Não
é privilégio da Inquisição
o pavor e a perseguição
das pessoas acusadas de "bruxaria":
Na Vila de Salem, uma Colônia
da Baía de Massachustts (New
England), onde hoje é a cidade
de Danvers, famoso ficou o julgamento
e a condenação à
morte de várias pessoas acusadas
de feitiçaria.
Em
janeiro de 1692, Elizabeth Parris de
nove anos e Abigail Willams de onze,
começaram a exibir comportamento
estranho, como blasfêmias, gritos,
ataques apoplécticos convulsivos,
estados de transe etc. Logo outras meninas
de Salem começaram a demonstrar
comportamento semelhante e, incapazes
de determinar qualquer causa física
para os sintomas e comportamentos, os
médicos concluíram que
as meninas estavam sob influência
de Satanás.
Orações
e jejuns comunitários foram organizados
pelo Reverendo Samuel Parris, pai de
Betty e tio de Abigail Willians. Para
descobrir a identidade das bruxas, Jonh,
um índio, assou um bolo feito
com centeio e urina das garotas enfeitiçadas
e, pressionadas para identificar a fonte
de suas aflições, as meninas
nomearam três mulheres, inclusive
Tituba, índia escrava do Reverendo
Parris, além de Sarah Good e
Sarah Osborne.
Embora
Osborne e Good tenham alegado inocência,
Tituba confessou ter visto o Diabo,
o qual aparecia para ela "as vezes
como um porco e as vezes como um grande
cachorro", tendo ainda Tituba testemunhado
que havia uma conspiração
de bruxas em Salem.
Em
1º de março, os magistrados
John Hathorne e Jonathan Corwin examinaram
Tituba e as outras duas mulheres na
casa de reuniões de Salem. Tituba
confessou a feitiçaria praticante.
Nas semanas seguintes outras pessoas
da cidade testemunharam que eles tinham
sido prejudicados pelas bruxarias e,
tendo continuado a caça às
bruxas, foram feitas acusações
contra diversas pessoas, principalmente
mulheres cujo comportamento estava perturbando
de alguma maneira a ordem social e convenções
do tempo. Alguns acusados tinham registros
criminais, inclusive de feitiçaria,
mas outros eram devotos e pessoas consideradas
na comunidade.
Martha
Carey é acusada de feitiçaria
em 12 de março. A enfermeira
Rebecca é denunciada em 19 de
março. Martha Carey foi examinada
pelos magistrados em 21 de março
e Rebecca em 24 de março. E seguiram-se
várias acusações
e exames dos supostos feiticeiros.
Abigail
Hobbs, Bridget Bishop, Giles Corey,
e Mary Warren foram examinados em 19
de abril. Só Abigail Hobbs confessou.
Sarah
Osborne morreu na prisão de Boston
em 10 de maio.
Em
27 de maio o recém chegado governador,
Sir William Phips, fundou um Tribunal
especial de Oyer e Terminer composto
de sete juízes para julgamento
dos casos de bruxaria. Compuseram o
Tribunal: William Stoughton, Nathaniel
Saltonstall, Bartholomew Gedney, Peter
Sergeant, Samuel Sewall, Wait Still
Winthrop, John Richards, John Hathorne,
and Jonathan Corwin.
Os
julgamentos foram baseados nas confissões,
em atributos sobrenaturais como marcas
etc, e com base nas reações
das meninas atingidas pela bruxaria.
Foi considerado inclusive que o diabo
poderia assumir o aspecto de uma pessoa
inocente.
Em
2 de junho Bridget Bishop foi o primeiro
a ser considerado culpado e condenado
à morte. Nathaniel Saltonstall
abandonou o tribunal insatisfeito com
seus procedimentos. Sendo Bishop enforcado
em Salem em 10 de junho de 1692. Bridget
Bishop: "Eu não sou nenhum
bruxo. Eu sou inocente. Eu não
entendo nada disso".
Exame de uma Bruxa, de T.H. Matteson
1853.
Peabody Essex Museum
Giles
Corey alegou inocência da acusação
de feitiçaria, mas subseqüentemente
recusou levantar-se diante do tribunal.
Esta recusa significou que ele não
podia ser julgado legalmente. Porém,
os examinadores dele escolheram sujeitá-lo
a interrogatório mediante tortura,
colocando pesadas pedras em cima de
seu corpo. Ele sobreviveu a esta brutal
tortura durante dois dias e morreu.
Em
19 de julho Rebecca Nurse, Martha Carey,
Susannah Martin, Elizabeth Howe, Sarah
Good, e Sarah Wildes foram executadas.
A
sentença de Martha Carey, datada
de 10 de junho, informa que: "O
Tribunal de Oyer e Terminer, reunido
na Casa de Reuniões da Aldeia
de Salem, tendo ouvido o testemunho
de diversas pessoas, considerou Carey
culpada do crime de 'heresia', acusada
de ter ajudado e auxiliado bruxas, causado
dores e sofrimentos para sua família
e demais parentes; matado umas quarenta
e cinco aves raras e vários suínos
na Aldeia de Danvers e em suas proximidades;
posto uma 'maldição do
diabo' nas meninas de Parris e em Goody
Laurence, causando muita doença
e miséria; comido vidro quebrado..."
Segue
ordem para o Xerife George Corwin "confinar
Martha Carey na cadeia da prisão
de Salem até 19 de julho de 1692,
ocasião em que, quando o sol
estiver alto, ela será executada.
Dê-lhe um gorro preto e leve-a
segura para a Colina da Execução
em Salem e coloque-a na forca. Ela será
pendurada pelo pescoço até
a morte. Possa Deus perdoar sua alma
má". (Documento que se encontra
no Peabody Essex Museum, juntamente
com outros 551 documentos, todos referentes
aos julgamentos das bruxas de Salem)
Em
19 de agosto, George Jacobs, Martha
Carrier, George Burroughs, John Proctor,
and John Willard foram enforcados.
Margaret
Scott, Mary Easty, Alice Parker, Ann,
Pudeator, Wilmott Redd, Samuel Wardwell,
e Mary Parker foram enforcadas em 22
de setembro.
O
tribunal foi dissolvido pelo Governador
Philips em 29 de outubro, depois de
executadas 20 pessoas.
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