Imagina-te
à frente de um violino. Instrumento
que te espera sensibilidade e inteligência,
atenção e carinho para
vibrar contigo na execução
da melodia.
Se o tomas de arranco, é possível
te caia das mãos, desafinando-se,
quando não seja perdendo alguma
peça.
Se
esquecido em algum recanto, é
provável se transforme em ninho
de insetos que lhe dilapidarão
a estrutura.
Se
usado, a feição de martelo,
fora da função a que
se destina, talvez se despedace.
Entretanto,
guardado em lugar próprio e
manejado na posição
certa, como a te escutar o coração
e o cérebro, ei-lo que te responde
com a sublimidade da música.
Assim,
igualmente na vida, é o companheiro
de quem esperas apoio e colaboração.
Chame-se
familiar ou companheiro, chefe ou
subordinado, colega ou amigo, se lhe
buscas o auxílio, a golpes
de azedume e brutalidade, é
possível te escape da área
de ação, magoando-se
ou perdendo o estímulo ao trabalho.
Se
largado ao menosprezo, é provável
se entregue a influências claramente
infelizes, capazes de lhe envenenarem
a alma.
Se
empregado por veículo de intriga
ou maledicência, fora das funções
edificantes a que se dirige, talvez
termine desajustado por longo tempo.
Mas,
se conservado com respeito, no culto
da amizade, e se mobilizado na posição
certa, como a te receber as melhores
vibrações do coração
e do cérebro, ei-lo que te
corresponde com a excelência
e a oportunidade da colaboração
segura, em bases de amor que é,
em tudo e em todos, o supremo tesouro
da vida.
Pensemos
nisso e concluiremos que é
impossível encontrar cooperadores
eficientes e dignos, sem indulgência
e compreensão.
* * *
Xavier,
Francisco Cândido. Da obra:
Caridade.
10a edição. Araras,
SP: IDE, 1996.