Ama
o próximo como a ti mesmo.
A regra áurea reconhece o amor
a nós próprios, justificando
a necessidade do auto-apreço,
para que não estejamos pregando
estima aos outros, a chafurdar-nos
em desmazelo.
Muito naturalmente aspiramos ao respeito
pelos direitos que a vida nos atribui.
Almejamos a cooperação
de muitos para que os nossos deveres
se façam bem cumpridos.
Nas horas do erro, agradecemos a caridade
dos que nos propiciem o reconforto
da tolerância.
Nos momentos de acerto, sentimos noivo
impulso ao serviço ante os
estímulos da amizade.
Acicatados pela necessidade, queremos
que os outros nos auxiliem.
Doentes, não duvidamos de que
o próximo tem a obrigação
de amparar-nos.
Diante daqueles que amamos exigimos
a consideração dos que
se aproximam.
Nas tarefas que impelidos a realizar
aguardamos a avaliação
afetiva dos que andam conosco.
Forçoso observar que os outros
esperam também tudo isso.
A incompreensão aborrece-nos,
o sarcasmo que se nos atira mais se
assemelha a esbraseado estilete com
que se nos revolve os tecidos da alma.
Acontece o mesmo na sensibilidade
de quantos nos cercam.
Por outro lado, não nos seria
lícito receitar educação
para os semelhantes sem sermos educados,
e nem apelar para o caráter
alheio se nos amodorramos no charco
da incúria.
"Ama o próximo como a
ti mesmo", diz a norma de ouro.
Nada de endeusar-nos, nem aparentar
valor que não temos, mas respeitar-nos,
garantindo ao nosso espírito
o dom de aprender, servir e melhorar-nos
com tranqüilidade de consciência.
Para
chegarmos a isso, reconhecer que,
em tudo, é preciso dar e fazer
aos outros tudo aquilo que desejamos
seja dado e feito a nós.
ANDRÉ LUIZ
("Sol
nas Almas", 63, FCX, edição
CEC)