I
Compadece-te
da terra.
Ela
produz o pão que te sustenta.
Não
lhe poluas a grandeza,
Nem
a deixes maltratada.
II
Compadece-te
da mata.
Não
lhe ateies fogo inútil.
Ela
é a fábrica generosa
Do
oxigênio que respiras.
III
Compadece-te
da árvore
Ela
te alimenta com seus frutos
Dos
quais não se serve
E
nunca se aproveita.
IV
Compadece-te
da fonte
Não
lhe atires pedra ou lama.
Ela
te extingue a sede
Sem
nada pedir em troca.
V
Compadece-te
da erva.
Não
lhe pises a vida.
Provavelmente
amanhã
Dela
virá o remédio que te
cure.
VI
Compadece-te
dos animais
Eles
te auxiliam a viver.
A
abelha faz o mel.
A
vaca oferta o leite.
VII
Compadece-te
da lavoura
Que
te enriquece de grãos.
Ela
se arregimenta
A
fim de servir-te.
VIII
Compadece-te
da estrada.
Não
lhe cries obstáculos
Como
sejam pedras ou espinhos.
Ela
é companheira do trânsito
que precisas.
IX
Compadece-te
da própria família,
Ainda
mesmo que encontres junto aos entes
amados
Aqueles
que não se afinam contigo.
A
família é o grupo em
que nascestes para auxiliar a ser
auxiliado.
X
Compadece-te
de tua habitação
Não
a estragues.
Seja
de mármore ou de taipa
É
o recanto que Deus te concedeu para
morar.
XI
Compadece-te
da lâmpada
Na
estrutura de bojo para a luz elétrica,
Na
condição de tocha, lamparina,
lampião ou vela
É
recurso que te livra da escuridão.
XII
Compadece-te
de teu corpo.
Não
faças dele instrumento para
qualquer abuso.
Ele
é o engenho aperfeiçoado
que te serve
Ao
próprio Espírito para
que te aprimores.
XIII
Compadece-te
do jardim.
Não
lhe tolhas as flores sem necessidade.
Elas
te embelezam a casa
E
te perfumam o ambiente.
XIV
Compadece-te
do teu vizinho
Talvez
não te seja amigo íntimo,
No
entanto, conforme a necessidade
Agirá
junto de ti, qual se te fosse um parente
próximo.
XV
Compadece-te
de teu pai.
Se
souberes amá-lo.
Ser-te-á
na Terra o melhor amigo.
Ama-o
sempre. Ele te deu o corpo.
XVI
Compadece-te
de tua mãe.
Ainda
que ela não possa ser como
desejarias,
Ei-la
na condição de valente
heroína
Pelas
dificuldades e obstáculos que
venceu para trazer-te à luz!
XVII
Compadece-te
de teu filho.
Hoje
ele é teu enlevo e tua esperança,
Amanhã
será o fruto de teus ensinos
E
o retrato de teus exemplos.
XVIII
Compadece-te
de tua filha.
Por
traumas de passadas existências
É
possível que ela te dê
problema e preocupação.
Abençoa-lhe
a presença.
Ela
vem de Deus.
XIX
Compadece-te
dos jovens.
Muitos
deles, por inexperiência ou
ingenuidade, poderão entrar
Em
perigosos enganos, reclamando-te paciência
e tolerância.
De
qualquer modo, recorda que a vida
cuidará deles.
Compadece-te
de teus irmãos.
Perante
a Divina Providência, todos
somos irmãos.
Entretanto,
temos aqueles da consangüinidade.
Justo
sabermos viver em paz uns com os outros.
Se
alguns deles, porém, fugirem
à lealdade fraternal, desculpa-lhes
a fraqueza e entrega-os a Deus.
XXI
Compadece-te
da criança.
Seja
ela dessa ou daquela procedência,
Dá-lhe
bondade, instrução e
conforto.
No
futuro, ele será o que lhe
deres.
XXII
Compadece-te
do amigo.
Guarda
profunda estima por aqueles que te
conquistou a amizade.
Em
certo momento ele falhou para contigo;
Perdoa
e esquece. Estamos muito longe da
perfeição.
XXIII
Compadece-te
do doente.
Provavelmente
estará ele impaciente e nervoso.
Auxilia-o
com entendimento e compreensão.
Não
sabes se amanhã serás
o enfermo com necessidades semelhantes.
XXIV
Compadece-te
do estrangeiro.
Ele
estará chegando de terras remotas,
Não
sabe falar em teu idioma, nem te conhece
os costumes.
Lembra-te,
porém, que, diante de Deus,
todos somos irmãos.
XXV
Compadece-te
dos idosos.
Auxilia
aos idosos, sejam teus parentes ou
não.
Eles
fizeram longa jornada no tempo
A
fim de fazerem as experiências
Das
quais te aproveitas.
XXVI
Compadece-te
do chefe
Quem
te mantém o trabalho para que
não falte o pão de cada
dia.
Espera
a tua lealdade e o teu respeito.
Ainda
mesmo quando errado merece a tua estima
e consideração.
XXVII
Compadece-te
do empregado.
Não
lhe sobrecarregues com cargas e encargos
superiores às suas forças.
Trata-o
com atenção e dá-lhe
instruções com bondade.
Ele
te pede trabalho sem escravidão.
XXVIII
Compadece-te
dos errados.
Guarda
a certeza de que Deus te permite errar
A
fim de que reconheças a tua
fraqueza e imperfeição.
Nem
todos os errados possuem consciência
do que fazem.
Lembra-te
dos momentos em que te desequilibras
sem querer.
XXIX
Compadece-te
dos bons.
Auxilia-os
para que prossigam fiéis a
eles mesmos.
Na
comunidade humana não existem
criaturas infalíveis.
Somente
Jesus Cristo e alguns raros heróis
da fé viveram sem cair.
XXX
Compadece-te
dos maus.
Na
Terra não existem os totalmente
bons, nem os totalmente maus.
Os
maus são vítimas de
delírios, cuja origem eles
próprios desconhecem.
Ante
as faltas de qualquer delinqüente,
seja ele quem for, compadece-te.
Emmanuel
- Chico Xavier