Houve um tempo em que numa ilha muito
pequena,
confundida com o paraíso,
habitavam os sentimentos como habitados
hoje na Terra.
Nesta ilha, viviam em harmonia o Amor,a
Tristeza, a Sabedoria,
a Vaidade,a Alegria, a Riqueza e todos
os outros sentimentos.
Um dia, num desses em que a natureza
parece revoltar-se
o Amor acordou apavorado porque sentiu
que sua ilha estava sendo inundada.
Mas esqueceu-se logo do medo que sentia
e cuidou para que todos os sentimentos
se salvassem.
Todos correram e pegaram seus barcos
e fugiram para um morro bem alto,
de onde poderiam ver toda a ilha sendo
inundada
mas sem que corressem perigo.
Só o Amor não se apressou. o Amor
nunca se apressa.
Ele queria ficar um pouquinho mais
em sua ilha.
Mas, quando já estava quase se afogando,
o Amor lembrou-se que não poderia
morrer.
Então correu em direção aos barcos
que partiam
e gritou por socorro.
A Riqueza, ouvindo seu grito,
tratou logo de responder que não iria
levá-lo,
pois com todo o ouro e prata que carregava
temia que seu barco se afundasse.
Passou então a Vaidade que também
não poderia levá-lo,
uma vez que ele, o Amor,
se sujara por demais ajudando os outros
e ela,
a Vaidade, não suportava sujeira.
Logo atrás da Vaidade, vinha a Tristeza,
que sentia-se tão profunda
que não queria a companhia de ninguém.
Passou também a Alegria, mas esta,
tão alegre estava,
que não ouviu o pranto do Amor.
Sem esperanças, o Amor sentou-se na
última pedra
que ainda se via sobre a superfície
da água
e começou a minguar. Seu pranto foi
tão triste
que chamou a tenção de um velhinho
que passava com seu barco.
O velhinho apanhou o Amor em seus
braços
e o levou para o morro alto, junto
aos outros sentimentos.
Recuperando-se, o Amor perguntou à
Sabedoria
quem era o velhinho que o ajudara,
quando esta lhe respondeu:
- "o Tempo"...
O Amor questionou:
- Por que só o Tempo pode me trazer
aquí?
A Sabedoria então lhe respondeu:
- Porque só o Tempo tem a capacidade
de ajudar o Amor
a chegar aos lugares mais difíceis!