Tombei
no campo de batalha.
Uma granada, uma bomba ou coisa parecida
acertou-me em cheio e arrancou minha
perna de um só golpe.
A dor era insuportável e fazia-me
gritar e rogar a Deus que desse um fim
naquilo. Em meio ao horror do combate,
vi outros do meu regimento caírem
e, ali, sem poder mover-me, assisti
ao sangrento embate entre soldados de
duas nações até
o fim de suas forças.
Horas
depois, o silêncio só era
quebrado pelos gemidos de agonia dos
feridos. Leve fumaça tornava
o ar pesado, com forte cheiro de pólvora
e de carne queimada.
E eu ali, no mesmo lugar. Gritava por
socorro para todos que por mim passavam,
mas ninguém detinha-se por mim.
Todos queriam mesmo era cuidar dos próprios
ferimentos.
Até
que um homem, com vestes brancas parou
diante de mim e disse com voz firme
para levantar-me e acompanhá-lo.
"Como?" Indaguei enlouquecido.
"Não vês que não
tenho mais minha perna?"
"Levanta-te",
ordenou novamente o homem.
"Tua perna está aí
mesmo. daquela outra já não
precisas mais..."
E puxou-me pela mão, mesmo contra
a minha vontade, e pôs-me em pé.
Olhei
para trás e ali ficara um casulo
vazio, com uma perna a menos.
Talvez, se tivesse tentado levantar-me
sozinho, provavelmente conseguiria.
Mas, minha cultura religiosa naquela
época, impediu-me de compreender
a situação e julguei-me
ainda no mundo dos vivos.
Quantas
pessoas, por pura ignorância,
permanecem presas a seus corpos por
horas, dias, anos?
Abri os vossos corações
e as vossas mentes aos ensinamentos
da Espiritualidade, que estão
acima de qualquer crença religiosa,
pois não sabes quando serás
chamado.
Abraços.
Tibor.
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