Estar
morto não é nada divertido.
Pelo menos não da maneira que
eu estou.
Estava
passeando tranqüilamente pela orla
da praia, num lindo final de semana,
curtindo meu merecido descanso depois
de uma semana dura de trabalho.
Fui
atingido por uma bala perdida, vinda
de um tumulto formado ao longe.
Não
senti nada, apenas um pequeno mal estar,
com um pouco de enjôo.
Duro
foi entender o que havia acontecido.
Para mim, continuava a passear. Claro
que notei que havia algo diferente.
As
cores da paisagem, da praia e dos prédios
estavam diferentes... e as pessoas também.
Além dos banhistas e turista
de sempre, comecei a ver também
pessoas com estranha aparência.
Umas pareciam resplandecer de luz em
pleno dia e outras pareciam aqueles
azarões dos desenhos animados,
com nuvens negras sobre suas cabeças.
E
ao chegar em casa? Nada de alguém
me ver ou ouvir. Foi só no dia
seguinte que a polícia bateu
lá em casa e informou da minha
morte.
Que
loucura!
Fiquei
por aí, vagando, com raiva de
tudo.
Por
que eu tão jovem? Trabalhava
tanto! Estudava tanto! Queria casar,
ter filhos...
Mas
e agora? Quantas vezes precisei fugir
e me esconder de bandos de gente esquisita,
os tais azarões, que pareciam
uns doidos tentando carregar todo mundo
com eles.
Só
ontem é que fui achado
e me trouxeram para cá. Pelo
menos aqui me sinto calmo e confiante,
e só vejo pessoas iluminadas.
Vou
seguir com vocês pois, afinal,
não tenho mais para onde ir e
quero ver as cidades que vocês
me falaram.
Quero
trabalhar e ser útil.
Obrigado
pela ajuda. Quem sabe estar morto fique
um pouco mais divertido agora.
Lucas
dos Santos.
Escrita por: Cleber P. Campos
mensageirosdoceu.net
- 2004 - 2009 - Todos os Direitos Reservados.