Nascida
a 10 de novembro de
1833, da cidade de
Sevilha, Espanha,
e desencarnada a 29
de abril de 1909.
Foi
figura de grande destaque
no seio do Espiritismo
espanhol, tendo a
sua fama ultrapassado
mesmo as fronteiras
da península
ibérica, para
atingir os países
americanos de fala
castelhana. No Brasil
ela tornou-se muito
conhecida pela sua
obra As memórias
do Padre Germano,
verdadeiro repositório
de ensinamentos dos
mais vivificantes.
Amália
não nasceu
num lar risonho e
sua vida foi entrecortada
de dores físicas
e morais, entretanto,
ela tudo suportou
com estoicismo, pois
somente os Espíritos
fortes sabem vencer
os obstáculos,
compreendendo que
as tribulações
da vida terrena são
imperativos da lei
divina, impostos aos
homens pelas suas
transgressões
cometidas em vidas
pretéritas.
As adversidades que
ela deparou pelo caminho
nunca constituíram
entraves à
sua persistente luta,
no sentido de projetar
os ensinamentos da
Doutrina Espírita
na Espanha do século
passado. Através
de sua luta conseguiu
também elevar
bem alto o conceito
da mulher no campo
da divulgação.
Com
a idade de dez anos,
começou a escrever;
aos dezoito já
dava à publicidade
as suas poesias. No
propósito de
melhor poder difundir
os seus escritos,
transferiu-se para
Madri. Na Capital
espanhola, trabalhou
de forma tão
intensa que ficou
completamente cega.
Debalde
procurou consolo no
seio das religiões
tradicionais. Os dogmas
não a satisfaziam.
Os conceitos da vida
no além-túmulo,
apregoados por essas
religiões,
não preenchiam
o imenso vácuo
que existia em sua
alma.
Um
dia, porém,
através do
periódico El
Critério,
editado pela Federação
Espírita Espanhola,
tomou conhecimento
do Espiritismo. Dali
por diante os seus
escritos, que apenas
expressavam amargura,
passaram a constituir
uma fonte de consolação.
Havia compreendido,
afinal, que os sofrimentos
experimentados nesta
vida, são heranças
de faltas cometidas
em vidas pretéritas,
e que, embora muitas
pessoas tenham diante
de si horizontes sombrios,
devem-se compenetrar
que Deus é
Pai de misericórdia
e de amor, sempre
pronto a conceder
benesses de luz e
dar sustentação
às almas alquebrantes.
Passou Amália
a compreender que
o Evangelho de Jesus
é, na realidade,
uma fonte de água
viva que jorra para
a vida eterna.
Os
cognomes de poetisa
das violetas
e cantora do
Espiritismo
lhe foram outorgados,
pois o seu nome projetou-se
de tal forma que ela
se tornou, de direito
e de fato, uma das
mais apreciadas poetisas
de seu tempo.
Animada
de profunda fé
em Jesus Cristo e
nos benfeitores espirituais,
conseguiu um dia recobrar
a visão. Eis
como ela relata esse
importante acontecimento
de sua vida: Bela
manhã, estando
em sua casa sentiu
repentinamente doloroso
e estranho fenômeno:
pareceu-me, disse
ela, que toda minha
cabeça se tinha
enchido de neve, tal
o frio intenso que
senti na mesma. Prestei
atenção
e acreditei ouvir
esta breve palavra:
LUZ... LUZ... LUZ...
para a minha alma
e para os meus olhos;
gritei movida por
inexplicável
impressão:
LUZ necessito, meu
Deus. E sem saber
por que, chorei, não
com amargura desconsolada,
pelo contrário,
aquelas lágrimas
pareciam que davam
vida. Sem dar conta
do que fazia, encaminhei-me
para um espelho, numa
exclamação
de júbilo e
de assombro indescritível
ao ver meus olhos
perfeitamente abertos
como há muito
não os podia
ver, pois que sempre
os tinha com as pálpebras
caídos, o que
me impossibilitava
de ver. Havia chegado
a hora da minha liberdade?
Perguntei em alta
voz; julgando que
alguém pudesse
me responder. Sim,
murmurou uma voz longínqua.
Louca de contentamento
corri para o médico
que me disse: Amália,
graças a Deus,
a partir de amanhã
poderás trabalhar,
porém, sem
excessos.
Podemos
afiançar que
o trabalho de Amália
Domingo Soler no campo
da divulgação
do Espiritismo, foi
de relevante importância,
tendo contribuído
decididamente para
que a Doutrina dos
Espíritos passasse
a desfrutar de enorme
prestígio naquela
nação.
Amália
foi uma mulher singular.
Era um exemplo vivo
de firmeza, de fé
e de amor, na defesa
dos ideais que esposava.
Em novembro de 1878,
desenvolveu ingente
trabalho no sentido
de rebater acusações
que eram lançadas
contra o Espiritismo
pelo cura Manterola,
na A Gazeta
de Catalunha.
Nesse propósito
ela escreveu uma série
de cinqüenta
e dois artigos.
Fonte:
Personagens do Espiritismo.
Antonio de Souza Lucena
e Paulo Godoy
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