Famosos
desde os tempos antigos pela crueldade
e pelo talento guerreiro, os assírios
também se destacaram pela habilidade
na construção de grandes
cidades e edifícios monumentais,
como atestam as ruínas encontradas
em Nínive, Assur e Nimrud. Estabelecido
no norte da Mesopotâmia, o império
assírio foi uma das civilizações
mais importantes do Oriente Médio.
Os primeiros povoadores conhecidos da
região eram nômades semitas
que começaram a levar vida sedentária
ao longo do IV milênio a.C. Alguns
dados atestam a formação,
a partir do século XIX a.C.,
de um pequeno estado assírio,
que mantinha relações
comerciais com o império Hitita.
No século XV a.C., depois de
longo período de submissão
ao império da Suméria,
o estado assírio, com capital
em Assur, começou a tornar-se
independente e a se estender. Puzur-Assur
III foi o primeiro monarca que, livre
da opressão suméria, empreendeu
a expansão do reino. Graças
ao apogeu comercial, os assírios
puderam lançar-se, sob o reinado
de Shamshi-Adad I (1813-1781 a.C., aproximadamente),
às conquistas que tanta glória
lhes trouxeram. O soberano concentrou
esforços na construção
de um estado centralizado, segundo o
modelo da poderosa Babilônia.
Suas conquistas se estenderam aos vales
médios do Tigre e do Eufrates
e ao norte da Mesopotâmia, mas
foram barradas em Alepo, na Síria.
Morto o rei, seus filhos não
puderam manter o império em virtude
dos constantes ataques de outros povos
e dos desejos de independência
dos súditos. A Assíria
caiu sob o domínio do reino de
Mitani, do qual se libertou em meados
do século XIV a.C. O rei Assur-Ubalit
I (1365-1330) foi considerado pelos
sucessores o fundador do império
assírio, também conhecido
como império médio. Para
consolidar seu poder, estabeleceu relações
com o Egito e interveio nos assuntos
internos da Babilônia, casando
sua filha com o rei desse estado. Depois
de seu reinado, a Assíria atravessou
uma fase de conflitos bélicos
com hititas e babilônios, que
se prolongou até o fim do século
XIII a.C. Quem afinal conseguiu impor-se
foi Salmanasar I (1274-1245), que devolveu
ao estado assírio o poder perdido.
Esse monarca estendeu sua influência
até Urartu (Armênia), apoiado
num exército eficaz que conseguiu
arrebatar da Babilônia suas rotas
e pontos comerciais. Sob o reinado de
Tukulti-Ninurta I (1245-1208), o império
médio alcançou seu máximo
poderio. A mais importante façanha
do período foi a incorporação
da Babilônia, que ficou sob a
administração de governadores
dependentes do rei assírio. Com
as conquistas, o império se estendeu
da Síria ao golfo Pérsico.
Depois da morte desse rei, o poder assírio
decaiu em benefício da Babilônia.
Passado um período de lutas contra
os invasores hurritas e mitânios,
a Assíria ressurgiu, no fim do
século XII a.C., com Tiglate-Pileser
I (1115-1077), que venceu a Babilônia
numa campanha terrivelmente dura. Após
sua morte, a Assíria sofreu o
domínio dos arameus, do qual
não conseguiu libertar-se até
que Adad-Ninari II (911-891) subiu ao
trono. Tukulti-Ninurta II (890-884)
devolveu à Assíria a antiga
grandeza e submeteu a zona de influência
dos arameus, no Eufrates médio.
Sucedeu-lhe Assur-Nasirpal II (883-859),
o mais desumano dos reis assírios,
que pretendeu reconstruir o império
de Tiglate-Pileser I e impôs sua
autoridade com inusitada violência.
Foi o primeiro rei assírio a
utilizar carros de guerra e unidades
de cavalaria combinadas com a infantaria.
Seu filho Salmanasar III (858-824),
conquistador da Síria e do Urartu,
foi igualmente cruel. O último
grande império assírio
iniciou-se com Tiglate-Pileser III (746-727),
que dominou definitivamente a Mesopotâmia.
Sua ambição sem limites
o levou a estender o império
até o reino da Judéia,
a Síria e o Urartu. Salmanasar
IV e Salmanasar V mantiveram o poderio
da Assíria, que anexou a região
da Palestina durante o reinado de Sargão
II (721-705). O filho deste, Senaqueribe
(704-681), teve que enfrentar revoltas
internas, principalmente na Babilônia,
centro religioso do império que
foi arrasado por suas tropas. Asaradão
(680-669) reconstruiu a Babilônia
e atacou o Egito, afinal conquistado
por seu filho Assurbanipal (668-627).
No ano 656, porém, o faraó
Psamético I expulsou os assírios
do Egito e Assurbanipal não quis
reconquistar o país. Com esse
soberano, a Assíria tornou-se
o centro militar e cultural do mundo.
Depois de sua morte, o império
decaiu e nunca mais recuperou o esplendor.
Fruto das múltiplas relações
com outros povos, a civilização
assíria alcançou elevado
grau de desenvolvimento. Entre as preocupações
científicas dos assírios
destacou-se a astronomia: estabeleceram
a posição dos planetas
e das estrelas e estudaram a Lua e seus
movimentos. Na matemática alcançaram
alto nível de conhecimentos,
comparável ao que posteriormente
se verificaria na Grécia clássica.
O espírito militar e guerreiro
dos assírios se reflete em suas
manifestações artísticas,
principalmente nos relevos que decoram
as monumentais construções
arquitetônicas. Representam sobretudo
cenas bélicas e de caça,
em que as figuras de animais ocupam
lugar de destaque, como no relevo "A
leoa ferida". Também cultivaram
a escultura em marfim, na qual foram
grandes mestres, como se constata nos
painéis de Nimrud, que sobreviveram
à madeira dos móveis em
que eram originariamente incrustados.
A religião assíria manteve
as ancestrais tradições
mesopotâmicas, embora tenha sofrido
a introdução de novos
deuses e mitos. A eterna rivalidade
entre assírios e babilônios
chegou à religião com
a disputa pela preponderância
de seus grandes deuses, o assírio
Assur e o babilônio Marduk. O
império assírio sucumbiu
ao ataque combinado de medas e babilônios.
Sob as ruínas de uma esplêndida
civilização, ficou a trágica
lembrança de suas impiedosas
conquistas e da ilimitada ambição
de seus reis.
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