Este
Santo homem, pequeno
e frágil,
não vivia
para si mesmo, mais
para aquele que
morreu por todos
nós. Enchia
a terra com o Evangelho
de Cristo e em um
dia percorria 4
ou 5 povoados anunciando
o Reino de Deus,
a Salvação,
a Penitência
e a Oração.
Não sabia
favorecer a vida
dos pecadores e
os repreendia pacientemente.
Seus maiores milagres
sempre foram através
da Oração.
São Francisco
era como um rio
caudaloso de graça
celeste que alimentava
os corações
com sua palavra
e exemplo, propunha
uma nova forma de
vida, o caminho
da salvação,
o amor a Deus.
Estava sempre preocupado
com a construção
espiritual de seus
filhos, o caminho
das virtudes, a
pobreza, obediência,
a castidade e sobretudo
com a renúncia.
São Francisco
tinha o rosto alegre,
de olhar simples,
afeto sincero e
com o abraço
fraterno colhia
os desamparados.
Amava tanto a Deus
que lutava constantemente
pela salvação
das almas, seu amor
ao próximo
era tão intenso
que quando não
podia mais andar
e quase cego, percorria
as terras montado
em um jumento para
levar a benção
do Senhor. Em seu
amor a Deus sempre
repetia: "Senhor!
Minha alma tem sede
de Vós e
meu corpo mais ainda".
Veio ao mundo com
assinalado e luminoso
destino, filho de
pais abastados,
nasceu em Assis
velha cidade da
Itália, situada
na região
da Úmbria
em 26 de Setembro
de 1182 e foi criado
no luxo e na vaidade.
Seu pai Pedro Bernardone,
rico comerciante
de tecidos, sonhava
fazê-lo homem
de negócios
e de fortuna, mas
Francisco, de gênio
alegre e cavaleiresco
pensava mais nas
glorias do mundo
do que nos negócios.
Em 1202, com 20
anos, foi a guerra
entre sua cidade
natal e Perusa,
ao partir, jurou
voltar consagrado
cavaleiro. Caiu
prisioneiro, ficando
um ano na prisão.
Comportou-se com
serenidade, levantou
a moral dos seus
companheiros, transmitindo
confiança
e alegria. É
resgatado pelo pai,
por estar muito
doente.
Permanece um tempo
em Assis para sua
recuperação.
Após uma
mensagem em sonhos
quis alistar-se
novamente, mais
ainda debilitado
e doente, desiste
e aceita os desígnios
de Deus.
Primeiro chamado
Divino
Refeito da grave
doença e
em período
de transição
que mudará
sua vida, encontrava-se
caminhando fora
da cidade, quando
viu um leproso vindo
na sua direção,
ficou apavorado
pois tinha horror
desta doença,
quis fugir, mas
manteve-se firme,
dirigiu-se ao doente,
beijou-lhe as mãos
e o rosto, em demonstração
de afeto e encheu-lhe
a bolsa de moedas,
com generosidade.
Ao retirar-se sentiu-se
vitorioso- e voltou-se
para ver uma vez
mais o estranho,
não logrou
perceber figura
alguma na estrada,
o homem desaparecera
misteriosamente.
Após este
fato sente o chamado
de Deus.
Segundo chamado
Divino
São Francisco
costumava orar numa
velha e abandonada
capela, São
Damião, frente
a um crucifixo repetia
fervorosamente:
"Concedei-me
Senhor, que Vos
conheça,
para poder agir
sempre segundo a
vossa luz e de acordo
à vossa Santíssima
vontade".
São Francisco
ora ante a imagem
do Cristo Crucificado
e recebe a missão
de restaurar a Igreja.
Ora nas ruínas
da Igreja de São
Damião.
Um
dia, pareceu-lhe
ouvir claramente:
"Francisco,
não vês
que a minha casa
está em ruínas?
Restaurá-la
para mim!
Pensando tratar-se
do velho templo
onde se achava,
agiu de pronto,
contando para a
reforma com o dinheiro
de seu pai, que
tinha em suas mãos.
Ano de 1206.
Comparece ante o
Bispo Dom Guido
III acusado pelo
pai de furto, devolve
ao genitor o que
lhe pertence, até
as roupas e se declara
servo de Deus.
Pede ao Bispo sua
benção
e abandona a cidade
em busca dos caminhos
do Senhor, o Bispo
vê nesse gesto
o chamado do Altíssimo
e se torna seu protetor
pelo resto da vida.
São Francisco
renuncia à
todos os bens que
o prendiam neste
mundo, veste-se
como eremita e começa
a restauração
da Capela de São
Damião e
cuida dos leprosos.
Seis anos mais tarde,
esta capela será
o lar das Damas
Pobres de Santa
Clara.
Ante o Bispo de
Assis e seu pai,
devolve o dinheiro
a este e se despoja
até das roupas,
pede a benção
do Bispo, dom Guido
III
É
o começo
da sua vida religiosa,
sofre e luta da
forma mais intensa;
ele, que teve de
tudo, abraça
a pobreza, deve
primeiramente vencer-se
a si mesmo, para
logo pedir esmolas.
Ele ora e trabalha
incessantemente.
São Francisco
dizia: "O trabalho,
embora humilde e
simples, confere
honra e respeito
e sempre será
um mérito
ante Nosso Senhor".
Ano de 1208.
Restaura a igreja
de Sta. Maria de
Angelis. Esta pequena
igreja se conserva
dentro da grande
Basílica
de São Francisco
em Assis.
Restaura
a Igreja de Sta.
Maria de Angelis
e São Pietro,
persuadido de que
sua missão
principal era a
de restaurar e construir
igrejas, zelava
ardentemente pelos
lugares em que se
celebravam os Santos
Mistérios.
A torre da igreja
de São Pietro,
capela que o Santo
restaurou, essa
torre é moderna,
mais esse é
o lugar.
Um
dia, na missa de
São Matias,
escuta o Evangelho
sobre a missão
Apostólica,
como Nosso Senhor
enviou seus discípulos
para pregar o Reino
de Deus e a Penitência,
fica tão
impressionado que
decide então
seguir a vida de
Nosso Senhor, seria
pobre como Ele e
pregaria o Evangelho,
muda suas vestes
de eremita e passa
a ser um pregador
ambulante e descalço,
começa o
estilo de vida Franciscano.
Desde então
foi Apóstolo,
não descansou
jamais, nenhum instante
sequer, pregou a
paz e o amor no
coração,
vivendo sem ódio,
egoísmo,
inveja ou outros
sentimentos mesquinhos,
seus discursos sempre
foram claros, simples,
mas incisivos, que
a todos afetavam
profundamente.
Ano de 1209.
Recebe os primeiros
irmãos: Bernardo
de Quintavalle que
será mais
tarde seu sucessor,
homem de grande
fortuna que abandona
tudo para seguir
São Francisco.
Pedro Cattani, cônego
e conselheiro legal
de Assis, homem
de esmerada cultura,
instrução
e dotado de grande
inteligência.
E o irmão
Leão que
será sempre
e em todas as horas
o fiel companheiro.
Ano de 1210.
Com 11 irmãos
vai a Roma, levando
uma breve Regra
(esta se perdeu).
O Papa Inocêncio
III admirado, ouve
a exposição
do programa de vida
e com regras tão
severas, fica indeciso
e decide esperar,
assim e tudo aprova
as regras só
verbalmente. Conta-se
que dias mais tarde
o Papa em sonhos
teve a revelação
da missão
destinada por Deus
à Francisco
(se diz que este
Papa foi enterrado
com vestes Franciscanas).
Instala-se com seus
irmãos em
Rivo-Torto, perto
de Assis, num rancho
abandonado e próximo
de um leprosário,
esta mísera
residência
foi a primeira casa
por uns tempos dos
irmãos Franciscanos,
foi uma vida difícil,
sombria e assinalada
por duras provas,
mais São
Francisco só
desejava enxugar
as lágrimas
dos desprezados
do mundo, os pobres
e os leprosos.
Apesar do espírito
de renúncia
e sacrifício
que deveria existir
na vida de seus
filhos espirituais
São Francisco
pregava que um servo
de Deus não
podia manifestar
tristeza, desanimo
ou impaciência.
Na alegria da vida,
o Santo via a fortaleza
da alma cristã,
a força que
devia levar aos
desamparados e todos
àqueles que
sofriam provações.
Suas humildes túnicas
amarradas por um
simples cordão
levam até
hoje três
nós, são
seus votos de: Pobreza,
Obediência
e Castidade.
Irradiam a luz Franciscana
para toda a Itália,
envia missionários,
ao igual que o Cristo,
aos pares para pregar
o Evangelho, envia
também à
todo o Continente
Europeu. Na Alemanha
são maltratados
e encarcerados,
pois não
sabiam falar o idioma
e a tudo respondiam
"já":
exemplo: "vocês
são hereges?
E eles respondiam
"já".
São Francisco
orava e trabalhava
sem cessar, assistia
às viuvas,
às crianças
famintas, a todos
os deserdados, fosse
no campo, nas cidades
ou nos mosteiros,
derramava suas orações
para converter os
pecadores, proclamava
a paz, pregando
a salvação
e a penitência
para remissão
dos pecados, resolvia
conflitos, desavenças,
estabelecendo sempre
a harmonia em nome
do Senhor.
Compreendia a dor
e o sofrimento,
pelo amor a Deus,
considerava-se um
pecador, o mais
miserável
dos homens, vivia
em penitência
e jejum, purificando
seu corpo e todo
seu ser, renunciava
às mais mínimas
comodidades.
Era severíssimo
com ele, como São
Paulo, ao qual admirava,
mais aos seus filhos
espirituais não
permitia que fizessem
demasiada penitência
nem jejum, pedia
sempre que imperasse
a virtude da moderação,
para assim poder
melhor servir a
Deus.
Ano de 1212.
Ao padres Beneditinos
oferecem-lhe a pequena
igreja de Santa
Maria dos Anjos,
em Porciúncula,
pois eram muitos
os homens que atraídos
pela vida de pureza
do Santo, queriam
ser acolhidos na
Ordem.
Esta seria o berço
da ordem Franciscana,
os frades renovam
solenemente seus
votos, o Santo os
chama de "Frades
Menores" porque
sempre serão
pobres e humildes.
Como nosso Senhor
Jesus Cristo desejava
que fossem seus
apóstolos,
fossem puros e livres
das coisas deste
mundo, ter o coração
e a mente dominados
pelo desejo de Deus,
para trilhar o caminho
da bem-aventurada
simplicidade.
Trabalhava com suas
próprias
mãos para
alcançar
os meios de subsistência,
só em último
caso pediam ajuda
a outros, jamais
deveriam possuir
bens de qualquer
natureza, assim
não teriam
correntes que os
prendessem à
terra, não
temiam a desaprovação,
a caridade os levava
até tirar
o pão da
boca ou a despojar-se
de suas míseras
vestes para ir em
socorro de quem
estivesse com fome
ou fosse mais pobre
do que eles.
No mesmo ano de
1212 funda a segunda
Ordem das Pobres
Damas, destinada
às mulheres
que desejassem deixar
o mundo, numa dedicação
exclusiva à
Deus e a nosso Senhor,
para uma vida de
oração
e de santa pobreza.
A figura central
á Santa Clara
de Assis jovem nobre
que abandonou tudo
para seguir a São
Francisco, hoje
conhecidas como
as Irmãs
Clarissas.
Ano de 1213.
O Conde Orlando
de Chiusi oferece
a São Francisco
um monte chamado
Alverne, para servir
de eremitério,
retiro e oração.
É aqui que
São Francisco
recebe os sagrados
estigmas.
Ano de 1216.
Obtém do
Papa Honorio III,
sucessor de Inocêncio
III e a pedido do
próprio São
Francisco a Indulgência
para a Igreja de
Santa Maria dos
Anjos. Ato bastante
audacioso do Santo
pois a Indulgência
só era dada
aos peregrinos da
Terra Santa e aos
Cristãos
que iam às
Cruzadas. Indulgência
é a remissão
dos pecados na terra
e no céu,
por todas as culpas
cometidas desde
o nascimento.
Desde o Ano de 1217
a 1219.
Levou São
Francisco o Evangelho
a todos os povos
sarracenos e hereges.
Efetuam-se grandes
missões ao
exterior. São
Francisco visita
o Santuário
de San Tiago de
Compostella na Espanha.
Vá de navio
a Marrocos, no Egito
atravessa as linhas
inimigas e vai ao
acampamento do Sultão
do Egito Melek el
Kamel, temido guerreiro
pela sua crueldade
e que comandava
as forças
Muçulmanas
nas Cruzadas contra
os Cristãos.
O Sultão
fica surpreso com
o audaz visitante,
mantém longas
conversas com São
Francisco e pede
para que fique com
ele. São
Francisco responde:
"De bom grado
fico se te convertes
ao Cristianismo
e pedes o mesmo
ao teu povo".
No Egito, ante o
Sultão Melek-el
Kamel, temível
guerreiro muçulmano
(no tempo das cruzadas),
ante o qual São
Francisco efetua
um milagre.
Em
Damieta, São
Francisco se encontra
com os Cristãos
que faziam parte
das Cruzadas e que
tinham sido derrotados
pelos Muçulmanos,
ele cuida dos feridos,
prega a palavra
de Deus, levando
a todos conforto
espiritual, diz
a historia que nessa
batalha morreram
6.000 cristãos.
Em Marrocos, 5 de
seus missionários
são mortos
e decapitados, foram
os primeiros mártires
da família
Franciscana e em
1481 são
canonizados pelo
Papa Sixto IV. Até
hoje, os Frades
Menores encontram-se
em todo o Oriente,
trabalhando pela
conversão
ao Cristianismo.
Desde os primeiros
tempos estes Frades
Menores tem a custódia
do Santo Sepulcro
em Jerusalém,
obra que causa admiração
aos cristãos
do mundo inteiro,
esta conquista se
deve a suas Santas
Missões,
pelas orações,
pelas obras de caridade,
porem nunca pela
força.
A sua volta do Oriente,
por onde passa São
Francisco estabelece
a paz, converte
os incrédulos,
opera inúmeros
milagres através
da oração,
cura doentes, inclusive
um menino cego de
um olho, que mais
tarde foi frade.
Em todas as cidades
lhe prestam homenagem,
mas ele se mantém
sempre humilde e
em penitência,
com uma vida cheia
de amor, fé
e obras. Em Bolonha
instala seu primeiro
hospital.
Conhece Santo Antônio
de Pádua,
que era cônego
de Santo Agostinho,
o qual passa para
os irmãos
Menores, era um
profundo estudioso
das Sagradas Escrituras
e grande orador.
São Francisco
por carta pede ao
seu querido irmão
que ensine Teologia
aos frades para
que não se
extinga o espírito
da oração
e devoção
como mandava a Regra.
Faz amizade também
com Domingos de
Gusmão, fundador
dos Dominicanos.
Conta-se que este,
arrebatado em êxtase
recebeu um rosário
das mãos
da Santíssima
Virgem, nossa Senhora
do Rosário,
Ordem dos Pregadores,
hoje Dominicanos.
Por ocasião
do Concílio
de Latrão
em 1215 encontram-se
em Roma, Francisco
e Domingos. Dizem
que ao sair de uma
igreja Domingos
viu São Francisco
de Assis, reconhecendo
de imediato o homem
predestinado por
Deus para a restauração
da Igreja Universal.
Sentiram-se atraídos
um pelo outro e
uma santa amizade
uniu aquelas duas
almas, que tanto
bem deveriam fazer
para a humanidade.
Os dois receberam
do Papa Inocêncio
III, em Roma, no
ano de 1215 a incumbência
de um trabalho gigantesco
para a gloria de
Deus e salvação
das almas.
São Francisco
sempre foi um grande
devoto da Santíssima
Virgem Maria, prestou-lhe
sempre homenagem.
Foram os Franciscanos
os promulgadores
da devoção
da Imaculada Conceição.
O dogma foi promulgado
em 1854. A virgem
Maria representava
para São
Francisco as portas
do céu, ela
lhes oferecia o
diurno auxílio
na senda espiritual.
Apesar de sua vida
de árduos
trabalhos, São
Francisco agradecia
sempre a Deus, porque
se julgava um homem
feliz, pelas graças
que recebia. O Pensamento
de São Francisco
nunca se afastava
da luz divina, era
uma oração
ininterrupta, sempre
aperfeiçoando
suas virtudes, jamais
teve ostentação,
as palavras do Evangelho
e a vida do nosso
Senhor Jesus Cristo
estavam sempre presentes.
Na sua humildade
unia-se cada vez
mais a Deus, desejando
a confraternização
de todos os seres,
sem distinção
de raça,
credo ou cor.
Ele repetia: "Todos
os seres são
iguais, pela sua
origem, seus direitos
naturais e divinos
e seu objetivo final.
Homens pobres, ricos
e poderosos, rudes
ou letrados pediam
para seguir-lhe
naquela vida.
Ano de 1221.
Funda a Ordem Terceira,
ainda como instrumento
de concórdia
e de bem estar social.
À Ordem primeira
dos Frades Menores
incumbia o apostolado
de seguir os passos
do nosso Senhor
Jesus Cristo e de
exemplo de obediência
para a Igreja; á
Ordem Segunda das
Pobres Damas o sacrifício,
a oração
e o amor a Deus
no Claustro e à
Ordem Terceira a
nobre missão
de reavivar nas
consciências
a honestidade dos
costumes e os sentimentos
Cristãos
de paz e caridade,
destinada a homens
e mulheres que sem
deserção
da própria
família e
sem renunciar as
suas propriedades,
pudessem levar a
todos os sentimentos
Cristãos
e a estes os chamou
de Irmãos
da Penitência,
conhecida hoje como
Ordem Terceira Franciscana
e seus membros tentam
alcançar
a perfeição
Cristã.
Nesse mesmo ano
é aprovada
a terceira Regra,
chamada de Regra
Bulada (aprovada)
que impera até
hoje, o texto original
conserva-se como
relíquia
no Sacro Colégio
de Assis, outra
cópia, com
a aprovação
Papal se encontra
no Vaticano.
Ano de 1224.
O Frei Elias fica
sabendo em sonhos
que São Francisco
só terá
mais dos anos de
vida. Neste mesmo
ano o Santo de Assis
nomeia o próprio
Frei Elias vigário,
para suceder o Frei
Pedro Cattani, falecido
há pouco.
São Francisco
inspirado por Deus
junto com o Irmão
Leão, seu
fiel companheiro
e confessor e outros
freis retira-se
ao Monte Alverne
já bastante
doente, preparando-se
para a quaresma
de oração
e jejum e a festa
de São Miguel
Arcanjo, vive em
louvor a Deus passando
noites e dias inteiros
em oração,
só um pedaço
de pão e
água que
o irmão Leão
lhe levava.
O Santo de Assis
aceitou os percalços
e as vicissitudes
da vida terrena,
numa demonstração
de coragem e de
fé inabalável,
sempre aceitou tudo
colocando-se dentro
da virtude da humildade,
e de todas as graças
dadas pelo Espírito
Santo, nenhuma é
mais preciosa do
que a da renúncia.
O maior dom de Deus
é o da vitória
sobre o amor próprio.
É feliz todo
aquele que suporta
todos os sofrimentos
por amor a Deus.
Em toda sua vida
religiosa espalhou
o amor universal,
a caridade, a paz
e a humildade, levando
felicidade a muitas
almas, quantas vezes
no fim da sua vida,
doente estigmatizado
e quase cego visitava
cidades e aldeias
pregando as verdades
evangélicas,
atendia os pobres,
os leprosos e necessitados,
com seu coração
cheio de santas
consolações
pedindo a paz, jamais
dando por terminada
sua missão
terrena e desejando
ainda servir a Deus.
Corrigia com doces
palavras, mas sabia
ser enérgico
quando necessário.
Falava aos seus
filhos espirituais
para que se afastassem
do orgulho, vaidade,
egoísmo e
avareza, que fossem
sempre o exemplo
da santa pobreza
(como ela a chamava),
humildade, caridade
e trabalho.
Sempre foi simples
em tudo, severo
consigo mesmo, mas
benigno com os outros.
Nos ensinamentos
do Evangelho encontrava
o apoio para aliviar
a dor de aquelas
almas que em desespero
acudiam a ele, e
através da
sua fervorosa oração
operou grandes milagres.
Ele dizia: "Tudo
o que faço
é Nosso Senhor
que me guia".
Sua alma pura e
cristalina aparecia
aureolada de luz
e ao igual que o
Apóstolo
Paulo repetia: "Já
não vivo
eu, é Cristo
que vive em mim".
Suas orações
e meditações,
constantes e prolongadas
por dias e noites
eram elevadas ao
Ser Divino, que
ele tanto amava,
eram de adoração,
de louvor e de ação
de graças,
ardentes diálogos
para poder servir
melhor ao Senhor,
outras para pedir
pelos pobres, os
doentes e desamparados,
ou para implorar
sem cessar a Deus
por seus filhos
espirituais, temendo
a infidelidade de
uns e a deserção
de outros. Conta-se
que estando ante
uma visão
divina, dizia humildemente:
"Senhor Deus,
que será
depois da minha
morte, da tua pobre
família,
que por tua benignidade
foi entregue a mim
pecador? Quem a
confortará?
Quem a corrigirá?
ou Quem rogará
por ela?
Prometeu-lhe o Senhor
que seus filhos
espirituais não
desapareceriam da
face da terra, até
o fim dos tempos,
grandes graças
do céu receberiam
os religiosos da
Ordem que permanecessem
na prática
do bem e na pureza
da Regra. Os frades
Franciscanos existem
há mais de
700 anos!!
O milagre da vertente,
São Francisco
orando a caminho
do monte Alverne
(onde São
Francisco recebeu
os estigmas).
Conta-se
que quando ia para
o Eremitério,
na longa caminhada
de Assis ao monte
Alverne, o pobre
homem, dono do jumento
que levava São
Francisco lastimava-se
dolorosamente: "Estou
morrendo de sede,
se não beber
água vou
morrer!". O
Santo compadecido
e vendo o lugar
tão árido,
composto só
de pedras e cascalho,
desceu do jumento
e ficou em fervorosa
oração,
logo disse ao homem:
"Corre para
trás daquela
pedra, ali encontrarás
água viva,
que neste momento
Cristo com sua força,
misericórdia
e poder fez nascer".
Este fato é
muito comentado
porque nessa região
nunca existiu água.
No monte Alverne
falou aos irmãos:
"Sinto aproximar-me
da morte e desejo
permanecer solitário,
recolher-me com
Deus para lamentar
meus pecados".
O frei Leão
contava que muitas
vezes viu São
Francisco em êxtase
adorando a Deus
em visões
celestiais. Em uma
oportunidade viu
que São Francisco
falava diante de
uma resplandecente
chama, outra vez
disse que viu o
Santo extrair algo
de seu peito para
oferecer a Deus,
o frei Leão
perguntou depois
a São Francisco
o que significava
aquilo e ele respondeu:
"Meu irmão,
naquela chama que
viste estava Deus,
o qual daquela maneira
me falava, como
antigamente o fez
com Moisés,
e entre outras coisas
me pediu para lhe
oferecer três
coisas, e eu Lhe
respondi: Senhor
meu, Tu sabes bem
que só tenho
o hábito,
o cordão
e uma pobre veste
e ainda estas três
coisas são
Tuas, que posso
pois Te oferecer
Senhor?"
"Então
Deus me disse: Procura
no teu peito e oferece-me
o que encontrares.
Levei a mão
ao coração
e encontrei uma
bola de ouro e a
ofereci a Deus e
assim fiz por três
vezes, segundo Deus
me ordenara! Imediatamente
pude compreender
que aquelas três
oferendas significavam:
a Santa Obediência,
a Altíssima
pobreza e a Esplêndida
Castidade".
Noutra ocasião
o próprio
São Francisco
ainda deslumbrado,
contou a frei Leão
que viu-se cercado
de inúmeros
anjos, um deles
tocava em delicado
violino uma maravilhosa
música e
que se o anjo continuasse
com os acordes da
celeste melodia,
ele certamente teria
deixado a vida terrena,
para participar
das harmonias eternas.
Na solidão
em que desejou ficar
o Santo também
teve momentos de
difíceis
provações.
Nos estados contemplativos,
eram-lhe revelados
por Deus, não
somente coisas do
presente, mais também
do futuro, assim
como por exemplo
as dúvidas,
os secretos desejos
e pensamentos dos
irmãos. Frei
Leão numa
hora amarga quando
sofria tentações,
recebeu uma preciosa
benção
para qualquer doença
do espírito.
Uma benção
assinada com um
simples Thau, que
representa o símbolo
da cruz, o amor
a Cristo, também
é o signo
dos que são
amados por Deus,
São Francisco
tinha grande veneração
por este símbolo
e nas suas cartas
assinava com ele.
Thau é a
transformação,
o equilíbrio,
o trabalho, a conversão
interior que o homem
deve sofrer para
unir-se as coisas
superiores.
Benção
a Frei Leão:
"O Senhor te
abençoe e
te proteja. Mostre
a Sua face e se
compadeça
de ti. Volte para
ti o Seu rosto e
te dê a paz.
Frei Leão,
que o Senhor te
abençoe".
Thau
São
Francisco amava
tanto o Cristo crucificado
que pediu ardentemente
duas graças,
que antes de morrer
pudesse ele (São
Francisco) sentir
na alma e no corpo
o amor e o sofrimento
da paixão
e o Santo de Assis
alcançou
essas duas graças.
Ele pode ver no
céu, um Serafim
todo resplandecente
de luz que se lhe
aproximou e recebe
os estigmas da Paixão,
traspassando-lhe
os pés, as
mãos e o
lado direito, imprimiu-lhe
no corpo os sagrados
estigmas do Cristo,
isto foi em Setembro
de 1224.
São Francisco
em êxtase,
recebe os estigmas,
a sua frente o Serafim
Alado com o rosto
de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Ano
de 1225.
São Francisco
retorna a Sta. Maria
dos Anjos, muito
doente e quase cego,
muitos foram os
milagres realizados
com seus estigmas,
temos o exemplo
quando em Rieti,
em 1225 uma grave
peste devastava
os rebanhos, as
ovelhas caíam
vitimadas por estranho
mal, alguém
que conhecera São
Francisco pediu-lhe
a benção
e a sua valiosa
oração
para que Deus fizesse
cessar a peste.
O Santo, abençoando,
mesmo de longe a
região atingida,
e mesmo estigmatizado,
orou humildemente,
e deu-se o milagre,
da noite para o
dia desapareceu
o terrível
mal.
A corte papal envia-lhe
médico para
tratamento, nada
resolve, sabendo-se
próximo da
morte, desde a planície
lança uma
benção
sobre Assis, compõe
o Cântico
ao Sol e dita seu
testamento.
Morte de São
Francisco, rodeado
de seus Filhos Espirituais
e coro de Anjos.
Fez
ler o Evangelho
e na Última
Ceia abençoa
seus filhos espirituais
presentes e futuros.
Sta. Clara na porta
do convento de São
Damião, despede-se
dos restos mortais
de São Francisco.
No
dia 3 de Outubro
de 1226, morre São
Francisco de Assis,
cantando o Salmo
141 e foi sepultado
na Igreja de São
Jorge na cidade
de Assis.
Ano de 1228.
A dois anos da sua
morte é canonizado
pelo próprio
Papa Gregório
IX, que vai a Assis.
Conta-se que o Papa
Gregório
IX duvidando da
chaga do lado de
São Francisco,
conforme depois
contou, apareceu-lhe
uma noite São
Francisco e erguendo
um pouco o braço
direito, descobriu
a ferida do lado
e o Papa viu o sangue
com água
que saía
da referida ferida,
toda dúvida
foi apagada.
Ano de 1230.
Suas relíquias
foram trasladadas
para a nova Basílica
em construção.
Vista do Altar Mor,
onde está
o túmulo
de São Francisco,
em Assis.
Milagres de São
Francisco
Suplicando a graça
do nosso Senhor
Jesus Cristo, estes
milagres foram lidos
diante do Papa Gregório
IX e anunciados
ao povo. Heis aqui
alguns deles:
Disse que depois
de duríssimas
horas em que o Santo
viu-se em tentação,
achava-se ele em
sua pobre cela,
numa noite de rigoroso
inverno, ao abrigo
do vento e da neve,
quando ouviu vozes
pérfidas
e sedutoras, alguém
de fina malícia
o chamava das trevas
da noite. O Santo
recebia surpreso,
um convite fascinante:
"Francisco
deixa essas penitências,
não maltrates
teu corpo ainda
jovem, fostes feito
para os prazeres,
não para
renúncia
e pobreza".
Aturdido, Francisco
sentia-se arrastado,
olhou seu corpo
jovem e são,
mas um raio de luz
veio do céu
fazendo-o afastar-se
do mal, lembrou-se
de Jesus Cristo
e sem vacilar saiu
ao relento enfrentando
o frio da noite,
exausto e seminu,
atirou-se sobre
um espinheiro, ferindo-se
entre os galhos,
espirrando sangue
para todos os lados.
Paralítico
No dia em que São
Francisco foi sepultado,
trouxeram uma menina
que fazia mais de
um ano que estava
com o pescoço
monstruosamente
dobrado e pregado
ao ombro, de forma
que só podia
olhar de soslaio
e para cima, mas
ela colocou por
algum tempo a cabeça
embaixo do caixão
em que jazia São
Francisco e pelos
merecimentos de
Deus, endireitou
imediatamente o
pescoço e
ficou com cabeça
reposta no devido
lugar, a menina
muito assustada
com a mudança
começou a
gritar e a correr.
Tinha uma cavidade
no ombro, no lugar
em que a cabeça
estivera dobrada
devido à
prolongada enfermidade.
Cegos
Uma mulher chamada
Sibila, que sofria
de cegueira havia
muitos anos, foi
conduzida ao sepulcro
do homem de Deus,
como uma triste
cega. Mas recuperou
a primitiva visão
e voltou alegre
para casa.
Um cidadão
de Assis perdera
a visão havia
5 anos e tinha sido
conhecido de São
Francisco durante
toda a sua vida.
Sempre rezava ao
Santo lembrando-lhe
a sua familiaridade.
Tocando seu sepulcro,
ficou livre da doença.
Muitos são
os casos de cegos
que sararam graças
a São Francisco.
Jardim e vista interior
do Mosteiro na Basílica
de São Francisco,
em Assis.
Enfermos
libertados da morte
Um menino de Arezzo,
chamado Valter,
tinha febres constantes
e era atormentado
por dois tumores.
Desenganado pelos
médicos,
os quais fizeram
uma promessa a São
Francisco, e assim
recobrou a saúde.
Uma mulher que estava
de cama à
muitos anos, sem
poder mexer-se ou
se virar, consagrou-se
a Deus e a São
Francisco, mereceu
ficar inteiramente
livre da doença.
Na cidade de Fano,
havia um hidrópico
com os membros horrivelmente
inchados. Pelos
méritos de
São Francisco
ficou curado.
Na cidade de Narni,
existia uma mulher
que tinha uma das
mãos ressequida
à oito anos
e nada podia fazer
com ela. Um dia,
São Francisco
apareceu-lhe numa
visão, estendeu-lhe
a mão e fez
com que tivesse
a mesma utilidade
que a outra.
Em São Severino,
vivia um jovem chamado
Acto, que estava
atacado de lepra
e segundo os médicos
era tido como um
leproso.
Todos seus membros
tinham se entumecido
e inchado e a inflamação
das veias dava ao
conjunto um aspecto
repugnante. Não
podia andar, passava
miseravelmente o
tempo todo no leito,
causando dor e tristeza
a seus pais.
O pai teve a idéia
de consagrá-lo
a São Francisco
e disse ao filho:
"Não
te queres consagrar
a São Francisco,
que em toda parte
brilha por seus
milagres, para que
ele te liberte da
doença?"
e o filho respondeu:
"Quero, pai".
Levantou-se juntou
as mãos e
começou a
suplicar à
misericórdia
de São Francisco,
como penitência
deveria levar todo
os anos, durante
sua vida, uma vela
da sua altura para
o Santo. Pouco tempo
depois estava curado
da lepra.
Na cidade de Fano,
um jovem chamado
Bonuomo, que era
tido por todos os
médicos como
paralítico
e leproso, foi oferecido
por seus parentes
a São Francisco.
Limpo da lepra e
livre da paralisia,
obteve cura total.
Surdos e mudos
No povoado de Pieve,
havia um menino
paupérrimo,
que era completamente
surdo e mudo de
nascença.
Tinha a língua
tão pequena
que mal a puderam
ver muitos que tentaram.
Uma tarde foi a
casa de um conterrâneo
chamado Marcos e
lhe pediu por sinais
pousada. O homem
recebeu-o com alegria,
porque sabia que
aquele menino era
um serviçal
competente, rapaz
de boa índole.
Uma noite o homem
disse à esposa:
"Acho que seria
o maior milagre
de São Francisco
se lhe desse a audição
e a fala ao menino".
E acrescentou: "Prometo
ao Senhor Deus ,
que se São
Francisco se dignar
fazer isso por amor
dele terei especial
afeto com este menino
e lhe pagarei todas
as despesas por
toda sua vida".
Foi admirável,
pois um outro dia
o menino falou:
"Vejo São
Francisco de pé
aí em cima.
Veio para me dar
a fala" e respondeu
Marcos: "Louvaras
a Deus e salvaras
muitas pessoas".
Sua língua
cresceu e ficou
apta para falar.
Falamos pouca coisa
dos milagres de
São Francisco,
omitindo a maior
parte. Deixamos
aos que querem seguir
seus passos, que
busquem a graça
de uma nova benção.
Vitral localizado
sobre a porta de
entrada da grande
Basílica,
chamada: "A
Rosa".
Regra
Bulada da Ordem
dos Frades Menores
Esta Regra foi aprovada
em 1221 pelo Papa
Honório III.
Outra Regra não
Bulada foi aprovada
verbalmente pelo
Papa Inocêncio
III.O original desta
Regra com a aprovação
e assinatura papal
conserva-se atualmente
no Sacro Colégio
de Assis como preciosa
relíquia
e outra cópia
está no Vaticano.
1.- A Regra e a
vida dos Frades
Menores:
Observar o santo
Evangelho de Nosso
Senhor Jesus Cristo,
vivendo em Obediência,
Pobreza e Castidade.
Frei Francisco promete
obediência
e reverência
a Sua Eminência
o Papa Honório
e a seus sucessores,
canonicamente eleitos
e a igreja de Roma.
E os demais irmãos
estarão obrigados
a obedecer a Frei
Francisco e a seus
sucessores.
2 Dos que querem
abraçar esta
vida e de como devem
ser aceitos.
Devem visitar o
Ministro, para serem
encaminhados sobre
a fé e os
santos sacramentos.,
depois devem renunciar
a tudo o que possuem
e distribuir entre
os pobres.
Uma vez aprovados
se lhes dará
2 túnicas,
uma com capuz e
a outra sem, um
cordão, calças
e caparão.
Será um ano
de provas.
Não é
lícito sair
da Ordem, somente
com autorização
do Papa. Devem prometer
obediência.
Só em caso
de necessidade usar
calçados.
Sempre devem ser
pobres, nunca julgar
a quem se veste
com roupas delicadas
ou toma alimentos
ou bebidas finas,
mas antes julgue
cada um a si mesmo.
3 Do ofício
divino, do jejum
e da oração.
Rezar o ofício
divino, quem sabe
ler pode usar breviário,
os que não
sabem devem recitar
24 Pais Nossos pelas
Matinas, 5 pelas
Laudes, 7 pelas:
Primas, Terça,
Sexta e Noa, 12
pelas Vésperas,
7 pelo Completório
e rezem pelos defuntos
o Salmo 129 e para
o perdão
dos pecados por
Nosso Senhor Jesus
Cristo o Salmo 50
(Misere Mei). Estas
orações
não devem
ser negligenciadas
e devem ser realizadas
em todas as "Horas".
Obs.: "Hora"
é designação
para cada uma das
sete partes em que
se dividem as chamadas
Horas Canônicas
da Igreja: Matutinas
- Laudes - Prima
- Terça -
Sexta - Noa - Vésperas
e Completas.
Sobre o jejum, deve
ser praticado desde
a festa de Todos
os Santos até
a Natividade de
Nosso Senhor, na
Quaresma desde a
Epifania, em que
Nosso Senhor iniciou
seu jejum até
a Páscoa,
todas as sextas
feiras, em outras
épocas não
são obrigados.
Não é
sensato quem voluntariamente
enfraquece seu corpo,
primeiro devem trabalhar
no desenvolvimento
das virtudes.
4 Que os Irmãos
não recebam
dinheiro
Só os Ministros
recebem doações
para ajudar os pobres
e os doentes.
5 Do modo de trabalhar
Não aceitar
cargos de direção
, nem funções
que possam causar
escândalos.
Trabalhem com fidelidade
e devoção,
de maneira que afugentem
o ócio, inimigo
da alma e não
percam o espírito
de oração
e piedade.
Em pagamento pelo
trabalho recebam
o que for necessário
ao corpo, para si
e seus irmãos,
exceto dinheiro
de qualquer espécie;
façam isto
com humildade, como
convém à
servos de Deus e
seguidores da mais
santa pobreza.
6 De nada se façam
proprietários
os irmãos,
da mendicância
e dos irmãos
doentes.
Peçam esmolas
com confiança
no Senhor, não
se devem envergonhar
porque o Senhor
se fez pobre por
nós neste
mundo. E, se algum
deles cair doente,
os outros irmãos
o devem servir,
como gostariam de
ser servidos.
7 Da penitência
que se deve impor
aos irmãos
que pecam.
Os Ministros provinciais,
ou sacerdotes imponham
a penitência,
com caridade e misericórdia,
sem encolerizar-se,
sem ira.
8 Da eleição
do Ministro Geral
Todos os irmãos
devem ter sempre
um dos irmãos
desta Ordem como
Ministro e servo
desta fraternidade.
São então,
rigorosamente obrigados
a obedecer-lhe.
Todo ano possam
os ministros se
reunirem com seus
irmãos, na
festa de São
Miguel Arcanjo,
no lugar que lhes
aprouver, para tratar
com eles dos assuntos
que se referem a
Deus.
9 Dos pregadores
Devem pregar ao
povo, com a autorização
do Ministro Geral
desta fraternidade,
e por ele admitido
ao oficio da pregação,
seus sermões
devem ser ponderados
e piedosos, sempre
se fale dos vícios
e das virtudes,
o castigo e a glória,
com brevidade.
10 Da admoestação
e correção
dos irmãos
Os irmãos
que são Ministros
e servos dos demais
irmãos visitem
e admoestem a seus
irmãos e
corrijam-nos com
humildade e caridade,
não lhes
ordenando coisa
alguma que seja
contra sua alma
e a nossa Regra.
Os irmãos,
porém, que
são súditos,
lembrem-se de que
por amor a Deus,
renunciaram à
própria vontade.
Que os irmãos
se preservem de
toda soberba, inveja,
avareza, vanglória,
murmuração
e depreciação.
11 Que os irmãos
não entrem
em mosteiros de
freiras
Ordeno severamente
a todos os meus
irmãos que
não tenham
familiaridades ou
relações
suspeitas com mulheres,
nem entrem em mosteiros
de freiras exceto
aquele a quem foi
dada licença
especial da Santa
Sé Apostólica,
nem criem laços
com homens ou mulheres,
para que daí
não resultem
escândalos
entre irmãos.
12 Do castigo aos
desonestos
Se algum irmão,
por instigação
do demônio
cometer pecado de
impureza, seja privado
do hábito
da Ordem , que ele
já perdeu
por sua torpe iniquidade,
e, por isso, o deponha
definitivamente
e seja demitido
da Ordem e faça
penitência
de seus pecados.
13Da confissão
dos irmãos
e da recepção
do corpo e do sangue
do Nosso Senhor
Jesus Cristo
Os meus abençoados
irmãos, clérigos
e leigos, confessem
seus pecados aos
sacerdotes da nossa
Ordem. Se não
for possível,
confessem-se a outros
sacerdotes, prudentes
e católicos.
Se porém
não puderem
encontrar um sacerdote,
confessem-se a um
dos irmãos.
Recebam o corpo
e o sangue do Nosso
Senhor Jesus Cristo
com grande humildade
e respeito.
14 Dos irmãos
doentes
Se um dos irmãos
cair doente, os
outros irmãos
não devem
abandona-lo, estejam
onde estiverem,
sem designar um,
ou se necessário,
mais irmãos
para o servirem
como gostariam de
serem servidos.
Em caso de absoluta
necessidade, poderão
encarregar uma pessoa
de confiança
para cuidar-lhe.
Vista parcial da
cidade de Assis,
em primeiro plano
a Igreja de Sta.
Clara, ao fundo
o Mosteiro e a Basílica
de São Francisco.
15
Oração,
louvor e ação
de graças
Onipotente,
altíssimo,
santíssimo
Deus, pai santo
e justo,
Senhor e rei dos
céus e da
terra.
Por vossa santa
vontade e pelo vosso
único filho,
criastes no Espírito
Santo, todos os
seres espirituais
e corporais,
fizeste-nos à
vossa imagem e semelhança
(Gn. 1,26 - 2,15)
e nos colocastes
no paraíso
e nós caímos
por nossa culpa.
Rendemo-vos graças,
se por vosso Filho
nos criastes,
pelo mesmo verdadeiro
e santo amor com
que nos amastes
(Jo 17,26)
e fizestes nascer,
como verdadeiro
Deus e verdadeiro
homem,
da gloriosa, beatíssima,
santa e sempre Virgem
Maria,
e quisestes que
nós, cativos
fôssemos remidos
por sua cruenta
morte na cruz.
E damo-vos graças
porque o vosso mesmo
filho há
de voltar na gloria
de sua majestade,
para lançar
ao fogo eterno os
malditos que não
quiserem
fazer penitência
e não vos
reconheçam,
e dizer a todos:
Vinde, benditos
do meu Pai, tomai
posse do reino preparado
para vós
desde a criação
do mundo (Mt. 25,34).
Orações
de louvor a serem
recitadas em todas
as horas canônicas
Segundo atesta um
manuscrito de Assis,
São Francisco
mandava rezar estes
louvores a Deus
antes de cada hora
canônica,
dando aos irmãos
o melhor exemplo
neste sentido.
Esta forma de rezar,
servindo-se de orações
compiladas de textos
das Sagradas Escrituras
e da liturgia, é
bem típico
de São Francisco.
Pela sucessão
de idéias
e pelo estilo é
certamente da autoria
do Santo de Assis.
Damos aqui algumas
das orações
atribuídas
à São
Francisco:
Oração
Onipotente, santíssimo,
altíssimo
e soberano Deus,
que sois todo o
bem, o sumo bem,
a plenitude do bem,
nós vos tributamos
todo o louvor, toda
a glória,
toda a ação
de graças,
toda a exaltação,
e todo o bem.
Assim seja, Assim
seja.
Amém.
Oração
à Santa Virgem
Maria
Santa Virgem Maria,
não há
mulher nascida no
mundo semelhante
a vós,
filha e serva do
Altíssimo
rei e pai celestial.
Mãe de nosso
Senhor Jesus Cristo,
esposa do Espírito
Santo rogai por
nós
com São Miguel
Arcanjo e todas
as virtudes do céu,
e todos os Santos
junto à vosso
Santíssimo
e dileto Filho,
nosso Senhor e Mestre.
Amém.
Oração
diante do crucifixo
Segundo o testemunho
de alguns antigos
manuscritos, São
Francisco rezou
esta oração
no momento em que
estava diante do
crucifixo de São
Damião e
recebia o seguinte
encargo: "Francisco,
vai reconstruir
minha casa".
Ó
glorioso Deus, altíssimo,
iluminai as trevas
do meu coração,
Concedei-me uma
fé verdadeira,
uma esperança
firme e um amor
perfeito.
Dai-me Senhor, o
reto sentir, e conhecer,
a fim de que possa
cumprir
o sagrado encargo
que verdade acabais
de dar-me.
Amém.
Saudação
à Virgem
Maria
Esta saudação
tão singela
deixa entrever a
grande veneração
de São Francisco
pela Virgem Maria,
sua Mãe e
Senhora, cuja capelinha:
"da Porciúncula"
(Nossa Senhora dos
Anjos) fora o berço
da Ordem e se conservou,
através dos
séculos,
foco de piedade
Franciscana.
Salve
ó Senhora
Santa, Rainha Santíssima,
Mãe de Deus,
ó Maria,
que sois Virgem
feita igreja,
eleita pelo Santíssimo
Pai celestial,
que vós consagrou
por seu Santíssimo
e
dileto Filho e o
Espírito
Santo Paráclito.
Em vós residiu
e reside toda plenitude
da graça
e todo o bem.
Salve, ó
palácio do
Senhor!
Salve, ó
tabernáculo
do Senhor!
Salve, ó
morada do Senhor!
Salve, ó
manto do Senhor!
Salve, ó
serva do Senhor!
Salve, ó
mãe do Senhor!
E salve vós
todas, ó
santas virtudes
derramadas,
pela graça
e iluminação
do Espírito
Santo,
nos corações
dos fiéis,
transformando-os
de infiéis
em fiéis
servos de Deus!
Amém.
Cântico
das Criaturas
Quase moribundo,
compôs São
Francisco o Cântico
das Criaturas. Até
o fim da vida queria
ver o mundo inteiro
num estado de exaltação
e louvor à
Deus. No Outono
de 1225, enfraquecido
pelos estigmas e
enfermidades, ele
se retirou para
São Damião,
onde compôs
esta bela oração.
Louvado
seja Deus na natureza,
Mãe gloriosa
e bela da Beleza,
E com todas as suas
criaturas;
Pelo irmão
Sol, o mais bondoso
E glorioso irmão
pelas alturas,
O verdadeiro, o
belo, que ilumina
Criando a pura glória
- a luz do dia!
Louvado
seja pelas irmãs
Estrelas,
Pela irmã
Lua que derrama
o luar,
Belas, claras irmãs
silenciosas
E luminosas, suspensas
no ar.
Louvado
seja pela irmã
Nuvem que há
de
Dar-nos a fina chuva
que consola;
Pelo Céu
azul e pela Tempestade;
Pelo irmão
Vento, que rebrama
e rola.
Louvado
seja pela preciosa,
Bondosa água,
irmã útil
e bela,
Que brota humilde.
é casta e
se oferece
A todo o que apetece
o gosto dela.
Louvado
seja pela maravilha
Que rebrilha no
Lume, o irmão
ardente,
Tão forte,
que amanhece a noite
escura,
E tão amável,
que alumia a gente.
Louvado
seja pelos seus
amores,
Pela irmão
madre Terra e seus
primores,
Que nos ampara e
oferta seus produtos,
árvores,
frutos, ervas, pão
e flores.
Louvado
seja pelos que passaram
Os tormentos do
mundo dolorosos,
E, contentes, sorrindo,
perdoaram;
Pela alegria dos
que trabalham,
Pela morte serena
dos bondosos.
Louvado
seja Deus na mãe
querida,
A natureza que fez
bela e forte:
Louvado seja pela
irmã Vida
Louvado seja pela
irmã Morte.
Amém.
Cântico
do irmão
Sol
Quase cego, sozinho
numa cabana de palha,
em estado febril
e atormentado pelos
ratos, São
Francisco deixou
para a humanidade
este canto de amor
ao Pai de toda a
Criação.
A penúltima
estrofe, que exalta
o perdão
e a paz, foi composta
em Julho de 1226
no palácio
episcopal de Assis,
para pôr fim
a uma desavença
entre o Bispo e
o Prefeito da cidade.
Estes poucos versos
bastaram para impedir
a guerra civil.
A última
estrofe, que acolhe
a morte, foi composta
no começo
de Outubro de 1226.
Altíssimo,
onipotente e bom
Deus, Teus são
o louvor, a glória,
a honra e toda benção.
Só
a Ti, Altíssimo,
são devidos,
e homem
algum é digno
de te mencionar.
Louvado
sejas, meu Senhor,
com todas as Tuas
criaturas.
Especialmente o
irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos
ilumina.
Ele
é belo e
radiante,
com grande esplendor
de Ti, Altíssimo
é a imagem.
Louvado sejas meu
senhor,
pela irmã
Lua e as Estrelas,
que no céu
formastes claras,
preciosas e belas.
Louvado
sejas meu senhor,
pelo irmão
Vento, pelo ar ou
neblina,
ou sereno e de todo
tempo
pelo qual as Tuas
criaturas dais sustento.
Louvado
sejas meu senhor,
pela irmã
Água,
que é muito
útil e humilde
e preciosa e casta.
Louvado
sejas meu senhor,
pelo irmão
Fogo,
pelo qual iluminas
a noite,
e ele é belo
e jucundo
e rigoroso e forte.
Louvado
sejas meu senhor,
pela nossa irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e nos governa,
e produz frutos
diversos,
e coloridas flores
e ervas.
Louvado
sejas meu senhor,
pelos que perdoam
por teu amor
e suportam enfermidades
e tribulações.
Bem
aventurados os que
sustentam a paz,
que por Ti, Altíssimo
serão coroados.
Louvado
sejas meu senhor,
pela nossa irmã
a morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai
dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conforme à
Tua Santíssima
vontade,
porque a segunda
morte não
lhes fará
mal.
Louvai
e bendizei a meu
Senhor,
e daí lhes
graças
e servi-o com grande
humildade.
Amém.
Conclusão
A vida de São
Francisco de Assis
é repleta
de inúmeras
virtudes, o calor
de seu iluminado
espírito,
desejando sempre
imprimi-lo aos seus
queridos filhos,
o ardor na busca
devotada à
Paixão de
Jesus Cristo, são
gestos que impressionam
e são admirados
por toda a humanidade.
São Francisco
de Assis tudo transformava,
através do
amor universal,
humildade e compaixão.
O homem santo não
teme perder sua
pureza, no meio
dos impuros. Do
mesmo modo que Cristo
mostrou a via vivendo
entre os sofredores
e entre os humildes,
São Francisco
se mistura aos doentes,
aos desesperados
e aos pobres. E
é pelo esforço
constante em direção
à partilha
do que lhe é
dado com aqueles
que não têm
nada, que se fortificam
suas aspirações
e seus méritos,
ao mesmo tempo que
suas faculdades
espirituais.
Amava intensamente
a Deus e ao próximo,
vivia à luz
de uma fé
profunda, que compartilhava
com os pobres e
abandonados. Sua
vida era de orações
e sacrifícios,
para fundir-se com
Aquele que tanto
amava. Doava-se
com franca generosidade,
como se estivesse
doando-se ao próprio
Jesus.
São Francisco
era um místico
em toda a essência
da palavra, pois
tinha a total percepção
das personalidades
divinas, o contato
com o plano espiritual
era constante e
lançava-se
sem medo em direção
do Pai que lhe dava
a vida, em direção
ao Filho que lhe
dava o processo
intelectual através
do Verbo e através
do Amor, e ia em
direção
do Espírito
Santo que o iluminava
constantemente.
São Francisco
é um exemplo
para a humanidade,
seja durante a reflexão,
na meditação,
na angustia, na
dor ou no sofrimento.
Nele se encontra
o perdão,
tal como Jesus o
ensinou e a generosidade
para atuar na vida.
Que São Francisco
continue a ser um
exemplo de paz e
de serenidade para
todos àqueles
que procuram a luz
e que faça
reverberar em seus
corações
os resplendores
da Graça
Divina.
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