A
árvore generosa eleva-se à
beira da estrada.
Os viajantes que passam famintos e
exaustos buscam-lhe os frutos.
E, no desvario de suas necessidades,
atiram-lhe pedras.
Espancam-na com varas. Sacodem-lhe
os galhos.
Quebram-lhe as grimpas. Talham-lhe
as folhas. Sufocam-lhe as flores.
esmagam-lhe os brotos tenros. Ferem-lhe
o tronco
Mas, a árvore, sem queixa nem
revolta, balouçando os rondes,
doa,
a todos que a maltratam, os frutos
substanciosos e opimos de sua
própria seiva.
Esse é o destino.
Também na estrada da existência
onde você vive, transitam os
viajores
da evolução apresentando
múltiplas exigências
a lhe rogarem auxílio.
E, na loucura de seus caprichos, atiram-lhe
pedras de ingratidão.
Espancam-lhe o nome com as varas da
injúria.
Sacodem-lhe o coração
a golpes de violência.
Quebram-lhe afeições
preciosas,usando a calúnia.
Talam-lhe os serviços com a
tesoura da incompreensão.
Sufocam-lhe os sonhos nos gases deletérios
da crueldade.
Esmagam-lhe as esperanças com
as pancadas da crítica.
Ferem-lhe os ideais com a lâmina
da ironia.
A todos, porém, sorrindo fraternalmente,
aprenda com a árvore generosa
a
doar os frutos do próprio esforço,
sem revolta e sem queixa.
De
"Bem-aventurados os Simples",
de Waldo Vieira, pelo Espírito
Valérium