Amar
é o verbo que, na linguagem
humana, sintetiza toda a lei divina.
Amar
a Deus, o Criador, sobre todas as
coisas e amar ao próximo como
a nós mesmos,
eis
o ensino de Jesus, colocando o amor
como fonte e objetivo da vida.
Toda
a criação está
impregnada do amor do Criador, embora
nem sempre possamos, nós
homens,
perceber essa realidade que se espalha
por todo o Universo.
Por
isso, na Bíblia, uma das fontes
da sabedoria antiga, está expresso
que "Deus é Amor".
É,
pois, o amor o sentimento mais puro
que reina por toda parte e que aproxima
os seres
de
seu Criador.
O
amor a Deus, na sua forma verdadeira,
dá origem a todas as virtudes
do Espírito, ar-mando-
o
com as forças da Fé
e da Esperança.
O
amor ao próximo é a
ação da caridade sob
múltiplas formas.
Caridade
é, pois, o amor em ação.
Por
isso o dístico do Espiritismo
advertindo que "Fora da caridade
não há
salvação"
(contrapondo-se ao "Fora da Igreja
não há salvação")
é uma verdade
límpida,
desde que se entenda a salvação
como o progresso do ser, a conquista
de
novo estágio evolutivo, proporcional
ao esforço individual na prática
do amor,
e
não uma escolha decorrente
de uma profissão de fé
dentro de uma corrente
religiosa.
A
fraternidade é outra forma
de expressão do amor ao próximo.
Todos
os movimentos altruísticos,
na demanda do bem, religiosos ou não,
quando
se divorciam da fraternidade, tornam-se
inócuos, vazios, inoperantes,
por
lhes faltar a base do amor, da compreensão
e da humildade.
No
nosso Mundo, no Ocidente e no Oriente,
os movimentos religiosos,
nascidos
de princípios superiores sob
a égide do Amor, com o passar
do tempo
e
o correr dos séculos, fragmentaram-se,
enfraqueceram-se e tornaram-se contraditórios
justamente
por falhas dos homens, incapazes de
porem em prática a
compreensão,
a indulgência, o perdão,
resumidos na fraternidade, componentes
do
amor ao próximo da lei divina.
O
resultado foi a divisão, a
intolerância, os conflitos e
as guerras no seio do
catolicismo,
do protestantismo, do islamismo, do
hinduísmo, do budismo, além
de
conflitos entre eles.
As
incompreensões se alongaram
até a atualidade, com acusações
mutuas
entre
grupos e pessoas, levando à
divisão.
O
perdão, componente da caridade,
não seria muito mais lógico
entre os
que
cultivam uma religião que,
por princípio, busca o bem?
São
lições que a História
coloca ao alcance de todos, a indicar
a profunda
contradição
entre os elevados princípios
do amor ao próximo, da fraternidade
necessária,
oriundos da lei divina, e a prática
dos homens, imbuídos de orgulho,
de
egoísmo, de intolerância
e de fanatismo.
São
experiências dolorosas que ao
Movimento Espírita cumpre anotar,
para
não
incidir nos mesmos erros históricos.
Não
basta ao espírita verdadeiro
o conhecimento teórico da Doutrina
Consoladora,
com
o aprofundamento intelectual em seus
princípios.
É
necessário o cultivo do essencial,
dos sentimentos fraternais nas fileiras
do
Movimento, em consonância com
a Doutrina, e não das idiossincrasias
de
cada
um de nós, que carregamos ainda
muita pretensão, personalismo
e intolerância,
manifestações
de orgulho que não percebemos.
Não
foi sem razão que o Codificador,
com seu bom-senso e visão do
futuro,
sintetizou
os deveres do espírita sincero
na atuação dentro do
Movimento no
lema
Trabalho, Solidariedade, Tolerância
verdadeira diretriz que, aceita
e seguida
por
todos, evitaria muitos desvios, implicâncias
e intolerâncias nas Casas
e
na Imprensa Espíritas.
Todos
aspiram a um mundo melhor. A Doutrina
Espírita é o grande
manancial
em
que o adepto sincero encontra a orientação
segura para sua vivência.
Resta-lhe
oferecer o testemunho individual de
que compreendeu as finalidades
da
Nova Revelação, aperfeiçoando-se
no trabalho que realiza e não
oferecendo
a
comprovação de que permanece
no orgulho e no personalismo incompatíveis
com
a renovação íntima.
Há
pessoas inclinadas ao bem, inclusive
nas fileiras do Espiritismo, que
têm
dificuldade em praticar a lei de adoração
a Deus, justamente porque lhes
falta
uma representação exterior
do Criador.
Amar
a Deus é praticar suas leis
eternas, entre as quais as do Amor
e da
Justiça
sintetizam todas as outras.
Amá-lO
é dirigir-Lhe o pensamento
agradecido, pleno de sentimento e
de
entendimento
com as forças de que cada um
é capaz, amando o outro, nosso
próximo,
e toda a criação, manifestação
dEle.
O
cultivo sincero desse Amor ao Deus
Único prescinde dos sacrifícios
e
holocaustos.
É a adoração
em espírito, dispensando os
cultos exteriores.
Esse
amor sincero conduz à pratica
da fraternidade e da solidariedade
aos
nossos
semelhantes, de quaisquer condições,
raças e etnias, que caracterizará
a
religião do futuro, em um mundo
regenerado.
Jesus
referiu-se, em ocasiões diversas,
ao Pai como o Deus único, ratificando
o
que a lei antiga prescrevia aos israelitas:
"Ouve, Israel: o Senhor Teu
Deus
é o único Deus"
(Deuteronômio, 6:4).
Para
nós, espíritas, não
há dúvida sobre a personalidade
de Jesus, filho de
Deus
como Ele mesmo o declara, e não
o próprio Deus, como ensinam
as Igrejas
denominadas
cristãs.
Essa
diferenciação entre
o Deus único, universal, Criador
de todas as coe-las,
e
seu Enviado à Terra, Jesus,
o Governador Espiritual deste orbe,
é de suma
importância
para o cumprimento da lei divina do
amor.
É
o próprio Mestre que ressalta
essa diferenciação,
mostrando a necessidade
do
amor ao Pai e a caridade, amor em
ação para com o próximo
como as
condições
para alcançar o reino dos céus,
ou seja, o progresso, a evolução
espiritual.
Amar
a Deus é reconhecer a causa
da vida, que se manifesta por toda
parte,
em todo o Universo.
Esse
amor inspira a gratidão, a
submissão e o respeito à
vontade do Cria-dor,
expressos
em suas leis.
A
vontade manifesta de amar a Deus inspira
o homem a melhorar-se espiritualmente,
procurando
progredir moral e intelectualmente.
Na
atualidade, a Terceira Revelação
veio trazer à Humanidade o
conheci-
mento
de verdades que facilitam a aproximação
do homem com as leis divinas,
recordando
os ensinos do Cristo, dando-lhes a
interpretação correta,
retificando
os
desvios ocorridos através dos
séculos e revelando novas verdades
consentâneas
com
os novos tempos e com o progresso
realizado.
Com
o progresso intelectual, o homem desenvolveu
os conhecimentos científicos,
descobrindo
leis que regem a matéria, retificando
os desvios. Aplicam-no
os
novos conhecimentos à tecnologia,
multiplicou a produção,
facilitou o trabalho
nas
suas múltiplas formas e melhorou
a saúde das populações.
A vida
material
tornou-se melhor.
Agora,
torna-se preciso estancar mais o egoísmo
e o orgulho, pela prática
do
amor, proscrevendo-se definitivamente
as guerras e os conflitos entre nações
e
grupos étnicos, terminando
com a miséria física
e moral de populações
espalhadas
pelo
mundo e intensificando-se a educação
integral, ao lado da instrução
de
todos os níveis, para que a
população mundial, em
contínuo crescimento,
alcance
novo estágio de conhecimentos
e de sentimentos.
Esse
o grande desafio dos novos tempos
de preparo da Humanidade para
um
mundo regenerado, que se caracterizará
pelo amor e pela justiça, na
prática
da
fraternidade, da liberdade no seu
sentido verdadeiro, e da igualdade
de trata-mento
para
todos.
Nesse
mundo do futuro, que caberá
aos próprios homens construir,
amar
será
a lei para todos.
JUVANIR
BORGES DE SOUZA