Dinastia
amorrita. O fundador da dinastia real
amorrita foi Sumu-abum, que governou de
1894 a 1881 a.C. Seus sucessores ampliaram
os domínios da Babilônia
mediante uma política de pactos
e alianças com as cidades mais
poderosas e ricas do território.
Na primeira metade do século XVIII
a.C., Hamurabi empreendeu a conquista
da Mesopotâmia e criou o primeiro
império babilônico. O caráter
desse rei, conforme documentos que chegaram
até nós, mostra traços
de um homem astuto, prudente, diplomático,
alheio a impulsos passionais e, fundamentalmente,
grande conhecedor de sua época.
Político hábil, Hamurabi
conseguiu consolidar seu estado, alternando
conquistas militares com reformas legislativas
internas.
Quando Hamurabi subiu ao trono, o reino
babilônico limitava-se a noroeste
com a Assíria, ao norte com a região
de Eshnuna e a leste e sudeste com os
domínios de Larsa. O monarca tornou
a Babilônia potência hegemônica
da Mesopotâmia. Aproveitando a morte
de seu inimigo assírio Shamsi Adad
I, enfrentou e venceu o rei de Larsa,
Rim-Sin, arrebatando seus domínios.
Depois combateu encarniçadamente
e derrotou uma coalizão de povos
e cidades (elamitas, assírios,
gutis). Dessa forma a Mesopotâmia
tornou-se submissa ao poder babilônico
e Hamurabi reuniu sob sua autoridade toda
a região compreendida entre o golfo
Pérsico e o rio Habur. Estadista
inteligente e civilizado, não se
impôs de modo arbitrário
ou violento, conservando os monarcas derrotados,
na qualidade de vassalos, em seus respectivos
tronos.
Hamurabi foi o primeiro legislador conhecido
da história. Deu impulso à
organização judicial e ao
trabalho legislativo. O famoso Código
de Hamurabi, baseado na lei de talião,
indica a preocupação do
monarca em estender o direito sumério
a todos os povos que habitavam os territórios
do império.
Com a morte de Hamurabi, a unidade mesopotâmica
desapareceu. Seu filho Samsu-iluna combateu
as sublevações de Elam,
Suméria e Assur e enfrentou as
invasões de povos como os hurrianos
e os cassitas. Estes últimos, repelidos
depois de uma primeira tentativa de colonização,
penetraram depois lentamente em território
babilônico.
Apesar dos denodados esforços de
Samsu-iluna para manter o império
do pai, a unidade política se desintegrou.
Alguns de seus descendentes, como Ammiditana
e Amisaduqa, conseguiram esporádicas
vitórias sobre as cidades rivais,
mas com Samsuditana o poderio babilônico
decaiu por completo. Apesar disso, a cidade
continuou sendo um centro cultural, artístico
e comercial de primeira ordem, para onde
acorriam viajantes e peregrinos de todo
o Oriente Médio.
Em 1595, o rei hitita Mursilis I atacou
a Babilônia. A cidade foi arrasada
e incendiada e seu rei, o último
da dinastia amorrita, morreu na luta.
Dinastia cassita. No início do
século XVI a.C., os cassitas, procedentes
dos montes Zagros, ocuparam a Babilônia
e introduziram o cavalo e o carro como
armas de guerra. Não conheciam
a escrita mas aceitaram e assimilaram
a superior cultura babilônica. Agum
II soergueu o estado. Conquistou Eshnuna,
dominou Assur, submeteu os gutis e estendeu
seu poder do Eufrates à cordilheira
dos Zagros. Seus descendentes consolidaram
o reino no terreno econômico, graças
ao comércio, embora no aspecto
político a Babilônia se tenha
conservado apenas como mais um estado
dentro do universo mesopotâmico.
A partir da segunda metade do século
XIV a.C., os assírios começaram
a intervir na política interna
da Babilônia, atraídos por
sua prosperidade. Depois do reinado de
Burnaburiash II, que conseguiu manter
a estabilidade política na cidade,
as relações com a Assíria
começaram a deteriorar-se. O rei
assírio Salmanasar I iniciou uma
política expansionista e, ao norte
da Babilônia, os hititas também
pretenderam imiscuir-se nos assuntos internos
do império. Sob o reinado de Kashtiliash,
a paz, que já durava três
séculos, foi interrompida pela
invasão de Tukulti Ninurta I, em
1234 a.C., que arrasou a próspera
cidade, destruiu seus templos e palácios
e prendeu seu rei.
Crises no império assírio
-- assassinato de Tukulti Ninurta I --,
e no reino hitita -- agressões
externas -- deram ao rei babilônico
Adad-shun-natsir a oportunidade para reconstruir
seu maltratado império e submeter
o estado assírio. Depois de um
período de paz, em que Meli-Shipak
devolveu a prosperidade à Babilônia,
os elamitas invadiram e saquearam a cidade,
em 1153 a.C, levando para Susa a famosa
pedra do Código de Hamurabi.
O novo império babilônico.
O fim do período cassita anunciou
uma época obscura para a Babilônia,
dominada sucessivamente por elamitas e
assírios até o século
VII a.C., quando os caldeus ascenderam
ao poder. O fundador da dinastia caldéia
foi Nabopolassar (reinou de 626 a 605),
que, inspirado pelos deuses locais, Marduk
e Nabu, empreendeu uma política
expansionista orientada para a recuperação
do antigo poderio da Babilônia.
Nabopolassar, auxiliado pelo rei meda
Ciaxares, moveu uma campanha contra Assur,
que pretendia dominar o território
mesopotâmico. Depois da vitória,
os dois monarcas partilharam as terras
conquistadas, e a Babilônia pôde
reconstruir seu antigo império.
Em seguida, Nabopolassar ordenou a conquista
da Síria a seu filho Nabucodonosor,
que, depois de cruzar rapidamente o Eufrates,
destruiu Carchemish, conseguindo para
a Babilônia a maior parte da Síria
e da Palestina, anteriormente em poder
dos egípcios.
Após a morte do pai (605 a.C.),
Nabucodonosor II assumiu o trono. Durante
seu reinado (604-562), empreendeu várias
campanhas militares que lhe renderam avultados
butins e glória pessoal. Uma sublevação
do reino de Judá obrigou-o a manter
uma guerra cruenta que durou de 598 a
587 a.C., ano em que destruiu Jerusalém
e deportou milhares de judeus (o "cativeiro
da Babilônia" mencionado no
Antigo Testamento).
Nos anos seguintes, Nabucodonosor promoveu
um intenso trabalho de reconstrução,
reparando as cidades devastadas pela guerra.
Com sua morte (562), sucederam-se as lutas
internas pelo trono. Nabonido conseguiu
o poder em 555 e governou até 539,
mas, como não era de estirpe real,
encontrou férrea oposição
entre os sacerdotes de Marduk e alguns
comerciantes ricos, que lideraram uma
sublevação, com o apoio
do rei persa Ciro II. Derrotado e prisioneiro
dos persas, Nabonido foi, no entanto,
tratado com moderação por
Ciro, que lhe concedeu o cargo de governador
de uma região da Pérsia.
Decadência. A queda da Babilônia
em 539 a.C. e sua incorporação
ao império persa acarretou o fim
da Mesopotâmia como região
histórica independente.
Sob o domínio dos persas aquemênidas,
a cidade manteve seu esplendor. Em 522
a.C., Dario I sufocou uma revolta popular;
mais tarde, Xerxes reprimiu outra insurreição
e ordenou a destruição da
estátua de Marduk, símbolo
religioso da Babilônia. Alexandre
o Grande a conquistou em 331 a.C. e, depois
de reconstruir alguns de seus monumentos,
morreu no palácio de Nabucodonosor,
quando voltava da Índia. Durante
a época selêucida, a cidade
decaiu rapidamente, até desaparecer.
Cultura e sociedade. Os babilônios
estenderam seus conhecimentos a todos
os ramos do saber, mas se destacaram principalmente
pelas grandes descobertas matemáticas
e astronômicas. Também cultivaram
as artes e as letras com singular mestria.
A epopéia de Gilgamesh, obra-prima
da literatura babilônica, é
um poema cujas primeiras compilações
remontam a 2500 a.C.; misto de epopéia
e alegoria, seus personagens principais
são Enkidu e Gilgamesh. O primeiro
representa a passagem do estado natural
ao civilizado, enquanto Gilgamesh simboliza
o herói que busca a imortalidade.
O dilúvio universal também
aparece mencionado nesse poema, quando
Gilgamesh encontra Utnapishtim, o Noé
babilônico, que lhe descreve a técnica
de fabricação da nave que,
a conselho de Ea, construiu para salvar-se
do cataclismo. Outro poema épico
conhecido é o Enuma elish (Quando
no alto...), que trata da origem do mundo.
A religião babilônica compreendia
um grande número de deuses que,
venerados nos templos, em muitos casos
se assemelhavam aos homens. Para os babilônios,
o homem foi criado por Marduk, a sua imagem,
com barro e seu próprio sangue.
O templo era a morada da divindade, enquanto
o zigurate (torre) era o lugar destinado
ao culto. Cada templo era administrado
pelo sumo sacerdote, que, ajudado por
sacerdotes menores, magos, adivinhos e
cantores, devia prestar contas ao rei,
representante do deus Marduk.
A sociedade babilônica tinha estrutura
piramidal, com o rei, vicário (substituto)
da divindade, no topo. O poder e as riquezas
do soberano tornavam-no um homem respeitado
e temido. Os funcionários reais,
os sacerdotes e os grandes proprietários
constituíam o suporte do monarca
e formavam a categoria superior dos homens
livres. Os escravos eram adquiridos por
compra ou como resultado de butim de guerra.
Numa terceira categoria social estavam
os cidadãos humildes, cuja falta
de recursos lhes impedia o acesso às
categorias superiores, embora fossem livres.
O homem livre podia possuir bens, terras
ou dedicar-se à indústria
ou ao comércio. Sua condição
lhe permitia pertencer ao conselho da
cidade, embora pudesse cair na escravidão
se não pagasse no prazo devido
as dívidas contraídas.
A família era monogâmica
e a instituição matrimonial
se regia por um contrato, realizado pelo
marido diante de testemunhas, no qual
se estabeleciam os direitos e obrigações
da esposa. O chefe de família exercia
a autoridade e dispunha de total independência
no manejo dos bens. Todas essas normas,
contidas no código legislativo
de Hamurabi, consolidaram a sociedade
de forma estável e duradoura.
Com o fim da próspera civilização
babilônica, a Mesopotâmia
deixou de ser terra de grandes impérios
e converteu-se em objeto de conquistas
das novas potências do mundo antigo.
Sua cultura exemplar e sua organização
legal são comparáveis ao
brilho mais tarde alcançado por
Atenas e Roma.
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