Muito
antes das civilizações
dos Astecas, Maias e Incas, haviam outras
culturas que povoaram e contribuíram
para as transformações
sociais que aconteceram no continente
americano. Dentre estas culturas, os
Mochicas ou moches, são uma delas.
Eles
se desenvolveram no Peru por volta do
século I e constituíram
um império centralizado nas mãos
de um nobre. Atribui-se a esse povo
a evolução de um sistema
de cultivação de terra
através de engenhosos aquedutos,
o que explicava a grande produção
agrícola. Dentre os alimentos
e plantas cultivados, estavam a batata,
o feijão e o milho, que eram
abundantes nos solos.
Para
locomoverem grandes distâncias,
desenvolveram a atividade do pastoreio,
domesticando lhamas, que também
lhe serviam de alimento. Eles também
eram hábeis pescadores e comiam
bastante peixe e frutos do mar que,
de certa forma, lhe davam vigor para
o trabalho.
Os
mochicas também eram artistas
prodigiosos. Foram pioneiros no uso
de moldes para vasos de barro e nas
reproduções fiéis
aos traços humanos, que serviu
de referência para outras sociedades
americanas antigas registrarem seus
costumes.
As
obras arquitetônicas deste povo
eram complexas e bastante desenvolvidas
para a época. Construíram
o Templo do Sol em adoração
ao seu deus com mais de 50 milhões
de tijolos, sem contar as inúmeras
obras artísticas das quais se
destacam as estatuetas e os materiais
trabalhados com cerâmica, pedra,
metal e tecelagem.
Alguns
historiadores acreditam que os mochicas
foram a principal influência para
a formação das sociedades
posteriores, como os incas. Eram patriarcais
ou seja, só cabia aos
homens os cargos mais importantes do
império. Os líderes políticos
eram sacerdotais e formaram um Estado
onde a sociedade era amplamente dividida
em mandatários e camponeses,
que esporadicamente desenvolviam outras
atividades quando a agricultura estava
estabilizada.
Não
se tem muitos registros precisos desta
civilização, mas acredita-se
que ela se extinguiu devido às
fortes instabilidades climáticas
que surgiram no século VIII,
como o fenômeno El Nino. Os períodos
fortes de seca e, posteriormente, de
enchentes torrenciais, deterioraram
a agricultura, principal atividade dos
mochicas. Sem poder cultivar alimentos,
passaram por sérias dificuldades
e acabaram desaparecendo.