|

Alguns
tinham nomes como
Matador de seus Inimigos
e acompanhavam o faraó
à batalha. Milhares
foram caçados num
ritual de bravura
e força.
Mas apenas um, ao
que parece, serviu
como guardião eterno.
Um arqueólogo francês
anunciou que a primeira
descoberta de um leão
preservado numa tumba
do Egito antigo demonstra
a reputação que gozava
o rei dos animais
há 3.000 anos.
“Isto confirma o status
do leão como um animal
sagrado”, disse Alain
Zivie num artigo da
revista Nature que
circula hoje (15/01).
A equipe de Zivie
descobriu os restos
mumificados do leão
em 2001, quando escavava
a tumba de Maia, ama-de-leite
de Tutankamon, o faraó
menino conhecido entre
visitantes de museus
por suas opulentas
relíquias funerárias
de ouro. Ele governou
por 10 anos e morreu
em cerca de 1323 A.C..
As tumbas associadas
à de Tutankamon estão
localizadas no sul
do Cairo, no sítio
do cemitério Saggara,
que sobe pelo Rio
Nilo a partir de Mênfis,
antiga primeira capital
do Egito. Zivie encontrou
a emerada tumba de
Maia em 1996.
Inscrições em egípcio
antigo mencionam a
criação e enterro
de leões, mas nenhuma
ossada de leão jamais
foi havia sido achada,
disse Zivie.
O esqueleto completo
e intocado do leão
foi encontrado numa
área da tumba dedicada
à deusa gata Bastet,
que também contém
vastas quantidades
de ossos humanos e
animais, incluindo
os de muitos gatos.
Os
ossos do leão não
foram envolvidos em
bandagens como nas
múmias humanas. Mas
a posição dos ossos,
sua coloração e os
depósitos minerais
na superfície são
similares a de outros
gatos mumificados
descobertos em Saggara.
Zivie disse que as
condições dos ossos
e dentes sugerem que
o leão viveu até uma
idade avançada e foi
mantido em cativeiro.
Não se acredita que
o leão tenha pertencido
a Maia, mas que tenha
sido colocado na tumba
muito depois. Ele
deve ter sido considerado
uma encarnação do
deus Mahes, o filho
de Bastet, disse Zivie.
Um egiptologista não
ligado à descoberta
disse que ela é uma
importante adição
ao conhecimento dos
rituais antigos.
Os arqueólogos já
haviam encontrado,
antes, vastos cemitérios
de macacos, ibis,
peixes, gatos, cães
e crocodilos. Mumificar
um animal grande como
um leão deve ter sido
um trabalho elaborado
e caro.
“Este não era um velho
leão, mas um leão
importante”, disse
Emily Teeter, egiptologista
da Universidade de
Chicago. .
Mas para outros pesquisadores,
a descoberta de Zivie
não é tão clara assim.
Robert Pickering,
antropólogo legista
do Buffalo Bob Historical
Center, em Cody, Wyomming,
não acha que o leão
tenha realmente passado
por um processo de
mumificação, dada
a ausência de faixas
de linho e tecidos
leves para preservação.
“Parece que ele recebeu
um tratamento diferente
dos outros animais
que eram enterrados
como parte do ritual”,
disse. “Talvez o leão
tenha tido importância
como animal de estimação
e não como a representação
de um deus. O contexto
não combina.”
Caçadores exterminaram
quase totalmente a
população regional
de leões por volta
de 1100 A.C. Obras
de arte comemorativas
falam de como o faraó
Amenhotep III matou
mais de 100 durante
uma única caçada.
Ramsés, o Grande,
entretanto, tinha
um de estimação, chamado
Matador de Seus Inimigos,
lembrou Teeter.
mensageirosdoceu.net
- 2004 - 2011 - Todos
os Direitos Reservados.
|