Henry
Slade, célebre
médium das
escritas nas lousas,
foi exibido publicamente
na América
durante 15 anos. Em
1876 ele foi à
Inglaterra, passando
antes pela Rússia,
a pedido da Sra. Blavatsky
e do Coronel Olcowt,
escolhido que fora
como médium
notável, para
fazer experiências
sobre a veracidade
dos fenômenos
espíritas.
Slade foi submetido
a testes durante várias
semanas por uma comissão
de cépticos
que em seu relatório
terminou por concluir:
"Eram escritas
mensagens nas faces
internas de duas lousas,
por vezes amarradas
e seladas juntas,
quando postas sobre
uma mesa, à
vista de todos; acima
das cabeças
de membros da comissão;
presas à parte
inferior do tampo
da mesa; ou, ainda,
nas mãos de
um membro da comissão,
sem que o médium
tocasse.
Logo após a
sua chegada a Londres,
Slade começou
a fazer sessões
com imediato sucesso.
Não só
a escrita era obtida
de modo evidente,
sob fiscalização
e com lousas dos próprios
assistentes, mas a
levitação
de objetos e a materialização
de mãos foi
observada sob intensa
luz do dia. O redator
do The Spiritual Magazine
escreveu: "Não
hesitamos em dizer
que o Mr. Slade é
o mais notável
médium dos
tempos modernos".
Tais sessões
ocorriam durante o
dia, a qualquer hora,
em seus aposentos
de pensão.
Cobrava 2O shillings
por sessão
e preferia que apenas
uma pessoa a assistisse.
Assim que o visitante
sentava começavam
os incidentes e terminava
em cerca de 15 minutos.
Com Slade não
havia preocupação
com as condições
ambientais e a observação
dos fenômenos
satisfazia inteiramente
aos assistentes. Com
ele tudo era rápido
e preciso, pois os
operadores invisíveis
sabiam exatamente
o que iam fazer em
cada ocasião
e o faziam com presteza
e precisão.
A primeira sessão
de Slade na Inglaterra
foi realizada a 15
de julho de 1876.
Em plena luz do dia
o médium e
os dois assistentes
ocuparam os 3 lados
de uma mesa comum
de cerca de 3 pés
de lado. Slade pôs
um pedacinho de lápis,
mais ou menos do tamanho
de um grão
de trigo, sobre uma
ardósia e segurou
esta por um canto
com uma das mãos,
encostando-a no tampo
por baixo da mesa.
Ouvia-se a escrita
na lousa e, examinada,
verificou-se que uma
curta mensagem fora
escrita. Enquanto
isso acontecia, as
4 mãos dos
assistentes e a mão
livre de Slade eram
agarradas no centro
da mesa. A cadeira
vazia no quarto lado
da mesa uma vez pulou
no ar, batendo o assento
na borda inferior
da mesma. Duas vezes
uma mão com
a aparência
de vida passou em
frente a Mr. Blackburn
(eminente espiritista),
enquanto ambas as
mãos de Slade
eram observadas. O
médium segurou
um acordeon de baixo
da mesa e, enquanto
se via claramente
a outra mão
sobre a mesa, foi
tocada a "Home
sweet home".
Finalmente os presentes
levantaram as mãos
cerca de 3O centímetros
acima da mesa e esta
ergueu-se até,
tocar as suas mãos.
Em uma outra sessão
no mesmo dia uma cadeira
ergueu-se cerca de
um metro e vinte,
quando ninguém
a tocava e, quando
Slade tinha uma mão
no espaldar da cadeira
de Blackburn, a mesma
elevou-se cerca de
meio metro acima do
solo. Durante 6 semanas
Slade deixou Londres
curiosa e agitada,
até que um
fato lamentável
viria a interromper
seus trabalhos.
No começo de
setembro de 1876 o
professor Ray Lankester,
com o Dr. Donkin tiveram
duas sessões
com Slade e, na segunda,
tomando uma lousa,
encontraram-na escrita,
quando se pensava
que nada tivesse sido
produzido. Ele era
absolutamente inexperiente
em pesquisas psíquicas,
do contrário
saberia que é
impossível
dizer o momento exato
em que se dá
a escrita nessas sessões.
Ocasionalmente uma
folha inteira parecia
precipitada num instante,
enquanto de outras
vezes o autor ouvia
claramente o ruido
do lápis, linha
por linha. Para Ray
Lankester, entretanto,
pareceu um caso típico
de fraude e ele escreveu
uma carta a The Times
denunciando Slade
e o perseguiu por
tomar dinheiro de
modo fraudulento.
Foram publicadas cartas
em resposta a
Lankester pelo Dr.
Alfred Wallace, pelo
prof. Barrett e outros.
O Dr. Wallace chamou
atenção
para o fato de que
o relato do Dr. Lankester
daquilo que acontecera
era extremamente diferente
do que lhe ocorreu
durante a sua visita
ao médium,
bem como o registro
das experiências
de Serjeant Cox, do
Dr. Carter Blake e
muitos outros, de
modo que o podia considerar
como um notável
exemplo da teoria
do Dr. Carpenter,
sobre as idéias
preconcebidas. Diz
ele:"O professor
Lankester foi com
a firme convicção
de que tudo que ia
assistir era impostura
e, assim, pensa que
viu imposturas".
Apesar do testemunho
de muitos admiradores
e também de
cientistas já
conhecedores da problemática
mediúnica,
o julgamento de Slade
se deu na Corte de
Polícia de
Bow Street. A acusação
esteve a cargo de
Mr. George Lewis e
a defesa foi feita
por Mr. Munton. As
provas sobre a autenticidade
da mediunidade de
Slade foram dadas
peloDr. Alfred Wallace,
por Serjeant Cox,
pelo Dr. George Wild
e outros, mas só
4 testemunhas foram
permitidas. O magistrado
classificou a prova
testemunhal como "esmagadora"
dada a evidência
dos fenômenos,
mas no julgamento
excluiu tudo, exceto
a acusação
de Lankester e de
seu amigo Dr. Donkin,
dizendo que era obrigado
a basear a sua decisão
em "interferências
deduzidas dos conhecidos
fatos naturais".
Uma declaração
feita pelo conhecido
mágico Maskelyne
de que a mesa usada
por Sladeera preparada
para truques, foi
desmascarada pelo
testemunho do carpinteiro
que a tinha feito.
Apesar disso, Slade
foi condenado nos
termos da lei contra
a vagabundagem a três
meses de pris±o
com trabalhos forçados.
Os espíritas
mostraram muita energia
na defesa de Slade.
Protestos, memoriais
a ministros, Fundos
de Defesa, solicitação
à Câmara
dos Comuns e até
cópias de protesto
foram enviadas à
rainha. Houve apelo
e ele foi solto sob
fiança. Slade,
cuja saúde
ficou seriamente afetada
com a prisão,
deixou a Inglaterra
dois dias depois.
Passado o episódio,
após sessões
de êxito em
Haya,Slade foi a Berlim
onde despertou o mais
vivo interesse. Dizia-se
que ele não
sabia alemão,
mas apareceram mensagens
nessa língua
sobre as lousas e
escritas em caracteres
do século XV.
O Berliner Fremdenblatt
publicou o seguinte:
"Desde a chegada
de Mr. Slade ao Hotel
Kronprinz, uma grande
parte do mundo culto
de Berlim vem sofrendo
de uma epidemia que
podemos chamar de
febre espírita".
Slade começou
por converter o proprietário
do hotel, usando suas
próprias lousas
e mesas. O chefe de
Polícia e muitas
pessoas eminentes
de Berlim testemunharam
a veracidade dos fenômenos
espíritas,
persuadidas da ausência
de fraudes.
Seguiu-se uma visita
à Dinamarca
e em dezembro começaram
as históricas
sessões com
o professor Zollner,
em Leipzig. Um relato
completo encontra-se
na obra de Zollner,
"Física
Transcendental".
Nessas experiências
estiveram outros homens
de ciência,
inclusive William
Edward Weber, professor
de Física;
o prof. Scheibner,
ilustre matemático;
Gustave Theodore Fechner,
professor de Física
e eminente filósofo
naturalista, todos
perfeitamente convencidos
da realidade dos fatos
observados, inclusive
de que não
havia impostura ou
prestidigitação.
Entre os fenômenos
contavam-se os nós
dados em uma corda
sem fim, o rompimento
das cortinas do leito
do prof. Zollner,
o desaparecimento
e imediato aparecimento
de uma pequena mesa,
descendo do teto em
plena luz, notando-se
a aparente imobilidade
de Slade durante essas
ocorrências.
Na Rússia,
depois de uma série
de êxitos nas
sessões de
São Petersburgo,
Slade retornou a Londres
por alguns dias e
então dirigiu-se
à Austrália.
Um interessante relato
do seu trabalho nesse
último país
foi o livro de James
Curtis "The Rustlings
in the Golden City".
Então voltou
à América.
Em 1885 compareceu
perante a Comissão
Seybert, em Filadélfia,
e em 1887 visitou
novamente a Inglaterra
sob o nome de Dr.
Wilson. Na maioria
de suas sessões
Slade demonstrou possuir
clarividência
e as mãos materializadas
eram coisa familiar.
Na Austrália,
onde as condições
psíquicas eram
boas, obteve materializações
mais amplas.
Slade foi um médium
perseguido pelos detratores
do Espiritismo. Com
tantos testemunhos
memoráveis,
com o excesso de provas
materiais de sua honestidade,
mesmo com a ostensividade
exagerada dos componentes
invisíveis,
demonstrando inequívocas
provas de suas existências
e atuações,
muitos por pura inveja,
despeito ou mesmo
maldade, o atacavam
em sua honra. Mas,
preconceito e ignorância
são armas usuais
no cotidiano dos fanáticos,
dos acomodados e dos
presunçosos.
Armas frágeis,
pois a ciência
com o seu avanço
contínuo as
derreterão
no ardente fogo da
comprovação
dos fatos espíritas.
«Revista
de Espiritismo»
nr. 41, Outubro/Dezembro
1998
«A
mente humana é
como o pára-quedas;
trabalha melhor aberta».
Charlie Chan (in «A
Enciclopédia
da Ignorância»,
p.31)
É
possível que
actualmente algumas
pessoas mais jovens
ignorem o que seja
uma ardósia.
Deve haver muita gente
que jamais viu este
objecto.
Trata-se
de uma pequena lousa
feita de uma lâmina
de pedra negra (xisto
argiloso, metamórfico,
de granulação
finíssima),
cujo nome é
mesmo ardósia.
A lâmina de
pedra é enquadrada
por um caixilho de
madeira. Antigamente
as crianças
aprendiam a escrever
e fazer contas nas
ardósias (este
era o nome comum dessas
lousas).
Para
se escrever na ardósia,
usava-se um lápis
feito do mesmo material,
porém um pouco
mais macio. A escrita
aparecia com caracteres
brancos e podia ser
facilmente apagada.
As ardósias
substituíam,
em grande parte, os
cadernos de papel,
usados actualmente
nas escolas.
O
médium e médico
americano, doutor
Henry Slade, de que
nos iremos ocupar,
caracterizava-se por
usar habitualmente
a ardósia para
obter as mensagens
dos espíritos.
A escrita era directa
e conseguida de uma
forma original. Pegava-se
em duas ardósias
colocadas juntas,
face a face. Os caixilhos
de madeira propiciavam
um espaço livre
entre as faces das
lâminas de pedra,
dentro da qual se
introduzia um pequeno
pedaço de lápis
de ardósia.
As duas lousas assim
juntas eram levadas,
seguras por uma das
mãos do médium,
sob o tampo de uma
mesa. Logo a seguir,
podia ouvir-se o ruído
do pedaço do
lápis sendo
atritado sobre as
lousas. Cessado o
ruído, as lousas
eram retiradas. Ao
abrir-se as duas ardósias,
geralmente encontrava-se
mensagens escritas
directamente pelos
espíritos.
Henry
Slade não era
o único médium
a usar este processo
para obter a escrita
directa; porém,
ele tornou-se conhecido
pela frequência
com que lançava
mão das lousas
de ardósia
nas suas demonstrações
de mediunismo. Em
muitas destas sessões,
Henry Slade foi testado
através da
escrita em ardósia.
Durante uma dessas
vezes, ele sofreu
graves consequências
relativas à
sua reputação
como médium.
Sessões
em Londres
Em 1876, Slade estava
no auge da fama. De
passagem por Inglaterra,
onde chegou dia 13
de Julho daquele ano,
deu várias
sessões em
Londres. É
preciso esclarecer
que as suas faculdades
não se limitavam
apenas à obtenção
da escrita directa
em ardósias,
conforme explicámos
antes.
Nesta
ocasião, as
lousas, além
de sobrepostas, eram
previamente seladas
e lacradas, a fim
de atender às
crescentes exigências
dos observadores cépticos.
E a escrita surgia,
assim mesmo. As mensagens
nas lousas constituíam
pequena parte do seu
repertório.
Slade,
além disso,
produzia materializações
parciais, movimentos
de mesas, ouviam-se
fortes pancadas nas
mesmas e em outros
lugares dos cómodos
(fenómeno de
troibismo). O próprio
médium era
levitado à
vista de todos. Mãos
invisíveis
tocavam instrumentos
musicais.
Finalmente,
provocava fenómenos
de "apport",
em que ocorria aparente
transposição
de objectos materiais
através de
obstáculos
de matéria
sólida.
Em
30 de Agosto de 1876,
um repórter
do «The World»
deu o seu depoimento,
num longo artigo.
Ele descrevia uma
sessão privada
e a plena luz, que
tivera com Slade,
declarando-se embaraçado
e perplexo por não
saber como explicar
os fenómenos
presenciados e por
ele descritos.
Não
era apenas o repórter
do «The World»
que se confessava
aturdido pelos factos
testemunhados na presença
de Slade. Cientistas
de renome como «lord»
Rayleigh, Alfred Russel
Wallace e Frank Podmore
também se renderam
à evidência
dos fenómenos
desencadeados graças
às faculdades
do famoso médium.
O
episódio das
lousas
Em Setembro do mesmo
ano de 1876, o professor
E. Ray Lankester,
membro da British
Association for the
Advancement of Science,
juntamente com o dr.
Donkin, resolveu desmascarar
o decantado agente
paranormal.
Naquela
ocasião, cobrava-se
o ingresso para assistir
a uma sessão
mediúnica.
Lankester e o seu
companheiro, dr. Donkin,
pagaram uma libra
cada um era
este o preço
do ingresso.
Na
primeira sessão
limitaram-se a presenciar
os factos. O ponto
fraco, pensaram eles,
devia estar no fenómeno
das lousas de ardósia.
Era ali que poderiam
descobrir-se a má-fé,
a trapaça do
médium. Voltaram
uma segunda vez. A
sessão desenrolava-se
na sua forma habitual,
mas quando o médium
recebeu nas suas mãos
as lousas fechadas
e lacradas, o prof.
Lankester subitamente
arrebatou-as das mãos
de Slade, antes que
ele tivesse iniciado
a operação
habitual para obter
a escrita directa,
colocando-as sobre
a mesa.
Estabeleceu-se
um tumulto. A sessão
foi logo interrompida.
As ardósias
foram abertas e...
lá encontrou-se
uma mensagem já
escrita!
Para
Lankester e Donkin
alestava a prova da
fraude! Aquele facto
foi o quanto bastou
para pôr em
dúvida a validade
dos diversos outros
fenómenos testemunhados
por todos os demais
observadores.
Lankester
move uma acção
contra Slade
A questão das
ardósias não
ficou nisso. Lankester
sentiu-se lesado na
sua boa-fé
e no seu bolso; imediatamente
moveu uma acção
judicial contra Slade:
além do processo,
publicou um relatório
no «The Times»,
em 16 de Setembro
daquele ano. A acção
judicial proposta
alegava que o médium
estava a obter dinheiro
à custa de
simulações.
O interessante é
que Lankester foi
assistir às
sessões por
duas vezes. Se houvera
desconfiado na primeira,
por que tornou a gastar
mais uma libra para
ser novamente ludibriado?
Formou-se,
em torno do caso,
um debate. Surgiram
pessoas a favor e
contra Slade. O próprio
médium defendeu-se
alegando que as lousas
foram arrancadas das
suas mãos quando
a mensagem já
estava a ser escrita.
Ele ouvira o ruído
e procurara alertar
os assistentes, mas
as suas palavras não
foram entendidas devido
à confusão
estabelecida dali
em diante.
O
julgamento de Slade
Em 1 de Outubro de
1876, o caso de Slade
foi o julgamento da
"Bow Street Police
Court". Os acusadores
arrolaram como testemunhas
pessoas que não
puderam ser aceites
por se acharem irregulares.
Entre estas últimas
incluía-se
um membro da Royal
Society, dr. V. B.
Carpenter.
Por
fim, um apenas estava
em condições
de ser credenciado
a depor: R. M. Hutton.
Por incrível
que pareça,
esta testemunha até
depôs a favor
do acusado!
Para
a defesa, o juiz só
admitiu o depoimento
de quatro testemunhas
de entre as inúmeras
que se apresentaram.
Entre os escolhidos
pelo magistrado, figuravam
o prof. Alfred Russel
Wallace, Sergeant
E. W. Cox, o dr. George
Wyld e mais um outro.
Todos eles, naturalmente,
depuseram favoravelmente
a Henry Slade, declarando-se
convencidos da legitimidade
das faculdades deste
médium. O próprio
juiz considerou que
os depoimentos contra
a acusação
eram esmagadores.
Entretanto, achou
de seu dever condenar
o acusado pelo "crime
de tentar alterar
o curso das conhecidas
leis da natureza".
Baseado nos depoimentos
de Lankester e de
Donkin, condenou Slade
a três meses
de prisão com
trabalhos forçados!
Slade apelou da sentença
e obteve a sua anulação.
Lankester
tentou novo processo,
"no interesse
da ciência",
segundo ele.
Slade
deixa a Inglaterra
Antes que Lankester
entrasse com a segunda
acção
contra Slade, este,
desgostoso, abandonou
a Inglaterra. A sua
saúde estava
seriamente abalada.
Seguiu para Praga.
Mais
tarde, escreveu, de
lá, a Lankestre,
oferecendo-se para
ser por ele submetido
a provas rigorosas.
A proposta de Slade
isentava Lankester
de qualquer obrigação
de uma retratação
pública, caso
verificasse a legitimidade
das suas faculdades
paranormais.
O
prof. Ray Lankester
nunca respondeu à
carta de Slade...
Zoellner
estuda Slade
Em Dezembro de 1877,
o dr. Johan Karl Friedrich
Zoellner (1834-1882),
professor de Física
e Astronomia da Universidade
de Leipzig, fez uma
série de experiências
com o médium
Henry Slade.
Além
de Zoellner, assistiram
a essas experiências
vários cientistas
de renome na Alemanha:
dr. Wilheim Edward
Weber, prof. de Física;
dr. W. Scheibner,
prof. de Matemática;
dr. Gustav Friedrich
Fechner, filósofo
e prof. de Física.
Slade
ficou hospedado em
casa de um dos amigos
do prof. Zoellner,
o barão Von
Hoffmann. A maior
parte das experiências
foram feitas nessa
residência.
Dia
17 de Dezembro de
1877, pela manhã,
Zoellner, seus colegas
acima mencionados
e mais outras pessoas
presenciaram os primeiros
fenómenos provocados
por Slade.
O
prof. Zoellner e o
prof. W. Weber haviam
preparado quatro cordas
cujas respectivas
duas pontas foram
solidamente atadas
uma à outra.
Escolhida uma dessas
quatro cordas, ela
foi presa pelo nó
à beirada de
uma mesa, com lacre
fundido e marcado
por sinete, no mesmo
local. O prof. Zoellner
sentou-se frente à
corda presa, tendo
o restante da mesma
caído sobre
o seu colo. As mãos
de Zoellner apoiavam-se
espalmadas sobre a
beirada da mesa, tendo
os seus polegares
colocados lado a lado
do nó lacrado.
Slade
sentou-se noutra cadeira
próxima ao
prof. Zoellner, apoiando
também as mãos
sobre a mesa. Num
dado instante, à
vista de todos e à
plena luz do dia,
pois era de manhã,
surgiram quatro nós
no corpo da corda!
Durante o evento,
o médium parecia
alheio ao ambiente,
como que distraído,
e não tocou
nem uma única
vez na corda.
Zoellner
propôs duas
hipóteses para
explicar os nós
dados na corda sem
pontas livres. A primeira
seria a transposição
da matéria
através da
própria matéria,
graças a uma
rápida desmaterialização
das fibras, em determinados
pontos da corda, seguida
da sua rematerialização.
Seres invisíveis
que fossem capazes
de fazer isso, poderiam
realizar os nós,
dentro do nosso espaço
físico.
A
segunda hipótese
seria admitir-se a
existência de
uma quarta dimensão
situada num espaço
contíguo ao
nosso. Neste espaço
operariam seres, também
com propriedades tetradimensionais.
Tais seres seriam
capazes de efectuar
movimentos de objectos
ao longo das quatro
dimensões.
Nesta
segunda hipótese,
os nós poderiam
ser executados por
tais seres, sem necessidade
de desmaterializar
a corda em qualquer
ponto. Bastar-lhes-ia
puxar um trecho da
corda para a quarta
dimensão, dar-lhe
um certo número
de laçadas
e retorná-lo
para o nosso espaço
físico novamente.
Esta hipótese
foi confirmada em
8 de Maio de 1878,
quando Zoellner fez
a mesma experiência
com correias de couro
cujas pontas foram
também atadas
e lacradas. Os nós
surgiram nas correias;
porém, estas
mostraram-se torcidas
após a realização
dos nós. Isto
significa que não
houve transposição
de matéria
e sim torção
das tiras de couro,
devido provavelmente
às laçadas
efectuadas numa quarta
dimensão, por
seres incorpóreos.
Zoellner
obteve duas argolas
de madeira, prendeu-as
a um grosso fio de
«categute»
cujas pontas foram
atadas e lacradas.
Slade colocou as suas
mãos espalmadas
sobre o tampo da mesa,
tendo dependurada
nos seus pulsos a
tira de «categute»
com as duas argolas
de madeira. Passados
alguns instantes,
sentiu-se um cheiro
de substância
queimada, e as duas
argolas desapareceram
do fio de «categute»,
indo alojar-se enfiadas
na haste central duma
mesinha circular.
O tampo e o tripé
de base desta pequena
mesa mantinham-se
solidamente fixos
na haste central onde
as argolas foram enfiadas,
não se sabe
como! Esta experiência
foi feita de dia,
à luz clara,
sob as vistas de todos
os assistentes. As
argolas estavam perfeitas.
Uma
outra pequena mesa
desapareceu por seis
minutos, à
luz do dia, estando
o médium sob
absoluto controlo.
O móvel reapareceu
em pleno ar, caindo
sobre outra mesa.
Na ocasião
a mesinha passou de
raspão sobre
a cabeça de
Zoellner, batendo-lhe
com o tampo e ocasionando-lhe
uma dor que durou
mais de quatro horas.
Moedas
colocadas em caixas
fechadas e lacradas
saíram do seu
interior, atravessando
o tampo duma mesa,
para cair sobre uma
lousa colocada sob
o móvel, ao
mesmo tempo em que
era escrita uma mensagem
na ardósia.
Para
todas estas experiências,
Zoellner teve como
explicação
a existência
duma quarta dimensão
de espaço,
bem como a actuação
de seres capazes de
se locomoverem e actuarem
ao longo duma transaltura.
(Zoellner, J. K. F.
«Provas
Científicas
da Sobreviência»,
São Paulo:
Edicel, 1966).
A
Seybert Commission
Em fins do século
XIX, um espiritualista
da Filadélfia,
EUA, de nome Henry
Seybert, deixou um
legado de 60 mil dólares
à Universidade
de Pensilvânia.
De acordo com o testamento,
este dinheiro destinava-se
à manutenção
de uma cátedra
na dita universidade,
a ser conhecida como
Cátedra de
Filosofia Moral e
Intelectual Adam Seybert.
O responsável
pela cadeira deveria,
ou individualmente
ou em conjunto com
uma comissão
da própria
universidade, fazer
uma completa e imparcial
investi-gação
de todos os sistemas
de moral, religião
ou filosofia que admitem
representar a verdade,
e particularmente
do moderno espiritualismo.
(Fodor, N. «Encyclopaedia
of Psychic Science»,
New York: University
Books, 1974, p. 31).
Em
Março de 1884,
formou-se uma comissão,
obedecendo à
vontade expressa do
testador. O testamenteiro
era Thomas R. Hazard,
amigo pessoal de Henry
Seybert. A referida
comissão tomou
o nome de Seybert
Commission e estava
predestinada a tornar-se
famosa, como iremos
ver.
Até
1887 a comissão
não havia encontrado
nada de verdadeiro
no campo dos fenómenos
espiritualistas. Os
seus relatórios
preliminares foram
inteiramente negativos.
Daí em diante,
não foi publicado
nenhum estudo conclusivo
e nem as investigações
foram reencetadas.
As poucas vezes que
a comissão
procurou investigar
os fenómenos
espiritualistas, ela
fê-lo de maneira
totalmente contrária
à orientação
testamentária.
Thomas
R. Hazard recebera
instruções
de Henry Seybert no
sentido de conduzir
correctamente as pesquisas.
O testamenteiro deveria
designar os médiuns
a serem consultados
e rejeitar a assistência
de pessoas cuja presença
pudesse perturbar
a harmonia e a boa
ordem dos círculos
espiritualistas. (Opus
cit. P. 342).
Quem
tem alguma experiência
no trato com os sensitivos
sabe perfeitamente
a importância
desta condição.
O verdadeiro médium
sofre intensamente
a acção
inibida dos pensamentos
e da disposição
hostil de uma assistência
mal intencionada.
Pelo
que se deduz das actividades
da Seybert Commission,
descritas nos seus
relatórios,
os seus investigadores
achavam-se inteiramente
despreparados para
semelhantes investigações.
Ao contrário
do que faria um legítimo
pesquisador, partiam
de preconceitos rigidamente
estabelecidos. Para
eles, todos os fenómenos
espiritualistas eram
pura fraude que, mais
cedo ou mais tarde,
acabaria por ser descoberta.
Ao encetarem uma investigação,
esqueciam-se de observar,
registar e medir cuidadosamente
os factos e as circunstâncias
que rodeavam os fenómenos.
Não procuravam
fazer variar um a
um os possíveis
factores causais,
para observarem as
correspondentes alterações
nos eventos. Entravam
em cena, atabalhoadamente,
como crianças
que brincam às
escondidas: ao sinal
de «Pronto»,
saem a correr e vasculham
aleatoriamente todos
os recantos, em busca
do objecto escondido.
O objecto visado era
sempre o desmascaramento
dos médiuns
e a desmistificação
dos seus adeptos.
Tinham de encontrá-lo
a qualquer custo,
ainda que fosse necessário
inventá-lo.
Era uma autêntica
caça às
bruxas.
Slade
cai nas malhas da
comissão
Parece que o interesse
da Seybert Commission
em desmascarar o médium
Slade foi suscitado
por um artigo de J.
W. Truesdell, publicado
no «Botton Facts
of Spiritualism»,
Nova Iorque, 1883.
Neste artigo, Truesdell
alegava haver apanhado
Slade em fraude. A
história narra
um "incidente
humorístico"
que ter-se-ia dado
durante uma das sessões
de Slade. Truesdell
conta que descobrira
uma lousa com uma
mensagem já
preparada, na sala
de reunião.
Subrepticiamente,
acrescentou outra
mensagem de sua lavra:
"Henry, cuidado
com este fulano; ele
está de olho
em si Alcinda."
Mais tarde, quando
a mensagem adulterada
foi revelada, Truesdell
divertiu-se ao notar
o desapontamento do
médium.
Em
1885, o médium
foi submetido à
investigação
da Seybert Commission,
em Filadélfia.
A
carreira de Slade
foi sempre muito acidentada.
Como todo o sensitivo
de alta potencialidade,
sempre sofreu os percalços
da fama e do descuido
relativamente às
condições
da sua faculdade.
Dificilmente um médium
mantém constante
o nível de
sua produção.
Toda a mediunidade
apresenta flutuações
e, quase sempre, entra
em declínio
no fim da vida. Embora
existam, raros são
aqueles que conseguem
manter o equilíbrio
durante toda a existência.
Particularmente, os
médiuns de
efeitos físicos
são os mais
vulneráveis.
O declínio
das suas faculdades
paranormais muitas
vezes arrasta-os à
fraude, num desesperado
esforço para
manter o seu prestígio
e satisfazer as exigências
do daninho cortejo
humano que se cria
ao seu redor. Por
fim, acabam caindo
numa ou noutra armadilha
preparada por inimigos
gratuitos.
Na
sua queda arrastam
também aqueles
que os investigaram
seriamente quando
ainda produziam fenómenos
autênticos,
deitando por terra
todo um labor penoso
de pesquisas pacientes
e criteriosas, arruinando
a reputação
de sábios honestíssimos.
Com isto, retardam
desastradamente o
avanço da ciência.
Provavelmente,
quando a Seybert Commission
o apanhou, Slade já
devia estar a notar
o declínio
da sua mediunidade.
Rodeado por investigadores
hostis e exigentes,
ele poderia ter cometido
alguma falha ou, o
que é mais
plausível,
terse-ia envolvido
nas teias de uma cilada
ardilosamente preparada.
O
resultado foi um relatório
inteiramente negativo
por parte da comissão.
As suas declarações
à comissão
incluíram as
sessões que
ele tivera com o prof.
Zoellner.
Zoellner
também nas
garras
Diante das declarações
de Slade, a comissão
incumbiu o prof. Fullerton
da tarefa de ir à
Alemanha para entrevistar
os colegas do prof.
Zoellner, visando
obter deles declarações
que pudessem desacreditar
as suas conclusões
favoráveis
a Slade. Era a caça
às bruxas.
Todo o expediente,
por mais vil e desonesto
que fosse, estaria
justificado pelos
fins que se pretendia
atingir.
Em
1886, Fullerton entrevistou
Wundt, Fechner e Scheibner,
professores da Universidade
de Leipzig e Weber
da Universidade de
Goettingen. Com excepção
do prof. Weber, os
demais professores
foram habilmente levados
a concordar que as
condições
mentais de Zoellner
não eram normais.
Ao
mesmo tempo, Fullerton
estabeleceu, através
de testemunhas cruzadas,
que Fechner estava
parcialmente cego;
que Scheibner também
sofria da vista e
tinha dúvidas
quanto ao seu próprio
julgamento relativo
aos fenómenos.
Quanto a Weber, este
estava em idade avançada
e não sabia
das deficiências
dos seus companheiros.
Depois
destas patifarias,
é desnecessário
dizer que o relatório
da Seybert Commission
foi recebido com indignação
pelos espiritualistas.
A
reacção
contra a comissão
e a morte de Zoellner
O testamenteiro, Thomas
R. Hazard, foi o primeiro
a protestar contra
a falta de ética
da Seybert Commission
e contra os sórdidos
métodos por
ela empregados, em
total desacordo com
a intenção
do testamento.
Seguiu-se-lhe
A. B. Richmond, membro
do tribunal de Pensilvânia,
que escreveu dois
livros criticando
a comissão.
Logo após,
Podmore, através
de um artigo publicado
no «Modern Spiritualism»,
denunciou a Seybert
Commission como delapidadora
dos fundos legados
por Seybert, bem como
por divergir da orientação
testamentária
concernente aos objectivos
a serem seguidos por
ela.
Na
Alemanha também
houve reacção.
O barão Hellenbach,
num artigo publicado
em «Nascimento
e Morte», descreveu
a sua decepção
e amargura diante
da atitude dos colegas
de Zoellner. Entretanto,
Zoellner manteve-se
na posse do seu intelecto,
até aos seus
últimos momentos,
disse ele.
Numa
carta datada de 7
de Novembro de 1903
e enviada ao doutor
Isaac Funk, editor
e investigador psíquico
em Nova Iorque, em
resposta à
sua indagação
acerca de Zoellner,
o doutor Karl Bucher,
Magnífico Reitor
da Universidade de
Leipzig, afirmou que
a informação
recebida dos colegas
de Zoellner estabelece
que, durante todos
os seus estudos, aqui
na Universidade, até
à sua morte,
ele se manteve mentalmente
sadio; mais ainda:
em perfeita saúde.
A
causa da sua morte
foi uma hemorragia
cerebral, na manhã
do dia 26 de Abril
de 1882, quando tomava
o pequeno-almoço
com a sua mãe,
em razão da
qual veio a falecer
logo após.
Zoellner
nasceu em 1834. Faleceu,
portanto, com 48 anos
de idade, razoavelmente
jovem ainda. Quando
iniciou as suas experiências
com Slade, em 1877,
estava com 43 anos.
É
bem provável
que as declarações
atribuídas
aos colegas de Zoellner
tenham sido ou forjadas
ou maliciosamente
induzidas por Fullerton,
à custa de
intrigas bem urdidas
por este. Verifica-se
esta possibilidade
devido à mútua
desmoralização
atribuída àqueles
professores.
Henry
Slade terminou os
seus dias de vida
como alcoólico,
inteiramente despojado
das suas faculdades
mediúnicas.
Faleceu em dolorosa
decrepitude física
e mental, no sanatório
Michigan, em 1905.
A vida tumultuada
de Slade encerra uma
grande lição
e uma advertência
aos médiuns
invigilantes.
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