Carmine
Mirabelli nasceu em
Botucatú, São
Paulo, Brasil, em
2 de janeiro de 1889.
Foi o primeiro filho
do casamento do pastor
protestante italiano
Luigi Mirabelli com
Christina Scaccioto
Mirabelli. Teve uma
irmã, Tereza
Mirabelli Eugenio
(1891 - 1971).
Perdeu
a mãe muito
cedo e se acredita
que isto tenha ajudado
a desenvolver sua
sensibilidade parapsicológica.
Em 22 de fevereiro
de 1914, logo após
a morte de seu pai,
e uma completa ruína
financeira, Mirabelli
ficou doente e uma
extraordinária
paranormalidade floresceu.
O médium costumava
dizer que seu falecido
pai era sua "Estrela
Guia" espiritual.
Não era espírita
(uma forma de espiritualismo),
mas alegava poder
ver os espíritos
dos pais, de um tio,
de sua sogra e de
uma filha.
Mirabelli
estudou no Grupo Escolar
Cardoso de Almeida,
em Botucatú,
no Colégio
São Luiz, em
Itú (SP) e
no Colégio
Cristovam Colombo,
em São Paulo
(SP), mas logo deixou
a escola. Certa vez,
o menino impressionou
muito seus professores
e colegas ao falar
sobre o tema "Evolução
e Involução"
em puro latim, porém
sem conhecer o idioma.
"O
Homem Misterioso"
Em
1916, os jornais de
São Paulo disseminaram
os estranhos feitos
do "Homem Misterioso",
também conhecido
como Carlos ou Carlo
Mirabelli. Em 1914
ele trabalhava para
a Companhia de Calçados
Villaça (Rua
Direita 6-A) quando
foi apanhado de surpresa
por bizarros fenômenos,
semelhantes ao que
conhecemos hoje como
"poltergeists"
("fantasmas barulhentos",
em alemão).
Apenas quando estava
presente, os sapatos
freqüentemente
eram vistos saltando
das prateleiras por
si mesmos ou se movendo
como se fossem animados.
Mirabelli não
compreendia por que
isso acontecia, mas
muitos clientes horrorizados
atribuíam os
fenômenos ao
Diabo.
Mirabelli
foi considerado pela
pessoas como possuído
pelo demônio
e apanhou nas ruas.
Sua casa foi apedrejada
por fanáticos
religiosos.
Foi
internado por 19 dias
no Manicômio
do Juqueri. Foi constatado
pelos Drs. Francisco
Franco da Rocha (1864
- 1933) e Felipe Aché
que tinha uma "energia
nervosa" acima
do normal. Com a ajuda
de ilustres pesquisadores
dos fenômenos
psíquicos,
como o famoso médico
Dr. Alberto de Melo
Seabra (1872 - 1934),
Mirabelli se conscientizou
da importância
de seus raríssimos
dons psíquicos
e decidiu se submeter
a sessões espíritas
experimentais.
Diz-se
que Carmine Mirabelli
podia gerar uma imensa
variedade de fenômenos;
Uma variedade jamais
igualada por nenhum
outro médium.
Acredita-se que muitos
dos seus fenômenos
resultavam de suas
próprias forças
psíquicas,
sem o envolvimento
de entidades espirituais.
Mas é sabido
que também
conhecia alguns ingênuos
truques de prestidigitação.
A
mediunidade de Mirabelli
foi vista em ação
por respeitadas personalidades.
Na foto acima, estava
sendo examinado antes
de uma experiência
pelos médicos
Dr. Charles Niemeyer,
Dr. Alegretti Filho,
o Barão de
Ergonte (um entusiasta
das ciências
psíquicas),
Dr. Silvio de Campos
(advogado), Dr. J.
Motta (advogado e
diretor do jornal
São Paulo),
entre outros. Como
sempre, todas as portas
e janelas do local
foram lacradas e foi
assegurada a melhor
iluminação
possível para
que todos pudessem
observar os fenômenos
em detalhes.
Mirabelli
era um homem comum,
com imperfeições
e qualidades. Era
amado e respeitado
por um imenso contingente
de admiradores, mas
era invejado e odiado
por outros.
Desde
a juventude, era muito
vaidoso e elegante.
Apesar de sua baixa
estatura, era facilmente
identificado entre
aglomerações.
Seus olhos azuis tinham
um olhar hipnótico
que fazia as pessoas
se sentirem como se
estivessem nuas.
Falava
de modo estranho e
incorreto, misturando
um pouco de português,
com italiano e espanhol.
Mas sua modesta educação
não o impediu
de ganhar dinheiro
como comerciante.
Viajou à Europa,
aos EUA e à
África. Muitos
dos seus negócios
resultaram em fracasso,
mas os empreendimentos
exitosos asseguraram
uma vida confortável.
Foi representante
de muitas companhias
farmacêuticas.
Morou
em São Vicente,
Santos, São
Paulo, Rio de Janeiro
e Niterói.
Em todos esses lugares
promoveu sessões
de experiências
científico-espiritualistas
e atividades filantrópicas.
Mirabelli
teve quatro casamentos.
Do primeiro, com a
Sra. Carmem Guerreiro,
teve dois filhos,
Diva Cristina Mirabelli
e Luiz Mirabelli (fotografado
com o pai - acima).
Do segundo, com a
Sra. Edméa
de Paiva Magalhães,
não teve filhos.
Do terceiro, com a
Sra. Maria do Carmo
Pinto Pacca, nasceu
Regene Pacca Mirabelli
e do último,
com a Prof. Amélia
Loureiro, veio à
vida César
Augusto Mirabelli.
Não
era fácil ter
um convívio
diário com
o médium. Sua
constante psicodinâmica
tornava seu temperamento
instável e
o ambiente estava
sempre sujeito a assustadores
incidentes paranormais
que também
o pegavam como alvo.
Sua fama e seus compromissos
o afastavam constantemente
da família.
Mirabelli
tinha diabete. Apreciava
a natureza e gostava
de fumar charutos
e cachimbos.
O
médium foi
preso várias
vezes acusado de exercício
ilegal da medicina,
furto e também
por perseguições
políticas,
mas mesmo na cadeia
fascinava as pessoas
com seus incríveis
fenômenos e
com sua generosidade.
Era muito eloqüente
e comunicativo.
Os
espíritas não
gostavam de Mirabelli,
principalmente porque
em certa fase de sua
vida cobrou por seus
serviços mediúnicos.
O fato dele produzir
fenômenos à
plena luz também
constrangia os demais
médiuns de
efeitos físicos
(materializações,
levitações
etc.), habituados
a trabalhar na escuridão
"para não
dissolver o ectoplasma".
Mirabelli doou muito
dinheiro aos pobres
e carentes.
Acima,
uma rara foto da inauguração
do Centro Espírita
São Luiz, em
São Vicente,
SP, às 15 horas
de sábado,
25 de agosto de 1917.
A instituição
beneficente, foi fundada
no domingo, 12 de
agosto de 1917 e mantida
por Mirabelli.
Em
10 de fevereiro de
1918, o Centro começou
a editar o periódico
Verdade e Luz sob
a direção
do Sr. Ernesto Nobre.
Por
muitos anos, o médium
só conseguia
dormir em quartos
iluminados. Temia
a ocorrência
de fenômenos
desagradáveis
enquanto dormia.
Ao
contrário do
que muitos imaginam,
Mirabelli não
perdeu seus estranhos
dons ao ficar velho
e doente. Temos em
nossos arquivos relatórios
de fenômenos
observados até
1950, poucos meses
antes de sua morte.
Na
segunda-feira, 30
de abril de 1951,
Carmine e seu filho
César Augusto
tinham saído
de casa, que ficava
em São Paulo,
SP, à Rua Antonio
Lourenço 106.
O médium resolveu
atravessar a Av. Nova
Cantareira para comprar
leite, enquanto o
menino ficou conversando
com um engraxate.
Subitamente "um
Ford preto 1938"
segundo as recordações
de César, surgiu
de uma esquina e atropelou
o pai, colocando-o
num permanente estado
de coma. Segundo o
atestado de óbito,
assinado pelo Dr.
Souza Lima e registrado
no Cartório
Jardim Paulista, Mirabelli
teve fratura no crânio
e faleceu no Hospital
das Clínicas
de São Paulo.
O
corpo de Carmine Mirabelli
foi sepultado na tarde
de 1º de maio
de 1951 na humilde
campa 155, da quadra
27, no Cemitério
São Paulo.
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