Desde
o dia 02 de Novembro de 1959, quando
em companhia do Dr. João Pereira
de Castro, jornalista Edgar Andrade
do Nascimento e Costake Gabriades, todos
sócios trabalhadores do
C. E. Padre Zabeu, estive assistindo
prazerosamente a uma Sessão Espírita
em Uberaba, ocasião em que, pela
psicografia de Francisco Cândido
Xavier, meu filho, Antonio Juvenal,
com auxílio Divino, teve a oportunidade
de comunicar-se comigo. Guardo a mensagem
original, com muito carinho para, periodicamente
relê-la e procurar seguir os ensinamentos
nela contidos.
No
dia de Natal de 1955, com sete anos
de idade, após haver caído
de uma janela de minha residência,
seu espírito partiu para uma
esfera melhor, de onde, na data de 2/11/59,
comunicou-se amorosamente com seu saudoso
pai, porém confiante na ajuda
de Jesus.
Neste
Natal decorridos 44 anos
decidi, depois de meditar profunda e
sensatamente, transcrever neste jornal,
as palavras tão esperadas e queridas
de quem sempre será amado e respeitado,
para que vocês, leitores amigos,
constatem a grandeza e a sensatez de
seu pronunciamento, e continuem confiantes
na ajuda Divina, que jamais nos faltará.
Nicanor
Mattos Ventura
Meu
querido Paizinho,
Deus
nos ampare sempre.
Com
a felicidade que o seu coração
amoroso me deu, estou cultivando a felicidade
maior. Felicidade que compramos com
lágrimas, felicidade que o Senhor
o nosso Eterno Amigo nos concedeu
em seus caminhos abençoados...
É
por isso que seu filho, ao escrever-lhe,
ansioso, um dia, volta hoje, feliz,
para agradecer-lhe.
Nossa
tarefa agora é assim como um
dia claro que nasce de noite escura
e, de mãos entrelaçadas,
caminharemos...
Não
importa estejamos desconhecendo o que
a Vontade de Deus nos reserva amanhã.
Buscaremos as mãos de Jesus que
nos guiarão para o grande futuro.
Com Ele, meu Paizinho, saberemos converter
as pedras e espinhos em flores e pães,
flores de esperança e pães
de amor que repartiremos com os nossos
irmãos da estrada.
A
alegria chega verdadeiramente para nós,
quando chegamos a esquecer as nossas
tristezas, fortalecendo a alegria dos
outros.
E
vejo essa verdade em sua doce confiança,
a estampar-se no sorriso que lhe enriquece
a alma boa...
A
tempestade passou. Não há
cousa alguma a perdoar.
Há
somente a sombra por esquecer, porque
todos nós, meu Paizinho, somos
espíritos devedores na Lei de
Deus.
Continuemos
aumentando assim, a nossa família
espiritual.
Nosso
templo de amor é a moradia real
e aqueles meninos de rosto triste e
por vezes atormentando são também
seus filhinhos, tanto quanto aquelas
mãezinhas sofredoras e aqueles
homens doentes que procuram a nossa
casa de fé são também
minhas mães e meus pais queridos.
Essa
compreensão, Papai, é
o nosso maior salário e, com
ele, adquiremos a nossa união
maior, no porvir imenso.
Seja
quais forem as nossas lutas e provações,
sigamos para diante estendendo os braços
e auxiliando como pudermos.
Agora,
estamos juntos de maneira mais íntima.
Sua paz é minha paz e seu trabalho
é também meu. Agradeçamos,
desse modo, a dor que nos despertou
para um novo sentido. E esperemos que
os outros também acordem... Dizendo
assim, não desejo que sofram,
mas que nos compartilhem o novo júbilo
e o novo equilíbrio de que o
serviço espiritual nos reveste.
Estamos
em prece pela Mãezinha querida
e rogamos a Jesus a fortaleça
e abençoe sempre.
Nossa
Dulce receberá o Amparo Divino
em sua esperança e nós
dois seguiremos com Jesus para a tarefa
santificante, seguindo o nosso ideal.
Ajude
o nosso irmão Edgar em seu ministério
na verdade de Cristo. Sou pobre, bem
pobre ainda, mas procuro resgatar, junto
dele e junto de nossa irmã Eurídice
o débito de amor em que nos empenhamos,
porque o nosso Edgar não tem
sido somente nosso irmão, mas
nosso benfeitor de todos os momentos.
(1)
Papai,
confio em que seu espírito avançará,
como sempre, sereno e valoroso para
a vanguarda. Jesus brilha a nossa frente,
convidando-nos a servir. Creia que,
buscando melhorar e aprender
melhorar a mim mesmo e aprender as lições
da vida tenho na sua ternura
e na sua fé o alimento de que
preciso para estimular minhas forças.
Abrace
Vovó Elisa por mim e a todos
os nossos do coração e
receba em seu carinho, que é
minha riqueza, todo o carinho e toda
a fidelidade, todo o reconhecimento
e todo o amor de seu Filhinho,
Antonio
Juvenal.
(1)
À época do sucedido, o
Edgar dirigia as Sessões de Incorporação
do C. E. Padre Zabeu.
Jornal
Cáritas - Nº 348 - Outubro
a Dezembro de 1999
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