
do cientista.
A união pelo amor está
sempre presente em qualquer obra alquímica
representando uma energia que une dois
princípios ou dois materiais,
tornado-os um só. De forma figurada
é descrita como o casamento do
Sol e da Lua, do enxofre e do mercúrio,
do Rei e da Rainha, do Céu e
da Terra ou do irmão e da irmã,
por terem vindo da mesma raiz ou mesma
substância.
*Astrologia
Na alquimia a astrologia exerce um papel
fundamental desde a escolha do momento
certo para o início da obra,
da colheita dos materiais utilizados,
até o momento mais propício
para o alquimista trabalhar.
*Secretum
secretorum, uma marca divisória
entre a alquimia e a química.
Este artifício consiste, metaforicamente,
em capturar um raio de sol, condensá-lo,
aprisioná-lo em um frasco hermeticamente
fechado e alimentá-lo com o fogo.
A terra fica em baixo enquanto o espírito
sobe. Esta etapa completa a primeira
obra e quando concluída corretamente
pode se ver a formação
de uma estrela dentro do frasco.
*Os
quatro elementos e os três princípios
A alquimia além do aspecto espiritual,
constituí uma verdadeira ciência
que tem como finalidade compreender
a matéria e o cosmo, ou seja,
o microcosmo e o macrocosmo, além
de tentar reproduzir de forma mais rápida
o que a natureza leva milênios
para conseguir. Como em qualquer área
de conhecimento, a alquimia possuía
uma linguagem própria. Para tentar
transmitir conhecimentos que não
haviam palavras específicas para
expressar eles utilizaram termos conhecidos,
que transmitia uma idéia rudimentar
de algum evento. Assim utilizavam os
termos Água, Terra, Ar e Fogo
para explicar os quatro elementos, correlacionando-os
respectivamente com o estados líquido,
sólido, gasoso e a energia. O
fogo simbolizava todos os tipos de energia,
inclusive a energia imaterial dos corpos,
o "éter", ou estado
"etéreo". O conceito
de estado gasoso não ficou conhecido
pelo ocidente até o século
XVIII com as pesquisas de Lavoisier.
Isto demonstra o quanto os Alquimistas
estavam adiantados em relação
aos sábios de seu tempo.
A
Linguagem hermética - exemplos
*Animais
normalmente tem um significado especial,
como por exemplo, a representação
dos quatro elementos. O unicórnio
ou o veado representam a terra, peixes
a água, pássaros o ar
e a salamandra o fogo.
*
Uma luta entre o dragão alado
contra o dragão áptero,
de um cão com uma cadela ou da
salamandra com a rêmora, representam
o combate entre o volátil e o
fixo, o feminino e o masculino, ou o
mercúrio e o enxofre, os dois
princípios que estão contidos
na matéria. Enquanto que a união
entre estes dois princípios é
representada pelo casamento do rei e
da rainha, do homem de vermelho com
a mulher de branco , do irmão
com a irmã (pois eles provém
de uma mesma matéria mãe),
de Apolo e Diana, do sol e da lua ou
juntar a vida à vida. Normalmente
a este casamento precede morte e tristeza.
Apanhar um pássaro significa
fixar o volátil.
O leão verde normalmente é
associado ao sal.
A pessoa iniciável ou a substância
inicial (matéria-prima) pode
ser representada pelo filho mais jovem
de uma viúva (que representa
Ísis) ou de um rei, um soldado
que já cumpriu o serviço
militar, um aprendiz de ferreiro, um
jovem pastor, o filho de um rei em idade
de se casar e outros casos semelhantes.
O abismo, um recife e outros perigos
de uma viagem representam os cuidados
ou os perigos que o fogo conduzido inadequadamente
podem causar.
O dissolvente universal tanto é
associado ao sal como ao mercúrio
normalmente é representado por
uma fonte, leão verde, água
da vida ou da morte, água ígnea,
fogo aquoso, água que não
molha as mãos, água benta,
vento, espada, lanterna, cervo, um velho,
um servidor, o peregrino, o louco, mãe
louca, dragão, serpente, Diana,
cão, dentre outros.
Os alquimistas utilizam também
alfabetos secretos, codificados, anagramas
e criptografia. Além de simples
sinais que identificam uma operação,
substância ou objeto.
Alguns
alquimistas
Nessa parte do trabalho, resolvi colocar
as biografias de alguns alquimistas.
O primeiro deles é Nostradamus,
nome que escutamos muito atualmente
pelo fato de nas suas centúrias
estar previsto simbolicamente um ataque
às Torres Gêmeas de Nova
York, como ocorreu no dia 11 de Setembro.
NOSTRADAMUS
Suas profecias ficaram tão conhecidas
que chegam a ofuscar o restante de sua
obra. Ele foi médico, alquimista
e astrólogo. Michel de Notre-Dame
nasceu em 14 de Dezembro de 1503 em
St. Remy, seu pai era tabelião
e seus dois avôs médicos.
Foi seu avô, que também
era cabalista, que ficou responsável
por sua educação, ensinando-lhe
desde cedo astrologia. Diplomou-se em
Avignon como mestre em Artes, estudando
literatura, história, filosofia,
gramática e retórica.
Sua família era judia e Nostradamus
teve que se converter ao catolicismo
para fugir da inquisição.
Cursou medicina em Montpellier, onde
ingressou com dezoito anos, em 1523.
Tornou-se amigo de François Rabelais.
Recebeu o título de doutor em
1533 e latinizou seu nome para Miguel
de Nostradamus. Passou algum tempo viajando
pela Europa, onde combateu a peste com
métodos contrários aos
empregados em seu tempo. Foi convidado
por um alquimista, Julius César
Scalinger para conhecer suas pesquisas
em Tolouse e permaneceu por algum tempo
em sua casa. Casou-se com Marie Auberligne,
que era uma grande estudiosa e auxiliava
Scalinger em seus experimentos. Foi
aí que aprofundou seus conhecimentos
em Alquimia utilizando a biblioteca
escondida, por serem obras proibidas
pela Igreja, na casa de Scalinger.
Mudou-se para Ange, próximo a
Toulose, atuando como médico.
A noite, constantemente ia para a biblioteca
de seu amigo estudar as obras proibidas.
Teve dois filhos e um trágico
desfecho, sua mulher e filhos contraíram
a peste e faleceram. Nostradamus ficou
desolado e recluso na Bretanha, na floresta
de Brocelândia, conhecida como
a residência do Mago Merlin. Após
isso passou um período de intensas
viagens.
Em 1546 combateu novamente a peste,
desta vez em Provence onde residia o
seu irmão que era prefeito da
cidade, obtendo ótimos resultados,
utilizou técnicas e conhecimentos
que anteciparam em 300 anos as descobertas
de Pasteur. Associando a transmissão
da peste a microrganismos, desinfetou
ruas e casas, queimou os mortos e suas
roupas, além de desenvolver medicamentos
de animais e vegetais. Casou-se com
Anne Posard uma viúva de 27 anos
e tiveram seis filhos. Trabalhava durante
o dia como médico e durante as
noites escrevia as suas professias.
Ensinou sua mulher e cunhada a fazerem
perfumes que ficaram famosos.
Publicou a primeira edição
das Centurias em 1555 e a previsão
que o tornou famoso, o anúncio
da morte do rei da França Henrique
II em um duelo a cavalo, que se concretizou
três anos depois. Conquistou a
admiração da rainha Catarina
de Médicis esposa de Enrique
II, obtendo assim sua proteção,
conseguindo escapar da inquisição.
NEWTON
Isaac Newton (1642-1727). Físico
e matemático Inglês, um
dos maiores gênios de todos os
tempos. Nasceu prematuramente, já
órfão de pai, no ano de
1642.
Desde cedo demonstrou ser dono de uma
inteligência prodigiosa, tal a
facilidade com que resolvia problemas
e criava engenhos. Aos doze anos, entrou
para a escola pública. Entretanto,
por decisão de sua mãe,
foi posto a trabalhar como lavrador.
Mas, Newton era um obstinado por seus
livros e por fim, foi-lhe dado um voto
de confiança, sendo permitida
a volta aos estudos, prosseguindo no
Trinity College em Cambridge. Formou-se
e graças a seus estudos vitoriosos
sobre a natureza da luz branca (que
descobriu ser a combinação
de todas as cores do espectro), foi
eleito membro da Real Academia Britânica
de Ciências. Aos vinte e sete
anos foi eleito Professor Titular de
Matemática da Universidade de
Cambridge. Por essa época elaborou
o cálculo infinitesimal. Algum
tempo depois, Newton formulou sua explicação
para o universo, baseada na atração
da matéria, mas, relutou durante
muito tempo em publicar suas idéias.
Finalmente foi convencido pelos amigos
a expor ao mundo a beleza e a precisão
de sua teoria, publicando então
sua obra Philosophiae Naturalis Principia
Mathematica.
Após a publicação
dos Principia - que permaneceu incompreensível
e rejeitado pelos cientistas de sua
geração -, Newton entrou
para a política. Foi nomeado,
por influência de amigos da côrte,
Superintendente da Casa da Moeda. O
grande cérebro do físico
e matemático subjugava-se a um
simples trabalho burocrático,
o que lhe valeu um papel de ridículo
na sociedade.
Em uma carta que escreveu em 1676, Newton
relata: "Existem outros segredos
além da transmutação
dos metais, e os grandes mestres são
os únicos a compreendê-los".
Newton era um iniciado, que acreditava
que a Alquimia deveria permanecer secreta
e por isso nunca publicou os resultados
de seus experimentos alquímicos,
apesar de possivelmente ter obtido êxito
em alguns deles. Por este motivo este
lado de Newton é pouco conhecido,
porém toda a sua obra foi gerada
a partir destes conhecimentos, ele dava
uma interpretação materialista
ao esoterismo, tanto, que em um de seus
livros, seus opositores afirmavam que
as forças de Newton eram forças
ocultas. Na realidade, estas forças
eram muito semelhantes as tradições
herméticas.
Em 1940, Dobbs estudou os inúmeros
manuscritos alquímicos escritos
por Newton e escreveu um livro intitulado
"Os Fundamentos da Alquimia de
Newton". Newton buscava na Alquimia
encontrar a estrutura do microcosmo.
Apesar de seus intensos estudos sobre
o assunto, que duraram de 1668-1696,
ele não conseguiu explicar as
forças que governam os corpos
pequenos.
Newton consumiu seus dias numa velhice
tranqüila, distante de polêmicas
ou disputas. Queria apenas a tranqüilidade
das horas passadas em seu solar, meditando
acerca das obras alquímicas.
Faleceu a 28 de março de 1727.
NICOLAU
FLAMEL
Consta que teve um estranho sonho.«Viu
um livro revestido de uma capa de cobre
e cujas folhas, que pareciam ser feitas
de cascas finas, ornadas de magníficas
ilustrações. O anjo que
em sonhos lho apresentou disse: olha
bem este livro; parecer-te-á
obscuro como a todo o mundo, mas um
dia verás aquilo que é
preciso ver e saberás o que ninguém
sabe...Adormecido, estendeu a mão
para receber o livro mas o sonho desfez-se
e acordou subitamente.»
Este livro mostrado em sonhos a Flamel,
ele o descobrirá na realidade
como descreve no seu Livro das Figuras
Hieroglíficas:
«Eu,
Nicolau Flamel, escrivão e vizinho
de Paris, neste ano de 1399, residindo
na minha casa da Rue des Escrivains,
perto da capela de St. Jacques de la
Boucherie. Ainda que tenha aprendido
só um pouco de latim devido aos
escassos meios dos meus pais, que, apesar
de tudo, eram estimados como gente de
bem....Assim pois, quando depois da
morte de meus pais, ganhava a vida com
a nossa arte da escrita , fazendo inventários,
contas, travando os gastos de tutores
e de menores, veio-me parar às
mão, por dois florins, um livro
dourado muito velho e grande.
Não era de papel nem pergaminho
como os demais, mas de córtices
(assim me pareceu) de tenros arbustos.
A sua capa era de cobre fino, gravado
com letras e figuras estranhas. Creio
que poderiam ser caracteres gregos ou
de outra língua antiga similar,
pois sabia lê-lo e não
eram letras ou ornamentos, já
que dessa percebo um pouco.
No interior, as folhas de córtice
estavam gravadas com grande perfeição
e escritas com buril de ferro, umas
letras latinas coloridas, muito belas
e claras. Continha três vezes
sete folhas; assim estavam numeradas
no alto da folha. A sétima não
continha escrito algum. Em vez disso,
estava pintado, na primeira sétima,
um látego e umas serpentes mordendo-se.
Na segunda sétima, uma cruz com
uma serpente crucificada.»
Lâmina do Livro das Figuras Hieroglíficas
de Nicolau Flamel de Arnauld de la Chevalerie
(1682) representando uma arcada que
Flamel e sua esposa Perrenelle fizeram
construir no cemitério dos Inocentes.
3)
O juramento de um alquimista
Eu
te faço jurar pelos céus,
pela terra, pela luz e pelas trevas;
Eu
te faço jurar pelo fogo, pelo
ar, pela terra e pela água;
Eu
te faço jurar pelo mais alto
dos céus, pelas profundezas da
terra e pelo abismo do Tártaro;
Eu
te faço jurar por mercúrio
e por Anubis, pelo rugido do dragão
Kerkoruburus
e
pelo latido do Cão de três
tetas, Cérbero, guardião
do inferno;
Eu
te conjuro pelas três Parcas,
pelas três fúrias e pela
espada
a
não revelar a pessoa alguma nossas
teorias e técnicas.
4)
Conclusão
Após fazer esse trabalho, consegui
ter uma idéia melhor do que foi
e continua sendo a Alquimia, sem ter
aquela visão fragmentada dos
sopradores. Assim, por ser
um assunto que me interessou (e interessa)
muito, me aprofundo cada vez mais no
assunto, tanto que cheguei até
a fazer um curso, o que faz com que
eu possa ser considerada na alquimia
uma iniciante, ainda no nigredo. Espero
que esse nigredo floresça e quem
sabe um dia se torne um albedo.
Escuro
e Nebuloso é o início
de todas as coisas, mas não o
seu fim.
Kalil Gibran Kalil