Mulher
de 40 anos, solteira, me procurou pelo
fato de viver insatisfeita consigo e
com a vida.
Faltava um sentido de vida, vivia por
viver. A depressão era uma constante
e não tinha consciência do motivo dessa
insatisfação. Sua vida se resumia em
casa e trabalho.
Havia um desânimo muito acentuado em
função dessa insatisfação.
Era muito dura consigo mesma e com os
outros, vivia se criticando e criticando
os outros, sentia-se culpada sem motivo
aparente.
Era uma pessoa extremamente perfeccionista,
procurava fazer as coisas de forma certa
e não admitia erros. Se algo não desse
certo, caia numa profunda depressão
e sentimento de culpa.
Tinha também constantes acessos de tosse.
Embora tivesse procurado vários especialistas,
não obteve sucesso no tratamento. Os
médicos diagnosticaram sua tosse como
sendo de origem emocional.
Ao regredir, começou a tossir e ter
dificuldades de respirar e se viu deitada
num leito com vários médicos à sua volta.
Vestia uma roupa branca, tinha cabelos
pretos, era magra, franzina, aparentando
ter uns 30 anos de idade.
Estava muito debilitada, sem forças.
Pedi para que ela prosseguisse na cena
e avançasse mais adiante. Subitamente
se viu dentro de um carro e me disse:
“Sofri um acidente, vejo as ferragens,
estou dentro do carro, está tudo escuro”.
O carro está pegando fogo. A fumaça
está muito intensa. Estou inalando essa
fumaça (volta a tossir fortemente).
Parece que têm mais gente comigo. Estou
preocupada com alguém.
Parece um bebê. É o meu bebê!!! (começa
a gritar e chorar). Ele morreu!!! Eu
estava dirigindo. Eu devo ter matado
o meu bebê.
”A paciente chora copiosamente e diz
ter sentido muita culpa por ter provocado
esse acidente. Em seguida, se vê novamente
no leito do hospital e prossegue no
relato de sua vida passada. “Estou segurando
o meu bebê nos meus braços, deitada
na cama. Estou acariciando-o .
Vem alguém e tira o nené de meus braços.
É a enfermeira que o leva embora. Me
vejo só. A impressão é que o nené está
morto”.
Peço novamente para que ela prossiga
na cena e a adiante mais para ver o
que foi que aconteceu com ele. Ela me
diz: “Continuo no hospital, sentada
no leito, cabisbaixa e chorando muito.
É muita dor, sentimentos de perda, solidão,
angústia e culpa”. Ela identifica o
pai da criança como sendo um colega
que trabalha com ela na vida atual.
“É uma pessoa para quem nutro um sentimento
muito forte”, comenta.
Prossegue em seu relato: “Estou no cemitério,
estou fraca, alguém está me segurando.
Estou indo para o enterro do meu bebê.
Estou muito magra, uso a mesma roupa
do hospital, uma camisola branca. O
pai da criança está comigo. Vejo o caixão
do nené, é branco. Caminho em direção
à cova.
Tem um gramado, vejo muitas cruzes.
Estou muito triste”.
Peço para que ela me diga qual o país
e o ano que ela viveu. Ela me diz:
“Suécia é o país que veio na minha mente
e o ano é 1930. Agora estou entendendo
o motivo de me sentir tão culpada na
vida atual. Entendo também o porquê
de eu ser tão crítica comigo e de ser
perfeccionista.
Eu não me permito errar. Tenho que fazer
tudo certo. Na verdade, ainda estou
me cobrando e me culpando pela morte
do meu bebê. Me sinto culpada pelo fato
de não ter salvado a criança.
Continuo carregando essa culpa na vida
atual. Fica claro também a causa dessa
crise de tosse, essa falta de ar que
costumo sentir. No acidente, vejo muita
fumaça preta, o carro pegou fogo. Perdi
a direção na estrada à noite e caí na
ribanceira.
Estava dentro do carro com a criança
nos braços, desesperada, gritava por
socorro. Por fim os bombeiros nos socorreram.
Eu sempre acho que a culpa é minha quando
algo dá errado. Vem sempre o pensamento:
Fui eu que não fiz as coisas certas”.
No final da sessão eu sabia que havíamos
atingido o alvo e descoberto a verdadeira
causa de sua insatisfação, sentimento
de culpa e as crises constantes de tosse.
Foram necessários mais cinco sessões
para que ela regredisse àquela vida
e passássemos e repassássemos cada trecho
do acidente e se desvinculasse emocionalmente
da morte de seu bebê.
Por fim, no findar da última sessão,
ela conseguiu descrever a cena com absoluta
serenidade e objetividade.
Ela reagiu às recordações do acidente
não mais com tristeza e sentimento de
culpa, mas como um fato que ocorrera
em sua vida passada e que não tinha
mais nenhuma ligação com a vida presente.
As
tosses, a depressão, o sentimento de
culpa, não mais a incomodaram. As crises
de tosse que ela sentia constantemente,
desapareceram por completo.
Ela
passou também a reformular suas atitudes
com relação ao seu perfeccionismo, sendo
mais tolerante consigo e com as pessoas.
Demos por encerrado o nosso trabalho.
Osvaldo
Shimoda é terapeuta e trabalha com técnicas
de hipnose e terapia de Vidas Passadas
em seu consultório em São Paulo.
Email: shimoda@vidanova.com
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