Diante
daqueles a quem socorres, não admitas
que a caridade seja prerrogativa unicamente
de tua parte.
Enumera
os bens que recolhes daqueles a quem
amparas.
Habitualmente
doamos aos companheiros necessitados
algo do que nos sobra, deles recebendo
muito do que nos falta.
É
preciso não esquecer que da pessoa
a quem assistimos obtemos benefícios
substanciais, como sejam:
a
verificação de nossas próprias vantagens;
o
conhecimento das responsabilidades
que nos competem, à frente dos outros;
o
aviso salutar, com relação aos deveres
que nos cabem, na preservação dos
bens da vida;
a
paciência com os nossos obstáculos
e males menores;
o
ensinamento da provação com que somos
defrontados;
a
aquisição de experiência;
as
vibrações de simpatia;
o
auxílio que recebemos para sustentar
mais amplo auxílio aos outros;
o
consolo nos sofrimentos que, porventura,
nos fustiguem;
o
crédito moral que se registra, a nosso
favor, na memória dos espíritos encarnados
e desencarnados que amparam a criatura
em crises e empeços maiores que os
nossos.
Serve
a benefício dos semelhantes, tanto
quanto possas e como possas, em bases
da consciência tranqüila, sempre que
encontres o próximo baldo de equilíbrio,
espoliado de esperança, sedento de
paz ou cansado de angústia, nas trilhas
do cotidiano, porque a caridade é
sempre maior nos dividendos para aquele
que dá.
Por
isso mesmo, temos no Evangelho do
Senhor a advertência inesquecível:
"mais vale dar que receber."
Xavier,
Francisco Cândido. Da obra: Caridade.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
Araras, SP: IDE, 1978.