Teríamos
sido, porventura, situados na gleba
do mundo para fugir de colaborar no
progresso do mundo, quando o mundo
nos provê com tôdas as
possibilidades necessárias
ao progresso de nós mesmos?
Muitos
companheiros se marginalizam em descanso
indébito, junto à seara,
alegando que não suportam os
chamados problemas intermináveis
do mundo; desejariam a estabilidade
e a harmonia por fora, a fim de se
mostrarem satisfeitos na Terra, quando
a harmonia e a estabilidade devem
morar por dentro de nós, de
modo a que nossos encargos, à
frente do próximo, se façam
corretamente cumpridos.
O
mundo, em todo tempo, é uma
casa em reforma, com a lei da mudança
a lhe presidir todos os movimentos,
através de metamorfoses e dificuldades
educativas.
O
progresso é um caminho que
avança. Daí, o imperativo
de contarmos com oposições
e obstáculos tôda vez
que nos engajemos na edificação
da felicidade geral.
Omissão,
no entanto, é parada significando
recuo.
Entendamo-nos
na posição de obreiros,
sob a pressão de crises renovadoras.
Todos
faceamos permanente renovação,
a cada passo da vida.
Nem
tudo que tínhamos ontem por
certo, nos quadros exteriores da experiência,
continua como sendo certo nas horas
de hoje. Os ideais e objetivos prosseguem
os mesmos, a nos definirem aspiração
e trabalho; entretanto, modificaram-se
instrumentos e condições,
estruturas e circunstâncias.
A
Terra, porém, nos pede cooperação
no levantamento do bem de todos e
a ordem não é deserção
e sim adaptação. Em
suma, estamos chamados à vivência
no mundo, a fim de compreendermos
e melhorarmos a vida em nós
e em tôrno de nós, servindo
ao mundo, sem deixarmos de ser nós
mesmos, e buscando a frente, mas sem
perder o passo de nossos contemporâneos,
para que não venhamos a correr
o risco de seguir para frente demais.
Xavier, Francisco Cândido. Da
obra: Rumo Certo.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
5a edição. Rio de Janeiro,
RJ: FEB, 1991.