Ninguém
responderá pelo que viu ou
deixou de ver na Terra, em torno da
doutrina.
Mas ninguém se eximirá
das responsabilidades pessoais diante
da maneira em que se exercitou no
convívio social.
Ninguém
será molestado simplesmente
pelo que falou ou deixou de falar
nos círculos de convivência
humana.
Mas ninguém se desculpará
do modo em que correspondeu às
necessidades dos companheiros de jornada.
Ninguém
será rejeitado pelo pouco que
conseguiu saber no setor da inteligência.
Mas ninguém se escusará
pela ingratidão que praticou
ao companheiro que o assistiu em suas
dificuldades.
Ninguém
sofrerá qualquer vexame no
Espaço por ter sido dos últimos
da Terra.
Mas muito chorará, sem os recursos
do consolo, aquele que prejudicou
ou outros na ânsia cega de subir.
Ninguém
será repudiado por ter vivido
para os outros, atendendo aos imperativos
da prática da caridade cristã.
Mas ninguém escapará
à Justiça divina pela
negligência que pôs em
risco a tranqüilidade do vizinho.
Ninguém
se arrependerá, em qualquer
momento, por ter praticado a virtude.
Mas muitos sofrerão, pelo peso
do remorso, por se terem entregue
desenfreadamente aos prazeres das
paixões terrenas.
Ninguém
será perturbado pela tranqüilidade
que conquistou à custa de amor
e serviço.
Mas muitos, por longo tempo, terão
de suportar as conseqüências
desastrosas do ódio que fermentaram
entre os irmãos.
LAURO
MICHIELIN