Mulher
de 30 anos, solteira, tinha baixa auto-estima
e sentimento de desvalorização. Desde
criança não gostava de seu corpo, evitava
se olhar no espelho e sentia que “exalava
um mau cheiro” como se o seu corpo estivesse
podre, em decomposição. Ao regredir,
se viu no Ano 33 D.C. em Roma. Era filha
de um homem rico do campo. Costumava
ir às festas nas cidades e uma de suas
diversões era procurar cristãos para
que fossem capturados e posteriormente
entregues aos leões famintos nas Arenas.
Adorava vê-los sendo devorados pelos
animais.
E numa dessas matanças, no meio da arena,
um desses cristãos, um homem de barba,
alto, forte, moreno a viu no meio da
multidão. Era como se ele soubesse que
fora ela quem o delatou. Ela dizia aos
soldados onde os cristãos se reuniam.
O olhar fixo e penetrante dele a incomodava.
Ele morreu sereno. Subitamente,. gemendo
de dor, ela me diz: “Ai que dor no peito!
Estou com o corpo cheio de bolhas que
estão me consumindo. Doem os rins! Eu
não agüento de tanta dor!. Estou me
vendo numa caverna. Sou morena, tenho
1,70 m, cabelos cumpridos, pretos, olhos
verdes e tenho 27 anos. Estou sofrendo
do “Mal dos Hebreus” (lepra). A gente
vai perdendo as extremidades. É como
se os nervos fossem se “encolhendo”.
Eu perdi a visão, perdi tudo, sinto
bolhas, crostas no meu corpo. Perdi
a dignidade e o respeito. Eu morava
numa casa no alto da colina onde ficavam
os nobres. Vivi nesta casa até ter contraído
a “Praga dos Hebreus”. Foi quando me
trouxeram na caverna. Minha mãe tomou
veneno quando soube que eu estava na
caverna... Ela se matou. Eu não consigo
ter paz. Ai que dor no peito! Eu não
enxergo. Não sei mais onde está a comida.
Sinto que não tenho mais as mãos para
comer. Embora aquele cristão me olhasse
com firmeza naquela arena, seu olhar
não era de ódio, mas de compaixão.
Eu queria ter morrido da forma como
ele morreu. O cheiro é horrível, de
podre, de enxofre!!! Eu devo estar muito
mal porque aqueles que ainda andam conseguem
pegar comida. Estou com dificuldades
de comer e beber. Que dor no peito e
nos rins!!!. Falta ar. Eu quero morrer!!!
(começa a chorar). Peço para que ela
avance mais na cena e vá para o momento
de sua morte. Ela diz: “Eu pedi perdão
para ele (o cristão que morreu na Arena).
Ele estava presente. Eu já estou morta.
Eu comecei a ter falta de ar. Tudo começou
a girar até que eu senti dois braços
me segurando firmemente. Estava de pé
na frente do cristão. Seu cabelo é um
pouco comprido, seus olhos são pretos.
Eu olhei nos olhos dele e vi refletido
o meu corpo deitado, todo apodrecido.
Eu tinha ataduras na cabeça. Eu lhe
pergunto: “por que você não está rindo
de mim já que eu ri quando você morreu”?
Ele disse que ainda era cedo para eu
ter respostas e que eu precisava descansar.
Era tão bom ficar do lado dele. Eu não
queria dormir. Ele falou que eu podia
confiar nele e que ao acordar, não iria
mais ver aquela caverna e meu corpo
podre.
Eu iria ver um outro lugar, muito bonito.
O sono acabou me vencendo. Adormeci.
Acordei meio confusa num outro lugar.
Senti a minha mão passar no meu rosto.
Para a minha surpresa, estava enxergando.
Em seguida, ele entrou nesse lugar.
Eu não entendo como ele não tem raiva
de mim e ainda por cima quer me ajudar?.
Como ele está inteiro se eu o vi sendo
estraçalhado pelo leão? Acho que estou
na terra dos deuses. Sempre me disseram
que os deuses não morrem. Ele cuida
de mim. Me deu água e mostrou o jardim.
Estou caminhando ao lado dele. Vejo
as colinas diferentes. É um outro brilho,
outra cor. É que nunca parei para observar
as coisas simples.
Ele me diz que a morte não existe. Ele
pegou uma semente e disse que ela cai
na terra, se transforma, morre e renasce
novamente. Ele explica que a vida é
um eterno aprendizado e que a flor tem
que morrer, germinar para ficar com
mais resistência às coisa externas.
Se existe o Sol, a noite é também necessária
para fortalecer a flor.
Foi assim que aconteceu com ele também.
Todo aquele corpo ensangüentado, foi
assimilado pelo solo. A planta nunca
morre, só muda a forma por um tempo.
A natureza vai esculpindo a beleza das
flores. É tão bom ficar ao lado dele.
Ele diz: “Daqui a algum tempo você vai
florir, nascer de novo. Vai voltar a
viver para ajudar as pessoas a viverem.
”Em seguida, ele pede para eu olhar
para o Sol. Ele me lembra que todos
os dias, o Sol nasce e se põe. E que
tudo na natureza obedece as leis perfeitas,
que tudo é cíclico. Da mesma forma,
nós, seres humanos fazemos parte também
dos ciclos da natureza. E como eu estou
agora, é a hora da Lua, do repouso.
Diz que a gente vai nascer quantas vezes
for preciso para desenvolver a nossa
consciência. Somos eternos! A morte
é só uma mudança de estado. Continuamos
a ser os mesmos, com as mesmas idéias,
afetos e sentimentos. Somos espíritos
eternos. A morte não é o fim! A vida
continua”.
Agora, ele diz que vai me deixar para
eu ficar observando a natureza. Eu não
quero que ele vá embora, mas ao mesmo
tempo quero ficar sozinha para entender
como o meu corpo está inteiro de novo
se antes estava podre. Eu começo a andar
pelos jardins, pelas colinas. Eu quero
refletir no que ele me falou. Percebo
que todas as pessoas têm o mesmo sorriso
de paz nesse lugar. Eu só convivi com
pessoas que riam debochando, de forma
sarcástica daqueles seres humanos que
morreram vitimados pelos leões. Eu tinha
prazer de ver essas pessoas gritando,
gemendo de dor. Agora entendo porque
na vida atual quando fico feliz sempre
espero uma desgraça”.
A paciente me lembrou também que na
vida atual chegou a se submeter a uma
biópsia porque suspeitava que estava
com lepra, já que não sentia sensibilidade
tátil. O resultado do exame deu negativo.
Após essa sessão de regressão, ela passou
por mais cinco sessões. Fizemos também
um trabalho de reprogramação mental
para que ela se permitisse ser feliz
sem que tivesse receio de que alguma
desgraça acontecesse em sua vida. A
paciente acabou se libertando das amarras
de seu passado. E, pela primeira vez
em sua vida, se viu no espelho sem aquela
incômoda sensação de ”exalar” um mau
cheiro de um corpo apodrecido.
Osvaldo
Shimoda é terapeuta e trabalha com
técnicas de hipnose e terapia de Vidas
Passadas em seu consultório em São
Paulo.
Email: shimoda@vidanova.com
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