Povos
nômades das estepes do interior
asiático, os mongóis eram
quase desconhecidos até Gengis
Khan mudar o rumo da história
ao conquistar, em poucos anos, um vasto
império, que, ampliado por seus
sucessores, estendia-se do litoral do
Pacífico às planícies
européias.
O império mongol foi fundado,
no início do século XIII,
por Gengis Khan e, em meados do mesmo
século, chegou a abranger a China,
a Coréia, a Mongólia,
a Pérsia, o Turquestão,
a Armênia e parte da Europa central.
Cronistas chineses mencionam a existência
dos mongóis ao registrarem a
ocorrência de freqüentes
incursões desse povo nas fronteiras
setentrionais da China, antes do século
IV. Posteriormente, os romanos sofreram
os ataques dos hunos, povo de origem
mongol que chegou a ameaçar a
capital do império. Nos séculos
seguintes, povos turcos e mongóis
dominaram a estepe asiática que
se estende ao norte da China. Todavia,
devido a seu nomadismo não se
pode atribuir-lhes um território
com limites precisos.
Antes do governo de Gengis Khan, porém,
iniciou-se um processo de diferenciação
entre esses povos: enquanto os turcos
concentravam-se na parte ocidental da
estepe e adotavam progressivamente o
islamismo, os mongóis estabeleciam-se
em sua grande maioria nos territórios
orientais limítrofes ao império
chinês e ocupavam a região
que mais tarde constituiria a Mongólia.
Divididos em numerosos clãs,
ora aliados, ora dedicados a guerras
fratricidas, os mongóis logo
revelariam ao mundo seu espírito
belicoso e seu crescente poderio.
Gengis Khan. O início da grande
expansão dos mongóis deu-se
sob a liderança de Temudjin,
que se distinguiu entre os chefes dos
clãs por suas qualidades de guerreiro.
Com o emprego de força e diplomacia,
obteve suas primeiras vitórias
ao submeter as demais tribos que habitavam
a Mongólia. Reconhecido por uma
assembléia de chefes como seu
khan supremo em 1206, recebeu o nome
de Gengis Khan. Desde então,
sua autoridade, aceita sem contestação,
revestiu-se de caráter semidivino.
O próprio Gengis Khan considerava-se
enviado divino com a missão de
estabelecer um império universal.
Seu principal êxito político
foi a unificação dos diversos
clãs sob seu comando e a instituição
de leis que, estabelecendo entre os
guerreiros mongóis vínculos
superiores aos que os uniam aos clãs,
facilitaram a criação
de um exército poderoso e coeso,
formado por homens livres fiéis
a seu soberano.
Além de seus méritos de
guerreiro, Gengis Khan revelou-se excelente
administrador: impôs ordem ao
vasto império; disciplinou o
exército, ao instituir funções
bem delineadas, entregues a homens de
confiança; e dotou o império
de uma rede de comunicações
rápida e eficiente, indispensável
aos freqüentes deslocamentos dos
exércitos ao longo de milhares
de quilômetros.
As forças militares tinham por
base a cavalaria. Os membros da cavalaria
pesada, protegidos por couraças
e armados com lanças, espadas
e maças, tinham como função
principal ações de choque
e de carga contra o inimigo, enquanto
o corpo da cavalaria ligeira, composto
de arqueiros, encarregava-se dos movimentos
rápidos e tinha por missão
atacar as forças adversárias
pelos flancos e perseguir o inimigo
em retirada. Para o cerco a cidades
fortificadas, Gengis Khan adotou métodos
já empregados pelos chineses:
complicadas máquinas de guerra,
construídas por seu corpo de
engenheiros, e o emprego da pólvora
minavam as fortificações
adversárias. As tropas agrupavam-se
em formações rígidas
sob severa disciplina e eram submetidas
a treinamento constante.
Após derrotar os povos das estepes,
Gengis Khan empreendeu a conquista das
ricas civilizações do
sul. A China era então dividida
em vários reinos independentes.
O chefe mongol apoderou-se em pouco
tempo de todo um território que
se estendia pela Manchúria e
a China setentrional (o império
Jin, com capital em Pequim). Pequim
foi ocupada em 1215 e, três anos
depois, as tropas mongóis penetraram
na Ásia central e ocidental.
Conquistaram depois Bukhara e Samarkand,
em 1220, e a porção oriental
da Pérsia. Os domínios
de Gengis Khan chegaram até o
mar Cáspio e o Cáucaso,
formando o mais extenso império
conhecido até então.
Características internas do império
mongol. A classe dominante do império
compunha-se de homens livres, mongóis,
que integravam as fileiras dos exércitos.
Uma reduzida aristocracia intervinha
na designação do khan,
ou chefe supremo. Entre os povos dominados
havia os escravos e os que eram considerados
homens semilivres, pertencentes a diferentes
castas sociais.
Sob a influência de religiões
monoteístas, os mongóis
acreditavam num ser supremo, venerado
sob diversas formas. Eram tolerantes
com todas as religiões: missionários
budistas, cristãos e muçulmanos
agiam com total liberdade, e tinham
acesso inclusive à corte dos
imperadores.
A destruição dos reinos
da Ásia central inibiu de início
as transações comerciais
e prejudicou a economia dos povos sedentários,
cuja dedicação à
agricultura era incompreensível
para os nômades mongóis.
A tolerância dos mongóis
com relação à cultura
e à religião dos povos
conquistados, somada à unificação
de um vasto território, teve
como conseqüência a revitalização,
em pouco tempo, das rotas comerciais
terrestres. A corte do grande khan atraiu
numerosos mercadores, viajantes e missionários
provenientes da Europa e dos países
árabes.
Sucessores de Gengis Khan. Com a morte
de Gengis Khan, seu filho Ogadai, escolhido
pela assembléia dos nobres (quriltai)
em 1229, para suceder-lhe no poder,
assumiu o título de Khaghan (imperador)
e construiu sua capital em Karakorum,
no norte da Mongólia. Deu prosseguimento
às conquistas territoriais a
leste, com o que se apoderou da Coréia,
e exerceu forte e contínua pressão
sobre a dinastia Song, que dominava
toda a China central e meridional. No
lado oeste, a Pérsia submeteu-se
aos mongóis.
As campanhas de Batu, sobrinho de Ogadai,
na estepe russa, levariam os invasores
asiáticos a Moscou, em 1238,
e a Kiev, dois anos mais tarde. Em 1241,
as forças de Batu chegaram às
margens do Danúbio e semearam
a destruição na Hungria.
Viena foi salva graças à
notícia da morte do grande khan,
o que motivou a retirada dos mongóis,
pois Batu decidiu voltar ao Oriente,
na esperança de ser eleito sucessor
de Ogadai. Frustradas suas ambições,
Batu separou-se do império mongol
e fundou o canato da Horda de Ouro,
islamizado, com capital em Sarai Batu,
nas margens do Volga.
De 1251 a 1259, o trono mongol foi ocupado
pelo neto de Gengis Khan, Mangu, que
conferiu a Karakorum um esplendor jamais
alcançado. Organizou dois grandes
exércitos, no Oriente e no Ocidente,
comandados por seus irmãos Kublai
e Hulagu. Este último se apoderou
de Bagdá em 1258 e aniquilou
a dinastia abássida. Dois anos
depois, os mamelucos do Egito conseguiram
derrotá-lo e assim contiveram
as investidas dos mongóis, para
fundar o reino da Síria e do
Egito. Novo processo sucessório
interrompeu as conquistas dos mongóis
naquela região.
Dinastia Yuan (1279-1368). Enviado pelo
exército do Oriente à
China, Kublai empreendeu a conquista
do reino dos Song, que se prolongou
por meio século. Com a morte
de Mangu, Kublai foi eleito khan e governou
de 1260 a 1294. Tornou-se também
imperador da China e fundou a dinastia
Yuan, com capital em Pequim. Por influência
da cultura chinesa, substituiu o sistema
tradicional de eleição
dos chefes pela sucessão hereditária.
Kublai Khan não esqueceu a ambição
universalista de Gengis Khan. Dominou
um imenso império que incluía
a China -- totalmente anexada em 1279
-- e se estendia da Coréia até
a Europa central. Tentou, sem êxito,
por duas vezes, a conquista do Japão.
Enviou ainda expedições
marítimas ao litoral da Índia
e às ilhas do Sudeste Asiático.
Reorganizou internamente o império
chinês, para o que contou com
a ajuda da aristocracia culta da China
setentrional, enquanto a do antigo reino
Song negou-se a colaborar com o invasor
bárbaro. O poderio e magnificência
do império de Kublai Khan foi
descrito por Marco Polo, que percorreu
seu território durante vários
anos, para cumprir missões a
ele confiadas pelo imperador.
O sucessor de Kublai no trono chinês
foi seu neto Togon Timur, em cujo reinado
a porção ocidental do
império desmembrou-se. Em 1295,
os mongóis da Pérsia conquistaram
autonomia, separando-se de Pequim, e
mais tarde cindiram-se em vários
estados. Mas a dinastia Yuan teve curta
duração. Em meados do
século XIV, uma série
de catástrofes naturais e rebeliões
contra o poder mongol levaram à
queda, em 1368, de Timur, obrigado a
fugir de Pequim e a refugiar-se na Mongólia,
onde morreu em 1370. A dinastia Ming,
que se estabeleceu na China depois da
expulsão dos mongóis,
procurou, com freqüentes incursões
armadas, evitar a formação
de um novo e forte império na
Mongólia. Em 1380, Karakorum
foi destruída pelos chineses.
A partir daí, o poder central
foi aos poucos se enfraquecendo, sobretudo
quando começaram a surgir rivalidades
e rixas sangrentas entre os vários
príncipes e líderes tribais
mongóis.
Tamerlão. Na segunda metade do
século XIV, Timur Lang ("o
Coxo"), conhecido na Europa como
Tamerlão, um dos senhores feudais
do fragmentado Turquestão, que
se diziam descendentes de Gengis Khan,
conseguiu apoderar-se do país
e estabelecer sua capital em Samarkand.
Em poucos anos, Tamerlão submeteu
a Pérsia, invadiu a Rússia
meridional e ali destruiu o canato da
Horda de Ouro. Em 1398, invadiu o norte
da Índia e destruiu Delhi. Três
anos mais tarde conquistou Bagdá
e, depois de superar os limites alcançados
século e meio antes por Hulagu,
destruiu Damasco e Alepo. Invadiu depois
a Anatólia e em 1402 esmagou
o exército turco.
Com a morte de Tamerlão, seu
vasto império dissolveu-se em
pouco tempo. Os mongóis deixaram
de representar ameaça para os
povos vizinhos. Os canatos em que se
fragmentara a Horda de Ouro foram dominados
pelos príncipes russos de Moscou,
a Pérsia reunificou-se sob o
governo de um príncipe muçulmano
xiita e no norte da Índia formou-se
o império do Grão Mogol
(do século XVI ao século
XVIII). A dinastia chinesa Ming, e mais
tarde, a Manchu, dominaram progressivamente
parte da Ásia central, dividida
depois com o império russo.
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